quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Boas Festas e Feliz Ano 2013

Olá caros amigos,
poderia muito bem tratar-vos por leitores, mas isso seria um pouco ofensivo da minha parte, já que nada de novo vos tenho dado para ler... ando arredio destas lides, é verdade!
Bem, mas não posso fazer nada quanto a isso porque o passado já não se muda e o presente é hoje... só me resta o futuro... sim, esse futuro  onde prometerei escever coisas novas (se falhar depois escreverei a pedir desculpas), coisas interessantes (???), coisas que nunca jamais alguém viu (efeitos ainda da consoada... o vinho era bom... :-)  )!
Olhai... continuai a ter boas festas e que o ano de 2013 seja cheio de saúde e pequenas grandes alegrias... e talvez assim se construa a felicidade ...
beijos e abraços e até já!

domingo, 9 de setembro de 2012

Quo vadis, MAMAOT (parte dois)...

 

 
 
Caros amigos,


Caros amigos,
Que as vossas férias (ou não férias) tenham corrido pelo melhor!
Já faz algum tempo que não publico nada neste blog, e pelo facto, as minhas desculpas, mas, com a crise económica, fiquei tão abalado que também a crise da escrita se apoderou de mim e a "Tróica Literária" não me deixou fazer o que eu mais gosto: - Escrever! Mas estou de volta e isso é o que interessa!
Dois assuntos me fazem publicar e têm a ver com o Ministério da Agricultura.
Um deles refere-se ao facto de termos de pagar (devolver?) a Bruxelas 80 milhões de euros de ajudas que não foram bem entregues (?) e ou não foram fiscalizadas (?). Seja como for, 80 milhões não são nada para este país rico de ricos políticos e imperiais políticas. Oitenta milhões é uma gota de água se comparados com os buracos que diariamente os gestores públicos escavam e os políticos permitem (bem, e este coitados, não têm culpa de serem incompetentes... nasceram assim e vivem assim... são felizes ao menos!)! Um dos nossos ex-ministros, de nome Jaime Silva (mais um incompetente), resolveu revolucionar o ministério da agricultura, nada que os antecessores, também eles incompetentes, não tenham feito, a tal ponto da sangria desenfreada deixar os serviços sem capacidade fiscalizadora... deu nisto... para poupar no orçamento de estado ainda não sei quantos milhões, teremos agora que devolver 80 milhões (isso já sabemos, está definido)! Parabéns Jaiminho... és o maior!
O outro assunto é a circular da DGAV, que aproveitei para postar, mas para quem não consiga ver em condições, pode consultar o site da DGAV e ler com mais atenção. Ora, à primeira vista, parecia-me mais uma "Relvisse" (ou será "Relvice" ???), mas não, e isto porquê? Porque sempre achei (embora as minhas percepções não contem, até porque não sou político para ter o poder de as fazer contar), que a DGADR/DGAV estava a atropelar a lei quando exigia a formação em DCAPF (Distribuição, Comercialização e Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos), a quem já era acreditado e queria renovar a acreditação, em vez da formação em actualização, uma vez que o famoso Dec. Lei 173/2005 de 21 de Outubro, que digo-vos, conheço de trás para a frente e da frente para trás e até mesmo de pernas para o ar (que é como ele está agora), previa (prevê) que se desse habilitação por outros meios, como a própria circular o admite. Ora como o 173/2005 está em vigor (ainda) e como a directiva (que eu saiba) não é lei (ainda), nunca entendi os critérios da DGADR/DGAV e nem os formandos os entendiam quando lhes pediam para frequentar um curso de 91 horas, depois de terem sido técnicos responsáveis, com cartão emitido pela DGADR, e não um curso de actualização de 35 horas! Esta circular vem (digo eu) dizer isso mesmo... acabem lá com a formação de 91 horas e arranjem experiência e uns congressos que a gente esquece a ilegalidade que andou a cometer até aos dias de hoje!
Fico feliz por ver que mudaram (vá-se lá saber porquê), mas também vos digo que já não vale nada porque todos os técnicos que se possam enquadrar no descrito da circular já estão formados. Assim a circular peca por ser tardia! Os novos colegas que saem das universidades, como não vão conseguir ter essa experiência acumulada cumulativamente com os 100 pontos, vão ter de fazer a formação inicial (e bem) e depois disso a actualização como todos os outros!
E é assim, temos uma tutela que só estorva!

