quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Mosca Oriental da Fruta...


A Mosca Oriental da Fruta (Bactrocera dorsalis) é, no atual contexto, mais uma praga com a qual os produtores terão de conviver num futuro muito próximo. Digo, mais uma, porque não adianta sequer ficar muito nervoso, já que será um problema, como tantos outros (D. suzukii, X. fastidiosa, PSA, vespa velutina, D. kuriphilus, etc, etc, etc) que virá para ficar e para se lidar com resiliência. Apesar de ter sido detectada e erradicada em algumas partes do mundo, não creio que o mesmo se possa vir a passar em Portugal, devido à contextualização "agroadministrativa" do nosso País que tem autoridades passivas, agricultores desinformados, políticas sanitárias deficientes e dependência externa de alimentos... este insecto, originário da Ásia Tropical, foi detectado em Itália no ano passado (2018) e na África do sul (2011). Como facilmente se perceberá, tanto da Itália como da África do Sul, Portugal, como sorvedor de frutos oriundo destes quadrantes... será em breve visitado por este "turista acidental" com "visto GOLD"... "está a tenda armada", que comece o espectáculo!!!!!

#University of Hawaii, Honolulu, Hawaii.

Este insecto é da ordem dos dípteros, que, tal como os demais da sua ordem, provoca prejuízos pela oviposição através da picada que realiza em inúmeros frutos.
Há algumas espécies que são muito similares em termos morfológicos e genéticos e actualmente são descritas como sendo sinónimos da B. dorsalis (B. papayae, B. philippinensis, B. invadens).

Morfologia:

Adulto:
  
Tem cerca de 8 mm de comprimento com asas transparentes. O abdómen  pode assumir várias cores mas é o amarelo a marca predominante, existindo duas faixas horizontais pretas e uma longitudinal, podendo assumir uma forma de "T". O tórax é geralmente castanho escuro a  preto. O ovipositor é pontiagudo. Morfologicamente tem algumas semelhanças com outro dípetro muito conhecido entre nós (Bactrocera olea - Mosca da azeitona).

Larva: 

O 3º instar larvar, com cerca de 10 mm, tem uma cor branco-creme. quando a larva emerge da fruta, cai ao chão, e o pupário apresenta-se com cerca de 4,9 mm de comprimento.

EcoBiologia: 

Os ovos são colocados por debaixo da epiderme dos frutos. Eclodem passados 1 a 3 dias, dependendo das condições climáticas, e permanecem por mais 9 a 35 dias alimentando-se do fruto. cada fêmea poderá colocar até cerca de 3000 ovos durante o seu ciclo de vida.
O insecto não se desenvolve com temperaturas abaixo dos 13º C. Quando completam os seus instares larvares pupam no solo durante 1 a 2 semanas (mais tempo em condições de baixas temperaturas), podendo ter 10 gerações anuais. Preferem temperaturas amenas com elevadas humidades relativas. Invernos frios, com temperaturas abaixo dos 6 º C, em princípio, provocam a mortalidade do insecto, mas o conhecimento da sua biologia ainda é muito pouco aprofundado.


Prejuízos: 

Como todos os dípteros o prejuízo resultante é o da actividade das larvas, que vão consumindo a polpa dos frutos e provocando o seu definhamento.
Atacam mais de 400 espécies de plantas (frutas e vegetais).

Meios de Luta: 

Como a praga ainda não foi detetada em Portugal não há ainda produtos fitofarmacêuticos homologados para o efeito (Luta química). A seu tempo a DGAV, caso se venha a confirmar a presença e respectivos prejuízos, permitirá por certo, ao abrigo da figura usos menores, ou outra, a utilização de PF´s.

A luta biotécnica, com o recurso das armadilhas de captura em massa (garrafa mosqueira com methyl eugenol).

A luta biológica, com o recurso a parasitóides (Biosteres arisanus) , tem sido utilizada em alguns países. requer estudo para saber da adaptabilidade dos mesmo às nossa condições ecológicas.

A Luta cultural é uma medida que deverá ser colocada em prática ao longo da toda a vida útil de qualquer pomar. Passa por recolher fruta madura caída no chão, antecipar colheitas, promover arejamento das copas, entre outras.

Luta mental é outra forma de luta, que passa por medidas de sensibilização, formação, educação e profissionalismo. Terá de ser transversal a todos os intervenientes no sector, mas claro, o grande "master Chief" (DGAV) terá de comandar as tropas no sentido de uma causa comum... A defesa da agricultura nacional, e, se começar amanhã, já é tarde... tem que ser já!!!!

FIY: este artigo não é de forma nenhuma exaustivo, apenas pretende apresentar a praga para que se possa ir tendo a consciência de que "ela anda por aí". quanto às considerações em jeito de "opinião", são meramente "alucinações" de quem não consegue escrever de outra forma!

Recenseamento agrícola...




Para consulta texto integral:
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=399564224&DESTAQUESmodo=2

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Prémio de Jovem Agricultor do Ano 2018

Antes de mais, mas muito mais, os meus parabéns!!!!
Fico extremamente embebecido quando Portugal está na vanguarda, tão na vanguarda, que até arrecada prémios mesmo que os projectos estejam só no papel (que não sei se é o caso e para o que quero dizer pouco interessa...)!
O agricultor não tem culpa e, como dizia, prefiro que o prémio tenha vindo para Portugal, que para outro lado qualquer, pelo menos assim somos falados, somos lembrados...seremos, por certo, requisitados! Então, aqui os meus sinceros parabéns!
Com o que eu me indigno é com a tipologia escolhida pela União Europeia na atribuição de prémios! Sim, esta Europa está condenada ao fracasso e votada a uma gestão miserável de recursos e mentalidades (talvez também eu seja uma dessas mentalidades "Restelianas" e não esteja a ver o quão à frente isto é...)!
Mas os prémios não deveriam seguir a tipologia de que "ganha quem chega à meta?" Ou ganha quem apresentar um equipamento mais bonito na linha de partida?
E se o projeto fracassar? (já bati na madeira)! Faz-me lembrar um projecto igual de hidroponia em morango no Norte do país (mesmo aqui a meu lado) e... hoje????? Isso mesmo... é isso que estão a pensar!
Não que sejam todos iguais (falo de projectos e pessoas), mas há que ter a audácia de inovar misturada com a coragem de avançar... e este agricultor teve-a...parabéns! Agora, a União Europeia é que deveria ter a audácia de cair na real e ter a coragem de atribuir prémios quando os resultados reais e concretos estivessem consolidados... por isso, no meu entender (e acredito neste projecto), chega 5 anos adiantado (com todo o respeito, principalmente para o investidor)...mereceria ganhar daqui a 5 anos quando as amêndoas inundassem a "Páscoa do bom senso!"
Apenas critico o modelo e parabenizo o Jovem agricultor do ano!

Saudações Horticulocarinhosas!

Acácia... "Acácia" você se conseguir!

A   Acacia longifolia  (Andrews) Willd ,  uma leguminosa (família das fabáceas), integra a lista nacional de espécies invasoras que pelo Dec...