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terça-feira, 1 de outubro de 2024

Acácia... "Acácia" você se conseguir!


A  Acacia longifolia (Andrews) Willd, uma leguminosa (família das fabáceas), integra a lista nacional de espécies invasoras que pelo Decreto-Lei n.º 92/2019 de 10 de julho é definida como:

«Espécie invasora» — espécie exótica cuja introdução na natureza ou propagação num dado território ameaça ou tem um impacto adverso na diversidade biológica e nos serviços dos ecossistemas a ela associados, ou tem outros impactos adversos.

Não será necessário percorrer muita área inculta para verificar que tanto a Acacia longifolia como a Acacia dealbata Link. (mimosa), são vorazes "predadores" de espaços incultos e tomam conta de áreas com potencial agrícola  e florestal com uma rapidez tal que chega a ser assustador.

Ambas nativas da Austrália, também por cá encontram (clima mediterrâneo) condições favoráveis à sua propagação e desenvolvimento, o que as torna de difícil controlo.

Como se controla então?

Pergunta para 1 milhão de euros!

A resposta está no ordenamento e manutenção dos espaços agroflorestais mas isso, tema antigo e com barbas, só será feito quando políticas assertivas forem postas em prática mas, para tal, necessitamos de políticos manifestamente mais atentos, preocupados e visionários!

Para além do controlo físico (arranque, corte, fogo controlado......) o controlo químico (herbicidas) ou a mistura de ambos, são as ferramentas mais utilizadas neste tipo de combate que exige resiliência...muita, pois são caros e com resultados pouco satisfatórios!

Poderá haver males que vêm por bem e, neste domínio, nem todas as pragas são "mal feitoras". Existem pragas que reduzem a produção de sementes e simultaneamente o vigor vegetativo, que aliado a todos os restantes meios de luta, pode de facto baixar muito o nível de infestação, contribuindo para um aumento da biodiversidade e da resiliência dos sistemas ecológicos!

Um dos insectos que está sendo utilizado no controlo da  Acacia longifolia é um himenóptero - Trichilogaster acaciaelongifoliae - que não é mais que uma praga específica da éspecie vegetal em causa.

Este insecto, vulgarmente denominado vespa das galhas, perfura os botões florais e reduz a quantidade de semente bem como o vigor vegetativo da planta. 

Foto: Invasoras.Pt   


Não é por certo a panaceia absoluta, mas, virá dar uma grande ajuda no combate, onde já é há muito utilizado na África do Sul com excelentes resultados, estando agora em condições de ser utilizado em Portugal após vários anos de estudo do seu ciclo biológico na zona de Pataias e S. Jacinto (EPPO Reporting Service 2024 no. 9 – Biological Control Agents).


A utilização de um método natural para o controlo de uma planta invasora em Portugal foi utilizado pela primeira vez com este agente em específico, no entanto, o conhecimento científico sobre este organismo está documentado há mais de 30 anos na África-do-Sul. Neste país resultou numa diminuição em mais de 85% da produção de sementes na acácia-de-espigas. Em Portugal, a investigação decorre desde 2003, a cargo de investigadores da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra e do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

ICNF.24.março.2021


Foto: ICNF

A questão que se coloca é se o insecto poderá utilizar outros hospedeiros para completar o seu ciclo de vida? Se isso acontecer poderá ser pior a emenda que o soneto pois espécies agrícolas e florestais poderão estar em risco. De acordo com investigadores da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra e do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra isso não acontecerá pois o insecto é específico da Acacia longifolia.

A vespa das galhas do castanheiro (Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu) é um insecto semelhante, o qual os produtores de castanha conhecem bem e que tem provocado prejuízos enormes ao setor ao diminuir o potencial produtivo das árvores. Para este problema tem-se recorrido a largadas de um insecto parasitóide específico (Torymus sinensis) com excelentes resultados pois diminui de forma significativa a população do Dryocosmus kuriphilus.

No caso particular da acácia, o que se pretende é que o insecto provoque as galhas e também contribua para uma diminuição do potencial reprodutivo da espécie. Contrariamente à vespa das galhas do castanheiro, que desejamos que a população do agente causal  diminua, aqui, queremos que a vespa da galha dos botões  da acácia se dissemine por todo o país para que possa ser um agente de controlo e reduza assim o nível de infestação desta espécie, que, além de ser um problema grave na gestão do território é um problema grave na redução da biodiversidade dos ecossistemas agroflorestais.





sábado, 30 de março de 2024

SPRING - certificar para a sustentabilidade



O Programa Sustentável de Irrigação e Uso de Águas Subterrâneas (SPRING)
é uma das novas exigências do mercado retalhista.  Este programa será implementado como um anexo (add-on) do referencial GLOBALG.A.P. e para que seja válido terá o operador de estar certificado pelo GLOBALG.A.P., ou seja, o módulo SPRING não é uma certificação isolada. O operador, caso o seu cliente o exija, terá de incluir neste próximo ciclo de certificação este módulo, bastando para isso contratualizar com a sua entidade certificadora (OC) mais este módulo.


Poderemos e deveremos sempre questionar o porquê destas coisas, pois afinal é mais um custo de produção. Poderemos e deveremos olhar em volta e tentar perceber se é uma mais valia. São perguntas em que as respostas não agradarão a todos, pois cada um terá uma visão diferente do mercado, do planeta e dos seus objectivos. Será então importante olhar para factos e para determinados aspectos para que a tomada de decisões seja informada.