terça-feira, 10 de julho de 2012

A ressurreição da família Prudêncio...

http://www.youtube.com/watch?v=e7TfXfJrueQ (spot dos anos 70)

Quem se lembra da família Prudêncio? Os mais velhos por certo, tipo da minha idade, pois eu recordo-me perfeitamente de passar em horário nobre no canal público!
Hoje, esta família está desactualizada e morta, mas, O VALORFITO ( Sistema Integrado de Gestão de Embalagens e Resíduos em Agricultura) ressuscitou esta família, agora moderna e com nova roupagem, sob o lema "Em campo, por amor à terra".
Já passa na rádio esta nova campanha de sensibilização e nas televisões ainda não me apercebi que tivesse passado. Era bom que começasse também a passar nas televisões..., já que temos uma população dependente da "caixa mágica".
O horticularidades junta-se à luta da recolha de embalagens vazias, apelando, uma vez mais, para a sensibilidade e responsabilidade de todos. Entregar embalagens vazias, além de uma obrigação (Dec. Lei 187/2006 de 19 Setembro) é uma convicção...
Agora o sistema de recolha de embalagens vazias está mais agilizado já que se poderá proceder à entrega de embalagens vazias em qualquer altura do ano, em contraponto com as  datas estipuladas anteriormente (Maio e Outubro).
COLABORE... PONHA-SE EM CAMPO, POR AMOR À TERRA!

terça-feira, 1 de maio de 2012

HORTICULINÁRIA- Canónigos, por Catarina Lourenço*

História


Os canónigos (Valerianella locusta (L.) ou Valerianella olitoria (M.), distribuem-se naturalmente por terrenos cultivados em toda a Europa (sendo mais raros no extremo Norte). Florescem de Março a Junho, devendo-se colher, de preferência, antes da floração, já que as folhas são mais tenras e devido a que, após a floração, a planta se perca rapidamente.

É consumida há séculos como salada ou legume, tendo começado por ser cultivada como salada de inverno nos finais do século 18 / inícios do século 19. Só recentemente, por volta de 1980, é que começou a ser cultivada em maior escala para comercialização.

Há quem diga que o nome “canónigos” se deve a que se encontrassem canónigos em mosteiros, ou residências de padres.



Nomes comuns

Portugueses: alface-da-terra, alface-de-cordeiro, alface-cordeirinho, alface-de-coelho, valerianinha,  valeriana-hortense ou saboia

Ingleses*: lamb’s lettuce, corn salad, field salad

Franceses*: mâche, lanchette, boursette, bouche, clairette, coquille, doucette, galinette, grasse, herbe douce, laitue d’agneau, oreille de lièvre, salade de chanoine, salade de blé.

Italianos*: Soncino, valerianella, dolcetta, songino, gallinella, lattughella

* in http://www.fondation-louisbonduelle.org

Culinária

Ainda bastante desconhecidos na nossa mesa, os canónigos, com o seu sabor suave e delicado, são, sem dúvida, melhores quando consumidos em fresco, em saladas ou acompanhamento. No entanto, também se utilizam em sopas e tartes.


Nutrição

Há quem refira que os canónigos apresentam uma grande concentração de sais minerais como o cálcio, fósforo, potássio, magnésio e ferro e que são ricos em provitamina A e vitaminas B9 e C. São referidos também como sendo uma importante fonte de compostos antioxidantes como o ácido fólico e a luteína, e de ómega-3, relevantes para melhorar o sistema imunitário. Além disto, são compostos por cerca de 90% de água e têm apenas cerca de 20-25 calorias/100gr, o que os torna perfeitos para uma dieta  saudável.

No quadro seguinte, encontram-se os valores médios para 100 gramas de alimento não cozinhado, já que o processamento pode alterar alguns dados.


