quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Resposta a Patifarias, por Joaquim Marques*

Contra factos (quase) não há argumentos! E os factos que relatas, sendo factos, não são de hoje, são de sempre.

Ouvi, há 20 anos, uma palestra dum Sr. estrangeiro, que leu um pouco da história económica de Portugal, e em resumo concluiu "Portugal é um país de comerciantes".
Essa afirmação, não sendo inteiramente verdade, nem se aplicando à grande maioria da população, não deixa de ser verdade porque se aplica a muita gente ao longo da história, desde os Descobrimentos.

Ora, ser comerciante, é bom. Quero com isto dizer que, ser só produtor, ou antes disso, ser só inovador, não chega se não se transformar o que se inova e produz, em dinheiro. E como é que se transforma isso em dinheiro? Comercializando!

Quando se produz, como na horticultura, por exemplo, podíamos também falar na fruticultura, e outras áreas da economia do sector primário, e essa produção é directamente consumida pelo consumidor final, ou os clientes vêm à nossa horta comprar, ou vamos nós até eles vender.

Há vários canais para se levar os produtos da terra até ao consumidor final, e claro, há o canal dos mercados abastecedores, dos armazenistas, dos retalhistas, dos grandes retalhistas (agora designados, pomposamente, de moderna distribuição.

É assim que os produtos chegam ao consumidor final. E o consumidor final só quer "bom, barato e fácil de adquirir, com todas as comodidades". Os grandes retalhistas, sabendo disto, trataram de ir ao encontro das necessidades dos seus clientes (o bom do consumidor final comodista) e construíram os modernos centros comerciais com hipermercados acoplados. Os clientes finais não vão ao Centro comercial só comprar alfaces, aproveitam e vão ao cabeleireiro, compram carne, compram pão, compram roupa, vão ao cinema, etc...

O "desgraçado" do agricultor, que também gosta de ir ao shopping, indigna-se porque vê lá alfaces mais baratas que o preço que lhe custa produzir, e vê os seus conterrâneos a comprar, todos satisfeitos, enquanto as suas alfaces espigam na sua horta...

Os portugueses comerciantes lucram sempre! Está no seu ADN: comprar barato e vender o mais caro possível!

Como se resolve este problema? Falo do problema do pequeno agricultor.
Simples!

1º. Para se ser agricultor, além de saber agricultar, tem que saber vender, identificar os seus clientes, identificar as necessidades dos seus clientes e definir estratégias comerciais para chegar até eles;

2º Se a cadeia dos armazenistas e retalhistas que existem na sua região, ou no seu país, são demasiado opressores na altura da compra, procurar outros armazenistas/retalhistas foram da sua região e fora do seu país (por esta razão é que foi muito bom a instituição do mercado único europeu;

3º Um agricultor, sozinho, ou associado em pequenos grupos, não tem força negocial, por outras palavras, não tem massa crítica para suportar uma boa equipe de marketing/vendas que vá vender a outros mercados. É preciso associações, que podem ser cooperativas, ou sociedades por quotas que tenham como principal objectivo, vender os produtos!;

4º À semelhança do que se fez na avicultura, depois na suinicultura, a verticalização da produção e comercialização é o caminho!;

5º Copiar os bons exemplos, a roda já foi inventada há muito tempo! A cadeia dos supermercados franceses "Intermarché" resultou duma associação dos agricultores franceses que quiseram levar os seus produtos até ao consumidor final. Depois o Intermarché internacionalizou-se, e já vende em Portugal, os produtos dos agricultores franceses...

Em resumo, em vez de indignação, melhor se se passe à acção:
IR AO ENCONTRO DOS CONSUMIDORES!

Antes de fazer a próxima sementeira, tem que se saber de antemão, onde vai ser colocada a produção e a que preço médio.

Um agricultor, antes de o ser, tem que ser um vendedor!

Se eu fosse reitor duma universidade agrária, em todos os anos do curso, desde o 1º ano, haveria cadeiras de marketing e vendas, até ao estágio.

Estamos cheios de engenheiros agrários e veterinários que só sabem produzir, ninguém sabe vender, até têm vergonha da palavra vendedor.
Este é o segredo, sejamos vendedores!
* Joaquim Marques, empresário.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Patifarias…