Estes são alguns dos números que nos poderão fazer refletir:

Fonte: WWW.Globalgap.org (dados até 31/12/2022)

Se tantos o fazem, em tantos países e em tanta área, então esta será a tendência futura. Porquê ficar para trás?

Quais os benefícios para os produtores?

  • Identificar e mitigar os riscos associados à utilização da água na cadeia de produção;

  • Aumentar a eficiência do uso da água através da eficiência dos sistemas de rega;

  • Diminuir os custos associados ao consumo de água melhorando a gestão e o controlo da água;

  • Eficiência no uso da água promovendo a sanidade vegetal e a eficaz utilização de fertilizantes;

  • Proteger as fontes e captações de água preservando assim um recurso escasso;

  • Cumprimento da legislação relacionada com a água evitando contra-ordenações;

  • Demonstração de preocupação com o recurso água perante os Clientes, Consumidores e Entidades Reguladoras chegando assim a mercados que de outra forma se fecham.
Perante os benefícios acima expostos cada um tomará as suas decisões.
Existem duas versões do Módulo SPRING. A versão 1.1-1 e a Versão 2 que estão ambas em vigor até à data.

A versão 1 deverá ser adoptada pelos operadores que estão certificados na Versão 5.4 do GLOBALG.A.P. e a versão 2 do SPRING deverá ser adoptada pelos produtores que irão migrar par a versão IFA V6 smart/GFS. Apenas de salientar que a IFA V6 GFS ainda não está em vigor e neste momento quem migrar para a versão 6 do GLOBALG.A.P. só poderá ser certificado pela IFA V6 smart.

Como se processa ?

- Estar certificado pelo GLOBALG.A.P.;

- Contratualizar com a entidade certificadora (OC);

- Ter uma autoavaliação antes da auditoria do OC;

- Ter evidências com pelo menos 3 meses de antecedência relativamente à auditoria pelo OC de que cumpre os requisitos do referencial;

- Em caso de certificação, é emitido um certificado válido por 1 ano que será renovado anualmente (a 1ª auditoria poderá ser efetuada desfasada da auditoria do GLOBALG.A.P. mas, posteriormente, coincidirá com ela).

Existe uma check-list com princípios e critérios dos quais se destacam:
  • Conformidade legal das fontes de água e taxas de extração;
  • Monitorização do consumo de água;
  • Impacto dos produtores na gestão sustentável das bacias hidrográficas
  • Melhores práticas na gestão da água
  • Proteção das fontes de água
  • Medidas para demonstrar a melhoria contínua da gestão da água

A check-list do referencial SPING está dividida uma divisão em 3 categorias:

- Obrigações maiores (100% de cumprimento);

- Obrigações menores (75% de cumprimento relativamente aos pontos aplicáveis);

- Recomendações (sem nível de cumprimento).

a checklist está disponível em várias línguas em: Search (globalgap.org)

Como súmula, poderei afirmar que, apesar de a certificação SPRING ser um módulo voluntário, esta voluntariedade estará sempre condicionada pela vontade do nosso cliente (retalhista), pois quem compra exige e impõe regras, mas esta será, certamente, a visão redutora relativamente ao tema. A visão alargada e na vanguarda da atividade agrícola é a que nos leva a dar passos em frente e este é um deles, sem dúvida!!!

Preservar os recursos hídricos e produzir com sustentabilidade não poderá ser uma imposição mas sim uma opção em nome de todos nós e das gerações futuras - mudar de paradigma é imperioso, mudar a estratégia é urgente e dar uma outra imagem do que somos e do que fazemos é uma necessidade, só dessa forma reconhecerão a nossa importância pois a nosso fim é a fome dos demais!




quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Pulverizações e Pulverizadores 2


 Quando o tema é pulverizações e pulverizadores deparamo-nos com uma passividade assustadora no sector. Este ano houve (há) problemas fitossanitários de bradar aos céus e temos vinhas com perdas na ordem de grandeza que chega aos 75% (mais em alguns raros casos). São anos como este que nos deveriam obrigar a uma reflexão profunda sobre o estado dos equipamentos e de como as pulverizações são feitas. Espero que a visualização do vídeo contribua para essa reflexão.
Este é o segundo vídeo sobre o tema, que tive o prazer de participar nesta parceria com a Syngenta e o seu  "Minuto Verde" onde o entrevistador (amigo César Trigo) revela um excelente dote de "Jornaleiro"! :-)

sábado, 11 de abril de 2020

Utilização de Máscaras (APR)