100g de canónigos frescos
Dose Diária Recomendada
Calorias
19
-
Proteínas
2g
-
Lípidos
0,4g
-
Glícidos
2g
-
Fibras
1,7g
30g
Vit. A (pro-vitamina)
4250 µg
4800 µg
Vit. B6
0,27mg
1,4mg
Vit. B9
160 µg
200 µg
Vit. C
38mg
80mg
Ferro
2,2mg
14mg
Sódio
4mg
-
Potássio
459mg
2000mg

Adaptado de Ciqual 1995,




Receitas

Alguns sites e blogs já apresentam algumas receitas de canónigos, embora, e como sempre, o limite seja a imaginação. Hoje, e em jeito de promessas de Primavera e tempo mais quente, ficam aqui algumas receitas originais de canónigos.



Salada Fresca de Canónigos: Misturar canónigos lavados e escorridos com ovo cozido, milho doce cozido e temperado com maionese caseira.










Salmão em Cama de Canónigos: Cortar um abacate, descascado, aos cubinhos e centrar. Posicionar rosas feitas com filetes de salmão fumado por cima do abacate e dos canónigos. Temperar com sumo de limão, tomilho seco e um fio de azeite virgem.









Salada Delícia de Canónigos: Num prato grande, colocar canónigos, pimentos vermelhos assados cortados em tiras, fatias de queijo camembert e fiambre de frango enrolado em forma de rosas. Temperar com azeite virgem e vinagre de cidra.











Canónigos à Serrana: Esmagar queijo de cabra fresco e temperar com alecrim, tomilho e orégãos secos, formando uma pasta. Barrar uma fatia de pão de centeio ligeiramente torrada com esta pasta, colocar os canónigos e pedaços de azeitonas pretas. Temperar com um fio de azeite virgem.





  



Canónigos à Camponesa: Barrar uma fatia de pão branco de trigo com maionese caseira. Posicionar os canónigos e o ovo cozido. Temperar com umas gotas de vinagre de ameixa.











* Catarina Lourenço - Colaboradora  http://www.blogger.com/profile/14752411433810543806

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Quo vadis, MAMAOT...

Desci a rua e entrei no portão da quinta toda murada.
Deveria ser importante, pelo aspeto majestático com que enfrentava a
Circunvalação por onde outrora circulavam importantes caravanas em direcção à
invicta e ao porto de Leixões.
Ali, na Senhora da hora, nessa tal quinta imponente, ficam
alguns serviços do ministério da agricultura, tais como licenciamentos, e
laboratórios.
Entrei e já nem parei no portão, pois já há muito sei que
não existe guarda, mas, a passo lento, acabei por mirar uma guarita abandonada,
cheio de mofo e de vidros partidos. Avancei em direcção ao laboratório de
solos, mesmo ao lado das oficinas, onde pacientemente aguardam por um “Godinho
qualquer”, 4L, Clios, Seat… com os pneus em baixo e as ervas a começar a
devorar a sua silhueta…
Bem, lá entrei no laboratório e entreguei o material para
ser analisado. Depois da ficha devidamente preenchida, pediram-me logo o
dinheiro correspondente a um serviço que ainda não houvera ter sido executado
(é que eu tenho cara de bandido, só por isso…) e, claro, como a importância era
avultada, já que eram muitas amostras, e não ia preparado com dinheiro vivo e
cheques já nem sei preenche-los dado não os usar há mais de uma década, saquei,
tal qual um pistoleiro no faroeste, do cartão de débito… Pois…
_ Não temos terminal, respondeu sorridentemente a pessoa que
me atendeu. Terá de levantar o dinheiro numa caixa multibanco que fica fora das
instalações…
Lá me explicou onde era e, a pé, já que o gasóleo está pela
hora da morte e naquela zona em questão arranjar lugares de estacionamento é
uma sorte que eu nunca almejei…, lá fui e, passados 10 minutos la estava eu em
frente a um máquina MB que, vejam só, estava em manutenção… Depois de mais 10
minutos de espera, porque em redor nada vislumbrei, e as tímidas perguntas aos
moradores obtinham respostas quase indiferentes que me apontavam em direcção ao
Norte Shopping ou ao Hospital de S. João (coisa para a pé demorar mais meia
hora para cada lado), lá levantei o graveto e em passo de corrida fugi,
literalmente, porque a zona não me agradava, para o interior das instalações do
ministério (onde diga-se, não sei se estaria mais seguro…)!
Após 5 minutos, pois agora a pressa de esvaziar o bolso era
latente, cheguei de novo ao laboratório com o dinheiro que coloquei em cima do
balcão.
_ Já cá estou! Disse eu.
_ Pois, mas agora vai ter de esperar. A senhora que trata
dos pagamentos não está, mas é só um bocadinho que eu vou ver se a encontro.
Foi perguntando.
_ Ò fulana, viste a Sicrana?
_ Ela ainda há bocadito estava aqui… mas para que é?
_ É que está aqui um Sr. Que quer pagar…
(Mentira, eu não queria pagar, eles é que me obrigaram…).
- Ah, pois não sei, ela não deve demorar!
Passava outra..
_Ò fulana, viste a Sicrana?
_ Ela ainda há bocadito estava aqui… mas para que é?
_ É que está aqui um Sr. Que quer pagar…
( E ela insiste na mentira…, eu não quero pagar…).