Quando me ergo do penoso leito para o qual fui rasteirado, vejo que tudo à minha volta é uma patifaria pegada!
Vejo empresas cobardes a fugir para paraísos fiscais, empresas essas que dizem que protegem a produção nacional e que dão emprego a milhares de pessoas e que até suportam aumentos de IVA e que estão ao lado dos portugueses e que… e que… e que…
Patifes!
Fogem; são cobardes!
Empregam milhares de pessoas; pois, o comércio tradicional que elas faliram empregava muitas mais!
Protegem a produção nacional; mentira, metem nas suas lojas 70% de produtos oriundos de outras paragens e não exigem o que exigem aos produtores nacionais!
Suportam o aumento de IVA; claro, com as notas de débito imputadas à produção é fácil!
É giro ir às compras às grandes superfícies… sim, há carrinhos de compras que até têm lugar para os miúdos, há parques de estacionamento com sombras, cafetarias, lavandarias, cinema, parques prós putos… é giro… e cómodo!
Será que cada português já fez bem as contas? Será que olham bem para os preços? Será que entendem o que se passa? Não, não me parece!
A patifaria continua quando a estratégia nacional não passa por proteger o tecido produtivo português, seja ele qual for. Não me parece que haja futuro quando se entulham caminhos com fardos pesados e difíceis de transpor. Os factores de produção, os impostos, as burocracias, as exigências estão ao mais alto nível e as políticas orientadoras e estratégicas ao nível mais baixo – diria mesmo, em linguagem de empresa de notação financeira; lixo!
Quando a agricultura portuguesa não tem estratégia orientada para a dinâmica estruturada e planeada ao mais alto nível, então nada feito. Acho um piadão quando se diz que o empresário tem de ser inovador e sair para procurar outros mercados. Sim, mas que empresário temos nós na agricultura? Não temos a juventude formada e informada que tem a indústria. Claro que temos excepções a este paradigma, felizmente, e esses saem e vão e têm sucesso, mas o grosso na nossa agricultura formada por agricultores velhos e com poucas habilitações… vai para onde?
Que fazem os diplomatas? Que faz o ministro dos negócios estrangeiros? A comandita que acompanha o comediante maior em excursões animadas e relatadas alegremente pelos media, incorpora agricultores? E depois, nos jantares de estado, em embaixadas espalhadas pelo mundo ainda se serve à mesa vinho português (?) e a sobremesa é com pêra rocha ou bravo de esmolfe (?) e o café será servido em chávenas da vista alegre (?)… pois não sei, nunca lá estive!
O que é a globalização e o mercado livre? É deixar cair uma nação desgraçando-a e subjugando-a aos interesses dos comércios do oriente e até mesmo dos orientes Europeus?
Para onde caminhas Portugal com estes patifes ao leme deste barco para o qual eu comprei bilhete?
Estou desolado, desiludido e nem mesmo este coelho à solta me faz pegar na caçadeira para praticar o desporto que me já fez madrugar outrora.
A nossa ministra que guarda um rebanho muito grande parece-me que vai dar em nada! Quando vejo alguém a falar de rendas de casa, quando deveria estar a programar linhas objectivas e estratégicas para uma agricultura nacional de sucesso, só chego a uma conclusão: o ministério da agricultura deveria ser único e não deveria ser subjugado à vontade da fome pelo poder… não se faz notar, não se vai notar, não vamos a lado algum!
Ou encaramos a agricultura com um ministério forte - o mais forte - e mais imprescindível para o estímulo da economia, ou este país mofina e já nem dos serviços necessitamos, pois tudo morrerá de forma apática e ridícula!
Criem condições e o agricultor trabalha, bole, cria, desenvolve a economia deste país. Um sector primário forte é sinónimo de um país estruturado, que melhor resiste às intempéries sociais e às asnices políticas!
Mas, de facto, olho em volta e só vejo patifarias! Estão a delapidar a esperança e quando deram por ela, já o país está moribundo – será nessa altura que os que agora fogem, voltarão com altaneira postura a dizer que vão investir no país que lhes está no coração (sim, esses patifes sempre gostaram de investir no 3º mundo)…
Apelo ao consumismo do que é português, mas também aqui há patifes que praticam patifarias permitidas por patifes ainda maiores. Consuma os produtos começados pelo código 560 e terá a certeza que consome grande parte das coisas vindas de fora… ai não sabia?
É verdade, os patifes que legislam e os que aprovam as leis, permitem que os produtos importados em bruto, em grosso a granel, como queiram, se embalados no país lhes seja colocado o código 560….
Nada é claro neste país, porquê? Porque o poder dos grupos de pressão (Lobbies ou lobos…) lembra e relembra aos patifes que mandam que só mandam porque eles os ajudaram a mandar… e a conversa deve ser tipo: - ò caro amigo, tu recordas-te que só chegaste onde estás, só és o que és, porque cá o rapazinho de deitou a mão…ah, ah, lembras-te? Mas olha, eu a qualquer momento faço com que tu voltes para o sítio de onde vieste…ah, ah…
(Digo eu que nunca lá estive).
Assim, de patifaria em patifaria, se constrói um futuro para a agricultura portuguesa e para os agricultores onde a incerteza vai deixar de pairar, pois, desta forma, a morte é certa e o renascimento é uma utopia!
Só lá vai de uma forma… marchar contra S. Bento!