Mais do que estarem na "moda", estão no centro da discussão e da controvérsia: falo de máscaras!
Esta controvérsia resulta de informações dissonantes a nível mundial. Uns advogam que sim, outros que não e outros que "nim". E... quem tem razão?
O que temos assistido, relativamente a esta pandemia, é que os países que impuseram o uso obrigatório de máscara foram (são) aqueles que melhores resultados estão a ter nesta luta contra a proliferação do vírus. A acreditar que são verdadeiros os dados revelados, poderemos de forma simplista dizer que SIM... sim o uso obrigatório da máscara tem efeitos positivos na luta contra o vírus. Na realidade, nas mais diversas área profissionais, o uso de máscaras é uma prática corrente e até mesmo obrigatória no âmbito da segurança e saúde no trabalho.
Ao longo dos últimos 20 anos, tanto como utilizador como formador, em acções onde este tema é tratado com regularidade e naturalidade as máscaras estiveram presentes e nunca duvidei do beneficio do seu uso, mas alimento sérias dúvidas se o seu uso é efectivamente benéfico. Parece um paradoxo, mas, na realidade, e "trocando a prelecção por miúdos", não é. O seu uso é efectivamente benéfico mas o seu uso incorrecto, que acontece em grande parte das vezes, torna-as inúteis e potencialmente perigosas!
 Quando nos referimos a máscaras, estamo-nos a referir a um equipamento APR (aparelho de Protecção Respiratória), que faz parte do EPI (Equipamento de Protecção Individual).


 Máscara - Dispositivo com viseira incorporada que protege boca, nariz, olhos e face em simultâneo (imagem 1).

Semi-máscara - Dispositivo que apenas protege boca e nariz (imagem 2). Neste caso a semi-máscara é designada por máscara auto-filtrante ou Filtro Facial (FF)




Importa, definir alguns conceitos:

Perigo: é uma característica intrínseca do "sujeito", ou seja, o potencial que algo tem para ser adverso à saúde.
Risco: é a probabilidade de determinado evento acontecer face a uma condição de exposição.

Quanto mais baixa for a exposição a um determinado perigo mais baixo será o risco, assim, para reduzir o risco é necessário reduzir a exposição.
A figura abaixo elucida bem estes dois conceitos e a diferença entre eles e é importante que se compreendam para depois entender o papel das "máscaras" em todo este processo da COVID 19.


Os APR (Aparelhos de Protecção Respiratória - vulgo máscaras) podem ser de 2 tipos:

APR Isolantes - independentes da atmosfera envolvente (não são estes que nos interessam para o caso vertente pois obrigam a ter um sistema de fornecimento de ar autónomo).

APR Filtrantes - dependentes da atmosfera envolvente (é destes que irei falar, pois é aqui se se incluem as semi-máscaras de uso comum utilizadas para protecção contra o coronavírus).

Os APR Filtrantes podem ainda ser de pressão negativa ou positiva. Irei abordar apenas os de pressão negativa, que são os que necessitam do nosso esforço respiratório para "obrigar o ar a passar pelo filtro, pois são estes, uma vez mais, os que estão em causa e no centro da controvérsia.
Para que o ar que inspiramos seja "limpo" de agentes físicos, químicos ou biológicos, será necessário que o mesmo passe através de membranas filtrantes que designamos por filtros. Ora estes filtros podem ser filtros de partículas, de gases ou combinados. Para a situação do coronavírus as "máscaras" equipadas com filtros de partículas são suficientes, porque filtram partículas sólidas e líquidas em suspensão (que poderemos, sem grande rigor, chamar aerossóis).

A capacidade filtrante dos filtros é dada pela sua classe e é a seguinte:

Classe P1 - baixa eficácia (grau de penetração 20%)
Classe P2 - Média eficácia (grau de penetração 6%)
Classe P3 - Alta eficácia (grau de penetração 1%)

O fabrico de máscaras têm normas para que a sua qualidade esteja de acordo com os padrões. Uma das normas pela qual os fabricantes têm que se reger é a EN 149-2001,  entre outras e os fabricantes são obrigados a colocar nos equipamentos ou na sua embalagem algumas informações.
Vejamos o que deveremos ter em conta na aquisição de um APR (aparelho de proteção respiratória) e o significado das inscrições.

Marcação CE - 
A presença da marcação CE nos EPI indica que os mesmos cumprem os requisitos harmonizados, permitindo que sejam comercializados em qualquer local da União Europeia. Esta condição é aplicável a produtos fabricados em países terceiros e importados para a UE. Por isso, aquando da aquisição, terá de ser um critério de escolha por parte do consumidor!

Os APR têm uma capacidade filtrante e para que possam proteger adequadamente contra agentes químicos ou biológicos terão de ser da Categoria III:
São EPI’s de design complexo, destinados a proteger o utilizador de qualquer perigo mortal, ou que possa prejudicar gravemente e de forma irreversível a sua saúde; por exemplo:
  • Todos os dispositivos de protecção concebidos e fabricados para proteger contra quedas de altura.
  • Todos os equipamentos de protecção respiratória para proteger contra os aerossóis sólidos e líquidos ou contra gases.
  • As máscaras terão que ser da categoria 3. (Cat III).

Interpretação da informação:

  • CE 0194, que significa que a máscara foi sujeita a uma avaliação de riscos;
  • EN 149:2001 + A1: 2009 - as normas que o fabricante seguiu para colocar a "máscara" no mercado;
  • FFP2 - Significa que este equipamento é uma peça autofiltrante, ou seja, que a própria "máscara" toda ela é constituída pelo material filtrante. As letras FF significam Filtro Facial. Neste caso é um filtro facial de classe 2 (média eficácia);
  • NR - significa que é "Não Reutilizável", logo, usa-se e... claro, deita-se fora após cada utilização. Se tiver a letra "R", então sim, pode ser reutilizada.