Bem, e depois de 10 minutos nesta total e stressante
palhaçada, a simpatiquíssima senhora que me atendeu disse-me:
_ Olhe, como a senhora da contabilidade não aparece, não se
importa de ir ali aquele edifício pagar noutra secção? Leva este papel e diga
que vai da minha parte e depois volta cá para mostrar o comprovativo do
pagamento… não se importa?
_ Importar até importa, mas tem de ser não é? Proferi eu!
_ É, pois… desculpe lá…
Bem, pés a caminho, mais 2 minutos e chegado à porta
perguntei a uma senhora que fumava deliciada o seu cigarrito…
- Desculpe, onde é a secretaria?
- Entre, siga o corredor e é na primeira à direita… mas para
que é?
- É para pagar umas análises de solos…
- Então pode ser lá…
- Obrigado!
Entrei e segui as indicações.
- Boa tarde! Disse eu.
- Boa tarde…
Silêncio total… alguns segundos depois…
- Desculpe… quero pagar…
- Só um bocadinho…., vai ter de esperar…
- Ok, obrigado…. Disse eu de forma tímida (sou muito tímido…)
Passados alguns minutos aparece uma senhora toda sorridente
e disse:
- Ora, o Sr. Quer pagar o quê?
Chiuuuuuuuuuu, não digam nada, mas esta senhora é a mesma
que estava na rua a fumar o cigarrito e me disse onde era a secretaria…
Depois de pagar, eu perguntei:
- Mas então no laboratório não se pode pagar?
- Pode, disse ela… mas não pagou lá porquê?
- Porque a Sr.ª que recebe e emite os documentos não estava…
_ Ah, disse ela, sabe, a senhora está quase a ir embora com
a reforma e deve andar pelos gabinetes a despedir-se do pessoal… sabe como é,
foram muitos anos…. Criou-se uma grande amizade…
_ Ah, vociferei eu com cara de sonso … pois acredito, e ela
não poderia despedir-se fora do horário de expediente…
- Mas assim já não apanhava cá ninguém…
Pois claro, como sou estúpido e ingénuo… tinha de ser mesmo
no horário de expediente… que burrinho que eu sou!
Bem, depois lá fui de novo levar o comprovativo ao
laboratório de solos.
A senhora ainda, antes de se despedir, fez publicidade e
promoção aos serviços dizendo que também faziam análises de água de rega…
_ Ok, disse eu, mas não volto cá mais… Boa tarde!
Virei costas e sai triste… muito triste, por ver que cada
dia que passa o nosso ministério caminha para o degredo de capital humano,
técnico e social… já não serve para coisa alguma e só se mantém porque ainda
teimam em acreditar que ele é útil!

quarta-feira, 21 de março de 2012

HORTICULINÁRIA - Nabos, nabiças e grelos de nabos..., por Catarina Lourenço*

História

O nabo já é consumido desde há muito tempo, ponderando-se ser uma cultura pré-histórica. Os Romanos já o distinguiam em variedades compridas, redondas e achatadas, sendo algumas designadas com os nomes de cidades gregas.
Supõe-se que o berço do nabo seja a Ásia Central, a Oeste dos Himalaias, se bem que a margem Norte do Mediterrâneo foi de importância fulcral para o seu desenvolvimento e difusão na Europa.

Em Portugal, existe uma Confraria Nabos e Companhia, situada em Carapelhos, Mira.

Culinária

Bastante difundidos na nossa culinária, o nabo, as nabiças e os grelos de nabo são, desde sempre, alimento comum nas nossas mesas.


Cozido à Portuguesa que se preze, tem de levar nabo; e é muito comum no puré das sopas de legumes. Menos comum, mas utilizado, é a mistura do puré de nabo com outros purés, nomeadamente batata, cenoura ou abóbora.
Ainda há quem o descasque e rale, temperando com limão para consumo em crú, sozinho ou misturado com outras saladas.
Há quem os coza e os sirva com manteiga derretida aromatizada ou molho de queijo.
Os temperos mais utilizados são sal, azeite, e plantas aromáticas como cebolinho, funcho, salsa, cravinho, mostarda, coentros e hortelã.
O nabo ainda é usado para fazer doce, também conhecido por “nabada”, com açúcar e amêndoa.

As nabiças, por sua vez, são largamente utilizadas nas sopas e nos esparregados, e também em migas, cozidas com feijão-frade a acompanhar peixes fritos ou enchidos, ou simplesmente cozidas, temperadas com azeite e servidas como acompanhamento. As folhas mais novas e tenras podem ser usadas, em cru, como salada.
Na zona de Góis, também se usam em papas, tanto papas doces (papas de água com mel) como em papas salgadas, ambas com farinha de milho.

Já os grelos, costumam ser cozidos sozinhos e servidos como acompanhamento, salteados ou então usados para fazer arroz de grelos.

Nutrição

Qualquer um deles, tem um valor nutritivo interessante, sendo ricos em vitaminas e em fibras, assim como em cálcio e ferro .

No quadro seguinte, encontram-se os valores médios para 100 gramas de alimento não cozinhado, já que o processamento pode alterar alguns dados.
As percentagens de Dose Diária Recomendada (DDR) indicadas referem-se a uma dieta de 2000KCal e diferem em função da idade, sexo, peso corporal e ocupação da pessoa.
Adaptado de: http://www.centrovegetariano.org/Nutrientes.html

Medicina Tradicional Portuguesa

A polpa de nabo cozida é utilizada como cataplasma de frieiras; as nabiças em salada são bons anti-celulíticos; os nabos e as nabiças ajudam nas colites e obstipações, e os nabos, devido ao seu conteúdo em vitamina C, ajudam nos casos de eczemas.
Talvez o uso mais conhecido do nabo, no entanto, seja o xarope para a tosse, excelente por si só e melhorado com a adição de cenoura, contra catarro, tosse e bronquites.


Após estas considerações, tolos seríamos se não incluíssemos algum destes ingredientes na nossa alimentação, a qual, por si só, deve ser diversificada.
Existem imensas receitas e formas de preparar e, como sempre, o limite é a imaginação; mas hoje, tendo em conta a época do ano, favorável a tosses e constipações, a receita escolhida é de carácter medicinal.


Xarope de Nabo

Descascar e cortar em pedaços pequenos uma ou duas cabeças de nabo cruas.
Para cada duas partes, juntar uma de açúcar mascavado ou amarelo; ou, se se preferir mais doce, uma parte de nabo e uma parte de açúcar.
Deixar macerar um pouco, e ir tomando o xarope que se forma, às colheradas, ao longo do dia.
Quando se esgotar, adicionar mais açúcar. Utilizar novos pedaços de nabo quando já não se formar xarope com o açúcar.



Outra versão, faz-se com nabo e cenoura, da mesma maneira.