Fonte: IPQ

  Bem, depois do exposto acima, então poderemos verificar que, em bom rigor, só estaremos devidamente protegidos se utilizarmos "máscaras" com marcação CE + nº organismo que procede à avaliação de risco e que essa "máscara" seja da Classe P (preferencialmente P3) e não deveremos reutilizar a "máscara" se tal não for indicado.

Uma vez que já sabemos as características das "máscaras", vamos abordar as questões da utilização. Uma "máscara" com alto nível de protecção se for mal utilizada é pior do que não usar nenhuma ou pior do que usar uma de baixo nível que seja bem utilizada.

Regras na colocação e utilização da "máscara":

Barba: Para as senhoras está resolvido o dilema... e para os Homens de barba rija? Bem, o mais curta possível ou de preferência barba desfeita, permitindo uma melhor aderência ao rosto. Queremos impedir que partículas abaixo dos 50 Mícrons entrem para o interior da máscara e se houver zonas de fuga serão também essas as portas de entrada!



Colocação: O interior da "máscara" nunca pode ser tocado com as mãos ou luvas pois poderemos estar a colocar no interior da "máscara" partículas contaminantes que depois vão entrar nas vias respiratórias.




















(Clique na imagem)


Os elásticos que seguram a "máscara" deverão ser colocados correctamente. O elástico inferior da "máscara" na parte inferior da nuca (pela parte de baixo das orelhas) e o elástico superior da "máscara" na parte média da nuca (pela parte de cima das orelhas).

Depois da "máscara" colocada no rosto há que ajustar bem ao rosto e ao nariz. As "máscaras" têm uma parte onde existe uma tira metálica ou de outro material flexível que permite o ajuste correcto. 


Erros comuns a evitar:
(Clique na imagem)

Perante tudo isto, fica claro que a "máscara" tem regras e exige boas práticas no uso, caso contrário dá uma falsa sensação de protecção. Será fatal!
São muitos os maus exemplos de utilização destes dispositivos de protecção e os utilizadores vagueiam felizes e contentes pensando estar protegidos. Não estão!
É bom referir também que não há dispositivos que reduzam o risco a "zero". O que há é dispositivos que minimizam o risco, e é assim que têm que ser encarados. Medidas e dispositivos complementares, caso existam, deverão ser utilizados e, neste caso, as medidas são a higienização das mãos e o distanciamento físico. A "máscara, deverá ser o último reduto, a última barreira de protecção, ou seja, se tudo o resto falhar, a "máscara" está lá e espera-se que seja a adequada e que esteja a ser bem utilizada, para minimizar o risco e potenciar a protecção!
Relativamente à polémica, se deve ou não ser usada, talvez ela não seja recomendada (ou não tenha sido recomendada) por falta de stocks disponíveis, ou por outra razão qualquer que desconheço. 
A imagem seguinte reflecte bem o que se passa quando se espirra.

Desta forma o uso de "máscara" é benéfico para todos:
- se espirrar impede a projecção de partículas possivelmente contaminadas;
- e minimiza o contacto com partículas possivelmente contaminadas.

Resumo:
As "máscaras" são dispositivos de protecção respiratória (APR) que sendo autofiltrantes são designadas por filtros faciais (FF) e têm uma classe de protecção (P1, P2, P3), sendo as FFP3 as mais seguras e as que garantem a melhor protecção.
Protegem o próprio e o próximo mas a sua correcta utilização é a única forma de isso acontecer, caso contrário, cria uma falsa sensação de protecção e, como diz o ditado, "é pior a emenda que o soneto".
As "máscaras" terão que ter marcação CE e se forem "Não Reutilizáveis" após cada utilização deverão ser inutilizadas, o que pressupõe que temos de ter mais que uma "máscara" por dia para utilizar. São, de uma maneira geral, mal utilizadas pela população por falta de conhecimento/ formação.
Devem ser encaradas como último reduto da protecção, ou seja, utilizadas simultaneamente com todos os outros cuidados emanados pelos serviços oficiais.

Conclusão:
O uso da "máscara" é benéfico desde que feito de forma correcta (colocação e uso); 
"Máscaras" cirúrgicas, P1 e P2 apenas protegem o próximo. Deveremos utilizar uma "máscara" FFP3, para completa protecção do próprio e do próximo;
A "máscara" Não Reutilizável é de uso único, isto é, após cada uso deverá ser inutilizada;
A "máscara" deverá ser encarada como o último reduto da protecção e todas as outras recomendações e medidas mitigadoras do risco deverão ser postas em prática em simultâneo.


Com abnegação, perseverança, paciência ... vamos superar o "bicho"!

Saúde!


Nota: sempre que se utiliza o sinal gráfico aspas na palavra máscara significa que o termo correcto a utilizar deveria ser semi-máscara.



quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Mosca Oriental da Fruta...