* Catarina Lourenço http://www.blogger.com/profile/14752411433810543806

sábado, 17 de março de 2012

Seminário de pequenos frutos...


É com prazer e entusiasmo que o horticularidades se associa na divulgação da iniciativa "suprapostada".
Muito me apraz ver a dinâmica de um grupo de gente jovem, corajosa e audaz que com as suas iniciativas mostram que é possível... força, e naquilo que este blog puder fazer .... fará!
O programa fala por si.... bem haja!

domingo, 11 de março de 2012

Nabo a polivalência de uma cultura…

NABO, NABIÇA, NABO DE GRELO
(Brassica rapa L. rapa)

É uma cultura sem dúvida que merece atenção pelo facto de entrar na dieta dos Portugueses sob as mais variadas formas e aproveitamentos.
A cultura em si, pode ser comercializada como cabeça (com ou sem rama), como nabiça (folhas) e como grelo (escape floral).
A importância desta cultura em algumas regiões do País, faz com que ela seja merecedora de uma confraria – a confraria do nabo em Carapelhos – e também das sucessivas festas e festivais do grelo e da nabiça que vão desde os Carapelhos, Cordinhã, Macedo de Cavaleiros e, além fronteiras, também esta cultura assume importância nomeadamente na Galiza onde se realizam inúmeros certames a promover esta cultura e a gastronomia a ela associada.
Nesta publicação apenas será abordada a questão agronómica, mas numa próxima publicação será postada o aproveitamento culinário numa rubrica chamada Horticulinária .

Características botânicas
Raiz
O nabo (Brassica rapa var. rapa) é uma hortícola de raiz comestível. O sistema
radicular do nabo é carnudo e pode assumir diversas formas e ter coloração
uniforme ou ser bicolor, sendo o branco e o roxo as mais comuns.


As folhas
Estão dispostas em roseta às quais comercialmente se dá o nome de nabiça.
São de cor verde médio a escuro, rugosas, ásperas e pubescentes


Flor
É uma inflorescência que comercialmente se dá o nome de grelo.
São amarelas e agrupadas numa haste floral.


Fruto
É uma silíqua, característica da brássicas.

O ciclo cultural
40 a 60 dias na Primavera e Verão e 90 a 100 dias no Inverno.


SEMENTEIRA/Plantação
Em geral são semeados no local definitivo mas a plantação também é recorrente e pode ter alguns benefícios em relação à sementeira, nomeadamente na poupança de semente e no controlo das infestantes.
Ocorre todo o ano e em caso de se optar pela sementeira/plantação em linhas, deverá ser feita com o o compasso de 15x30, 20x30, 10x40 (linha x entre-linha).


Condições Edafo-climáticas
Temperatura:, óptima de situa-se entre os 15 e os 20ºC
Paragem crescimento: 3 a 5º
Evitar altas temperaturas e geadas intensas.

Luz: boa luminosidade
Humidade: Em condições de baixa percentagem de humidade atmosférica, a floração é precoce e as raízes são mais finas e fibrosas

Solos
Os solos devem ter textura franco-arenosa, serem ricos em matéria orgânica
(entre 2 a 4%), com pH entre 6,0 e 7,5.
Valores baixos de pH no solo podem originar ataques de pôtra ou hérnia. Solos
demasiado ligeiros ou calcários tendem a endurecer as raízes e a conferir-lhes
mau gosto.

Condições de exploração
Rega
O nabo é muito exigente em água, principalmente na fase de engrossamento das raízes.

Adubação
As necessidades da cultura em nutrientes são as que se apresentam no quadro seguinte, tendo em conta a produção e as classes de fertilidade do solo, pelo que uma análise de solo é fundamental para realizar um trabalho sustentável em termos económicos e ambientais.

Nunca esquecer que o azoto a aplicar deverá se de forma fracionada e ter em conta as zonas vulneráveis. Deduzir à adubação azotada o azoto veiculado pela estrumnação e água de rega.
O fósforo e o potássio embora possam ser colocados em fundo, se fracionados também favorece o desenvolvimento da cultura.
Há várias possibilidades de veicular os nutrientes que vão desde os adubos tradicionais aos sólidos solúveis passando pelos adubos foliares...
O Magnésio e o boro são também importantes, sendo que a sensibilidade à carência de boro é importante nesta cultura. A sua carência manifesta-se pelo aparecimento de uma
necrose na raiz designada por coração pardo.

Pragas e Doenças
A áltica, insetos de solo, o míldio, a podridão cinzenta, alternariose, a potra, a falsa potra, são os principais problemas da cultura do nabo.
Assume particular importância a áltica caso a cultura se destine a ser comercializada como nabiça, porque se as folhas ficam picadas (furadas) a distribuição não aceita tal situação, pelo que utilizar um piretróide (lambda-cialotrina) quando atingido o nível económico de ataque (NEA) é de recomendar.
Quando o nabo é comercializado com cabeça, os insectos de solo já são um problema. Neste caso temos o clorpirifos e a teflutrina que estão homologados para o efeito.
No caso de doenças, a alternariose e o míldio podem ser problema, pelo que deverão ser feitos tratamentos preventivos com azoxistrobina (máx 2 aplicações) e com clortalonil (máx 3 aplicações), respectivamente para alternariose e míldio.
A potra é um problema grave que não tem grande solução, a não ser a rotação de culturas (sete anos) e a correção do pH (7 a 7,5).

FOTOS: Web

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Resposta a Patifarias, por Joaquim Marques*

Contra factos (quase) não há argumentos! E os factos que relatas, sendo factos, não são de hoje, são de sempre.

Ouvi, há 20 anos, uma palestra dum Sr. estrangeiro, que leu um pouco da história económica de Portugal, e em resumo concluiu "Portugal é um país de comerciantes".
Essa afirmação, não sendo inteiramente verdade, nem se aplicando à grande maioria da população, não deixa de ser verdade porque se aplica a muita gente ao longo da história, desde os Descobrimentos.

Ora, ser comerciante, é bom. Quero com isto dizer que, ser só produtor, ou antes disso, ser só inovador, não chega se não se transformar o que se inova e produz, em dinheiro. E como é que se transforma isso em dinheiro? Comercializando!

Quando se produz, como na horticultura, por exemplo, podíamos também falar na fruticultura, e outras áreas da economia do sector primário, e essa produção é directamente consumida pelo consumidor final, ou os clientes vêm à nossa horta comprar, ou vamos nós até eles vender.

Há vários canais para se levar os produtos da terra até ao consumidor final, e claro, há o canal dos mercados abastecedores, dos armazenistas, dos retalhistas, dos grandes retalhistas (agora designados, pomposamente, de moderna distribuição.

É assim que os produtos chegam ao consumidor final. E o consumidor final só quer "bom, barato e fácil de adquirir, com todas as comodidades". Os grandes retalhistas, sabendo disto, trataram de ir ao encontro das necessidades dos seus clientes (o bom do consumidor final comodista) e construíram os modernos centros comerciais com hipermercados acoplados. Os clientes finais não vão ao Centro comercial só comprar alfaces, aproveitam e vão ao cabeleireiro, compram carne, compram pão, compram roupa, vão ao cinema, etc...

O "desgraçado" do agricultor, que também gosta de ir ao shopping, indigna-se porque vê lá alfaces mais baratas que o preço que lhe custa produzir, e vê os seus conterrâneos a comprar, todos satisfeitos, enquanto as suas alfaces espigam na sua horta...

Os portugueses comerciantes lucram sempre! Está no seu ADN: comprar barato e vender o mais caro possível!

Como se resolve este problema? Falo do problema do pequeno agricultor.
Simples!