A Mosca Oriental da Fruta (Bactrocera dorsalis) é, no atual contexto, mais uma praga com a qual os produtores terão de conviver num futuro muito próximo. Digo, mais uma, porque não adianta sequer ficar muito nervoso, já que será um problema, como tantos outros (D. suzukii, X. fastidiosa, PSA, vespa velutina, D. kuriphilus, etc, etc, etc) que virá para ficar e para se lidar com resiliência. Apesar de ter sido detectada e erradicada em algumas partes do mundo, não creio que o mesmo se possa vir a passar em Portugal, devido à contextualização "agroadministrativa" do nosso País que tem autoridades passivas, agricultores desinformados, políticas sanitárias deficientes e dependência externa de alimentos... este insecto, originário da Ásia Tropical, foi detectado em Itália no ano passado (2018) e na África do sul (2011). Como facilmente se perceberá, tanto da Itália como da África do Sul, Portugal, como sorvedor de frutos oriundo destes quadrantes... será em breve visitado por este "turista acidental" com "visto GOLD"... "está a tenda armada", que comece o espectáculo!!!!!

#University of Hawaii, Honolulu, Hawaii.

Este insecto é da ordem dos dípteros, que, tal como os demais da sua ordem, provoca prejuízos pela oviposição através da picada que realiza em inúmeros frutos.
Há algumas espécies que são muito similares em termos morfológicos e genéticos e actualmente são descritas como sendo sinónimos da B. dorsalis (B. papayae, B. philippinensis, e B. invadens).

Morfologia:

Adulto:
  
Tem cerca de 8 mm de comprimento com asas transparentes. O abdómen  pode assumir várias cores mas é o amarelo a marca predominante, existindo duas faixas horizontais pretas e uma longitudinal, podendo assumir uma forma de "T". O tórax é geralmente castanho escuro a  preto. O ovipositor é pontiagudo. Morfologicamente tem algumas semelhanças com outro dípetro muito conhecido entre nós (Bactrocera olea - Mosca da azeitona).

Larva: 

O 3º instar larvar, com cerca de 10 mm, tem uma cor branco-creme. quando a larva emerge da fruta, cai ao chão, e o pupário apresenta-se com cerca de 4,9 mm de comprimento.

EcoBiologia: 

Os ovos são colocados por debaixo da epiderme dos frutos. Eclodem passados 1 a 3 dias, dependendo das condições climáticas, e permanecem por mais 9 a 35 dias alimentando-se do fruto. cada fêmea poderá colocar até cerca de 3000 ovos durante o seu ciclo de vida.
O insecto não se desenvolve com temperaturas abaixo dos 13º C. Quando completam os seus instares larvares pupam no solo durante 1 a 2 semanas (mais tempo em condições de baixas temperaturas), podendo ter 10 gerações anuais. Preferem temperaturas amenas com elevadas humidades relativas. Invernos frios, com temperaturas abaixo dos 6 º C, em princípio, provocam a mortalidade do insecto, mas o conhecimento da sua biologia ainda é muito pouco aprofundado.


Prejuízos: 

Como todos os dípteros o prejuízo resultante é o da actividade das larvas, que vão consumindo a polpa dos frutos e provocando o seu definhamento.
Atacam mais de 400 espécies de plantas (frutas e vegetais).

Meios de Luta: 

Como a praga ainda não foi detetada em Portugal não há ainda produtos fitofarmacêuticos homologados para o efeito (Luta química). A seu tempo a DGAV, caso se venha a confirmar a presença e respectivos prejuízos, permitirá por certo, ao abrigo da figura usos menores, ou outra, a utilização de PF´s.

A luta biotécnica, com o recurso das armadilhas de captura em massa (garrafa mosqueira com methyl eugenol).

A luta biológica, com o recurso a parasitóides (Biosteres arisanus) , tem sido utilizada em alguns países. requer estudo para saber da adaptabilidade dos mesmo às nossa condições ecológicas.

A Luta cultural é uma medida que deverá ser colocada em prática ao longo da toda a vida útil de qualquer pomar. Passa por recolher fruta madura caída no chão, antecipar colheitas, promover arejamento das copas, entre outras.

Luta mental é outra forma de luta, que passa por medidas de sensibilização, formação, educação e profissionalismo. Terá de ser transversal a todos os intervenientes no sector, mas claro, o grande "master Chief" (DGAV) terá de comandar as tropas no sentido de uma causa comum... A defesa da agricultura nacional, e, se começar amanhã, já é tarde... tem que ser já!!!!

FIY: este artigo não é de forma nenhuma exaustivo, apenas pretende apresentar a praga para que se possa ir tendo a consciência de que "ela anda por aí". quanto às considerações em jeito de "opinião", são meramente "alucinações" de quem não consegue escrever de outra forma!

domingo, 3 de maio de 2015

Podridão Cinzenta em Mirtilos ...

A podridão cinzenta é provocada por um fungo Botrytis cinerea Pers. que é saprófita e parasita, não sendo fácil estabelecer essa fronteira de forma clara. É um fungo que não é específico, ou seja, ataca tecidos orgânicos (mortos ou vivos) e é muito polífago atacando diversas culturas (videira, morangueiro, framboesa, amora, alface, tomateiro, feijoeiro, etc, etc, etc, etc).
A cultura do mirtilo não foge à regra e, particularmente este ano, devido à instabilidade das condições meteorológicas, temos tido ataques significativos que incidem mais numas cultivares que outras. Daí, a seleção das cultivares ser um fator de decisão importante, que, para quem já tem pomares instalados tem de conviver com as escolhas que fez e com a sensibilidade maior ou menor a esta doença. Também os terrenos encharcados e de fraca drenagem atmosférica são particularmente factores que favorecem o desenvolvimento da doença.
"Chorar sobre o leite derramado" não nos leva a lado algum. Temos por isso de viver com as boas ou más opções que fizemos e, doravante, percorrer o melhor caminho tomando atitudes que minimizem o problema e conduzam a cultura a bom porto.

Ciclo de vida

Fonte: Bayer

Biologia do Fungo

O fungo passa o inverno nas varas vivas  e/ou em restos de cultura no solo (lenha de poda, folhas), sob a forma de esclerotos (órgãos de de conservação do fungo que asseguram a sua sobrevivência) e micélio..
Na Primavera, quando as condições climáticas são favoráveis (chuva e temperatura), os esclerotos e o micélio dão origem aos conidiósforos portadores de conídios, que são libertados pelo choque com as gotas de água e são disseminados pelo vento e pela chuva, contaminando os órgãos verdes da planta, se estes estiverem molhados pelo menos durante 15 horas. A germinação dos conídios dá-se na presença de água ou de elevados teores de humidade relativa (> 90%), tendo como temperatura óptima entre os 15ºC e os 20ºC. Em alguns anos de Primavera chuvosa, os ataques de botritis podem ser muito graves e originar perdas elevadas, como é o caso deste ano.

Sintomatologia
Necrose das flores, sobre as quais poderá ser visível o micélio do fungo, de cor cinzenta escura. As flores permanecem agarradas à  planta, constituindo inoculo para infecção dos frutos e crescimentos jovens.


 Os ramos infectados ficam enegrecidos e secam, podendo observar-se a esporulação do fungo.

 Foto: Jorge Carvalho

Os frutos ficam necrosados, com aspecto engelhado, cobrindo-se de micélio e esporos.
 Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)                                         Foto: Jorge Carvalho (Cv. duke)

Os sintomas poderão manifestar-se no campo, ou apenas em armazenamento, caso a infecção se mantenha latente.
                                                    Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
                                                    Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)

Se aliado a estes factores de risco naturais (chuva e temperatura) as práticas culturais não forem as adequadas, então os estragos podem passar a prejuízo. Assim, a condução da cultura é um dos factores mais importantes para minimizar a incidência do fungo.
Realizar podas adequadas que promovam um bom arejamento da copa da planta bem como realizar fertilizações equilibradas que não estimulem em demasia o desenvolvimento viçoso da massa foliar, são por certo atitudes e comportamentos a ter para que o fungo seja um mal menor e não um agente catastrófico.
De salientar que a botritis é uma doença que vai muito para além do que os nossos olhos veem, pois, como se trata de um fungo que têm uma capacidade incrível de permanecer no estado de latência, grande parte das vezes ele manifesta-se em pós colheita.
Como há duas subespécies a B. vacuma e B. transposa, parece estarem presentes as duas, mas, de forma mais predominante a B. vacuma que se desenvolve como saprófita, contrariamente ao que se passa em outras bagas (vinha, p.e.) onde a B. transposa está  mais presente e desenvolve ação parasitária (Bugaret).

Meios de Luta
Luta Cultural:
- Podas que promovam o arejamento da copa da planta e fertilizações racionais, principalmente as que contemplam o nutriente azoto;
- Eliminação de restos de cultura (lenhas de poda);
- Controlar Drosophila suzukii;
- nunca colher em dias de chuva e colocar o fruto no frio logo após a colheita .

Luta Biológica:
- o uso de determinados microorganismos antagonistas ( Trichoderma spp.) tem sido utilizados bem como algumas leveduras (Bacillus subtilis).

Luta Química:
A luta química prende-se com o uso de substâncias ativas homologados para o efeito. Salienta-se o fato de em Portugal estas substâncias ativas estarem homologadas ao abrigo de uma figura denominada "Usos menores" e apenas três marcas comerciais podem ser utilizadas para o efeito que contêm as seguintes substâncias ativas:
- boscalide+piraclostrobina (p.c. Signum)
- fenehexamida (p.c. Teldor)
- pirimetanil (p.c. Scala)

É importante realçar que os princípios da proteção integrada deverão ser aplicados por quem utiliza os produtos fitofarmacêuticos e todas os outros meios de luta diretos e indiretos deverão ser adoptados para que, de forma integrada, possamos diminuir o inócuo e assim as infeções.
A B. cinerea desenvolve resistências com muita facilidade (a resistência ao benomil já em 1960 é o paradigma) pois o fungo não apresenta um ciclo sexual o que faz com que seja um fungo de ciclo curto e com grande capacidade para mutações (Carvajal). A cada ciclo formam-se uma quantidade enorme de conídeos onde podem ocorrer mutações, que, se existir um mau programa de tratamentos, a cada ciclo pode ocorrer uma mutação que leve a uma resistência provocada pela aplicação do fungicida - designada "pressão de seleção".

Assim, ficam aqui algumas regras básicas para que a eficácia seja potenciada:

1- Histórico da parcela
- Esta é a parte pior pois para termos um histórico é necessário ter  dados acumulados de alguns anos.
No caso particular das explorações que acompanho, não me posso dar ao luxo de fazer futurologia. Resta-me, tal como aos demais, observar, registar e meditar... (isso requer algum tempo).

2- calibrar e regular adequadamente o pulverizador
- há estudos que demonstram que a eficácia de uma pulverização está relacionada em  40% com o produto e 60% com a aplicação do mesmo no que diz respeito ao material e técnica de aplicação (pulverizar é uma coisa, despejar pulverizadores é outra...);

3- alternância de produtos
- Nunca aplicar mais que uma vez a mesma família química por parcela e por campanha.

4- posicionamento dos produtos
- no período floral e em precolheita

5- Técnica de aplicação
- Aplicações assistidas por ar serão as que melhor servirão os nossos propósitos. Na floração ter cuidado especial com as correntes de ar formadas, reduzindo cerca de 80% a admissão de ar da turbina.
Aplicações em todas as faces da linha e, em precolheita, dirigir o tratamento para os frutos.


Por último e tratando-se de produtos fitofarmacêuticos, ler sempre o rótulo com muita atenção pois nele estão contidas informações importantes relativamente às doses, modo de preparação da calda, destino a dar as embalagens vazias, equipamento de proteção individual a utilizar e intevalo de segurança, entre outras.
A lei 26/2013 de 11 de abril, impõe também a obrigatoriedade de realizar os registos de aplicação que terão que ser mantidos durante pelo menos 3 anos.

Vejo muitas vezes pegar no particular e fazer uma generalização, que neste caso nunca se poderá aplicar. Ainda não termos uma conhecimento aprofundado relativamente ao binómio doença/cultura, ao contrário do que acontece na vinha e hortícolas, o que não nos permite para já afirmar que esta ou aquela cultivar é mais sensível e este  fungo. Conhecemos bem o fungo, conhecemos os prejuízos que causa em outras culturas e fazemos extrapolações sem rigor científico, apenas isso.
O tempo que se avizinha prevê-se instável pelo que a visita bisemanal à parcela é importante para observar a evolução da situação, pois só assim poderemos ficar com um conhecimento mais profundo do que se passa ao nível da parcela - da nossa parcela - e, no ano seguinte, na presença de condições climatéricas semelhantes poderemos tirar conclusões semelhantes.

O caminho faz-se caminhando!

Bem haja!


domingo, 19 de abril de 2015

Jornadas Técnicas Início de Campanha 2015... EVAG

Decorreram no passado dia 17 do corrente mês, as Jornadas Técnicas de Início de Campanha 2015, na EVAG (Estação Vitivinícola Amândio Galhano), em Arcos de Valdevez, promovidas pela CVVR (Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes).
O Workshop teve a intervenção de reconhecidos especialistas que abordaram temas interessantes dos quais se destacam:

 João Garrido/EVAG - Análise do estado atual da vinha na EVAG
- A EVAG tem uma coleção ampelográfica que permite fazer com rigor uma avaliação do estado atual da vinha na Região dos Vinhos Verdes. À data temos castas em que o estado fenológico mais adiantado são os cachos separados (G) e outras ainda muito atrasadas em relação a outros anos.
No ano de 2014, em todas as castas, o abrolhamento ocorreu em Março e, este ano, o abrolhamento da maior parte delas ocorreu em Abril, o que significa um atraso. Este atraso reflete-se em 14 dias relativamente ao ano de 2014 e de 8 dias relativamente à média dos últimos oito anos. Este atraso relativo está directamente relacionado com as temperatura médias que se fazem sentir a partir de 1 de janeiro, o que poderá levar também ao atraso das primeiras intervenções fitossanitárias, mas não é indicador de forma alguma de como decorrerá o resto do desenvolvimento do ciclo cultural da videira, pois este e nomeadamente as maturações, dependem das condições climatéricas que se fizerem sentir após os vingamentos.

 Joaquim Guerner/DRAPN - Alerta para os principais problemas fitossanitários de 2015

- Fez uma abordagem aos principais problemas ocorridos no ano anterior, dos quais destacou a flavescência dourada, a drosófila e a podridão acética, para além do míldio, claro, que na Região dos Vinhos Verdes é o "pão nosso de cada dia".
Sem querer fazer futurologia até porque não tem a bola de cristal (palavras do interveniente), destacou e alertou para os problemas que podem vir a ser os ácaros, devido ao desequilíbrio no ecossistema que poderão causar as aplicações desenfreadas e pouco selectivas de insecticidas para o controlo do vetor da flavescência (Scaphoideus titanus Ball.) . Usa-se e abusa-se dos piretróides e sabe-se bem o desequilíbrio que esses mesmos insecticidas provocam a nível da fauna auxiliar, nomeadamente na população de fitoseídeos.
A Drosophila suzukii (Matsumura) é também um problema nas vinhas com uma diferença relativamente a outras drosófilas, é que a D. suzukii não precisa que haja feridas na parede celular para realizar as posturas, ao contrário das outras, o que a torna uma praga extremamente agressiva e com consequências que podem vir a ser devastadoras (tal como já acontece em framboesa). De referir que, apesar de ser conhecida como a drosófila dos frutos vermelhos, foram observados ataques tanto em castas tintas como em brancas.
Outra questão de interesse relevante que foi abordada e, depois no período do debate foi abordada inevitavelmente, foi a imparidade consensual (contrasenso), da divergência existente entre a portaria que obriga a tratamentos obrigatórios para o vetor da flavescência, caso se trate de uma ZIP (zona de intervenção prioritária) e suas freguesias limítrofes e não limítrofes e a Diretiva do Uso Sustentável de Pesticidas, que deu origem à Lei 26 de 11 de Abril de 2013, em que obriga os agricultores a aplicarem os princípios da PI (proteção integrada). Ora, como se sabe, um dos princípios será que só deveremos intervir quando atingido o NEA (nível económico de ataque). Caso tenhamos uma vinha situada na ZIP e/ou freguesias limítrofes e não limítrofes estamos sujeitos a medidas fitossanitárias específicas, impostas pela portaria, mas pelo contrário, caso nessa mesma vinha ainda não tenha atingido o NEA, ao  abrigo da Lei 26, não devo aplicar medidas limitativas ou de combate.... "Quem manda mais?" A portaria ou a Lei?????? Não é fácil gerir, pois se por um lado teremos de ter a consciência que o vetor terá de ser controlado, por outro, se não temos o micoplasma instalado nem o vetor, estamos a aplicar medidas desnecessárias e a desequilibrar o ecossistema e outros problemas poderão surgir... não é fácil!!!

 Afonso Martins/UTAD - Gestão do solo em vinhas para otimização da produtividade do sistema vitivinícola
- Fez uma abordagem geral ao solo e sua importância no terroir vitícola.
Relativamente à gestão e conservação  do solo, deixou bem claro que ainda há um trabalho e um caminho muito longo a percorrer, pois, em Portugal, a percentagem de sementeira direta e de enrelvamentos ainda é muito baixa comparativamente com outros países. Em portugal ainda se recorre muito à gestão e conservação do solo baseada em técnicas tradicionais de mobilização que, apesar de ter algumas vantagens, tem muitos incovenientes a nível da mineralização da matéria orgânica, da libertação de gases para a atmosfera que contribuem para o efeito de estufa, a erosão, transitabilidade das máquinas, entre outras.
Assim, das possibilidades de gestão e conservação do solo, a que mantém um coberto vegetal, espontâneo ou instalado, parece ser a opção mais válida e razoável para que o terroir vitícola seja preservado.

João Pinto e David Silva – SAPEC Agro- Soluções SAPEC Agro – Contributo para o aumento da produtividade e qualidade nos Vinhos Verdes

Foram apresentadas soluções relativas à proteção fitossanitária da vinha e soluções relativas à nutrição.
              
Eduardo Alves/ Eduardo Nuno Magalhães, Unip. Ld.ª - Como escolher os EPI (Equipamentos de Proteção Individual) para a aplicação de produtos fitofarmacêuticos

Apresentou o fato SULFAPF e outros EPI´s, e falou da importância da proteção contra as agressões provocadas pelos produtos fitofarmacêuticos e o efeito negativo que têm na saúde do aplicador.


Jorge Moreira – DGAV- Inspeção obrigatória de Pulverizadores
Falou das inspeções de pulverizadores e dos centros IPP e das obrigatoriedades impostas pelo Dec-Lei 86/2010.
Nos termos do Decreto-Lei n.º 86/2010, a partir de 26 de Novembro 2016, só podem ser utilizados equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos que tenham sido previamente certificados. De realçar que alguns deles, os que foram vendidos após outubro de 2010, têm 5 anos para serem inspecionados pelo que terão que ter essa mesma inspeção a partir de outubro de 2015.

                
Isabel Ferreira – ENGUIRELVA –- Preparação e vantagens da inspeção do pulverizador

Apresentou as anomalias mais frequentes que se têm verificado nas inspeções. Falou também dos cuidados prévios que os detentores dos equipamentos devem ter para se apresentarem a uma ação inspetiva. 
O pulverizador terá que se apresentar limpo interna e externamente, pois caso contrário o inspector pode-se recusar realizar a inspeção (está na lei); também ter-se-á que ter cuidados com as transmissões (veios telescópicos de cardans e respectivas proteções); nunca se apresentar com um pulverizador à inspeção se este não tiver um manómetro; verifcar o agitador, entre outros....

  João Ferreira – ENGUIRELVA –  Demonstração em campo de uma inspeção

A sessão de demonstração incidiu sobre o pulverizador da EVAG que foi inspecionado in locco. Foi dada a oportunidade de esclarecer dúvidas onde tanto os técnicos da empresa ENGUIRELVA como o Engº Jorge Moreira da DGAV responderam às questões que iam sendo colocadas.
Apresentam-se apenas algumas fotos (medição de débitos)



 et.......... voilá! 
Selo atribuído por um período de 5 anos. A próxima inspeção terá que ser realizada em abril de 2020 e, após esse perídodo, será de 3 em 3 anos.

Assim se passou o dia que foi, no meu entender, mais um belíssimo contributo que a Academia dos Vinhos Verdes e a EVAG deram para o desenvolvimento do setor vitícola da região. O Engº Gonçalo Magalhães (a figura visível destes eventos)  e todos os envolvidos merecem também da minha parte um bem haja especial pelo empenho e dedicação à promoção da vinha e do vinho - os verdes, sem dúvida, uma singularidade da natureza!

bem haja!
 

         
           
       
 
     

Polinizadores em Ação» ― Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores em Portugal.

 Já não era sem tempo e este plano peca por tardio e pecará por falta de divulgação (se for o caso) e pecará ainda mais por falta de formaçã...