1º. Para se ser agricultor, além de saber agricultar, tem que saber vender, identificar os seus clientes, identificar as necessidades dos seus clientes e definir estratégias comerciais para chegar até eles;

2º Se a cadeia dos armazenistas e retalhistas que existem na sua região, ou no seu país, são demasiado opressores na altura da compra, procurar outros armazenistas/retalhistas foram da sua região e fora do seu país (por esta razão é que foi muito bom a instituição do mercado único europeu;

3º Um agricultor, sozinho, ou associado em pequenos grupos, não tem força negocial, por outras palavras, não tem massa crítica para suportar uma boa equipe de marketing/vendas que vá vender a outros mercados. É preciso associações, que podem ser cooperativas, ou sociedades por quotas que tenham como principal objectivo, vender os produtos!;

4º À semelhança do que se fez na avicultura, depois na suinicultura, a verticalização da produção e comercialização é o caminho!;

5º Copiar os bons exemplos, a roda já foi inventada há muito tempo! A cadeia dos supermercados franceses "Intermarché" resultou duma associação dos agricultores franceses que quiseram levar os seus produtos até ao consumidor final. Depois o Intermarché internacionalizou-se, e já vende em Portugal, os produtos dos agricultores franceses...

Em resumo, em vez de indignação, melhor se se passe à acção:
IR AO ENCONTRO DOS CONSUMIDORES!

Antes de fazer a próxima sementeira, tem que se saber de antemão, onde vai ser colocada a produção e a que preço médio.

Um agricultor, antes de o ser, tem que ser um vendedor!

Se eu fosse reitor duma universidade agrária, em todos os anos do curso, desde o 1º ano, haveria cadeiras de marketing e vendas, até ao estágio.

Estamos cheios de engenheiros agrários e veterinários que só sabem produzir, ninguém sabe vender, até têm vergonha da palavra vendedor.
Este é o segredo, sejamos vendedores!
* Joaquim Marques, empresário.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Patifarias…

Quando me ergo do penoso leito para o qual fui rasteirado, vejo que tudo à minha volta é uma patifaria pegada!
Vejo empresas cobardes a fugir para paraísos fiscais, empresas essas que dizem que protegem a produção nacional e que dão emprego a milhares de pessoas e que até suportam aumentos de IVA e que estão ao lado dos portugueses e que… e que… e que…
Patifes!
Fogem; são cobardes!
Empregam milhares de pessoas; pois, o comércio tradicional que elas faliram empregava muitas mais!
Protegem a produção nacional; mentira, metem nas suas lojas 70% de produtos oriundos de outras paragens e não exigem o que exigem aos produtores nacionais!
Suportam o aumento de IVA; claro, com as notas de débito imputadas à produção é fácil!
É giro ir às compras às grandes superfícies… sim, há carrinhos de compras que até têm lugar para os miúdos, há parques de estacionamento com sombras, cafetarias, lavandarias, cinema, parques prós putos… é giro… e cómodo!
Será que cada português já fez bem as contas? Será que olham bem para os preços? Será que entendem o que se passa? Não, não me parece!
A patifaria continua quando a estratégia nacional não passa por proteger o tecido produtivo português, seja ele qual for. Não me parece que haja futuro quando se entulham caminhos com fardos pesados e difíceis de transpor. Os factores de produção, os impostos, as burocracias, as exigências estão ao mais alto nível e as políticas orientadoras e estratégicas ao nível mais baixo – diria mesmo, em linguagem de empresa de notação financeira; lixo!
Quando a agricultura portuguesa não tem estratégia orientada para a dinâmica estruturada e planeada ao mais alto nível, então nada feito. Acho um piadão quando se diz que o empresário tem de ser inovador e sair para procurar outros mercados. Sim, mas que empresário temos nós na agricultura? Não temos a juventude formada e informada que tem a indústria. Claro que temos excepções a este paradigma, felizmente, e esses saem e vão e têm sucesso, mas o grosso na nossa agricultura formada por agricultores velhos e com poucas habilitações… vai para onde?
Que fazem os diplomatas? Que faz o ministro dos negócios estrangeiros? A comandita que acompanha o comediante maior em excursões animadas e relatadas alegremente pelos media, incorpora agricultores? E depois, nos jantares de estado, em embaixadas espalhadas pelo mundo ainda se serve à mesa vinho português (?) e a sobremesa é com pêra rocha ou bravo de esmolfe (?) e o café será servido em chávenas da vista alegre (?)… pois não sei, nunca lá estive!
O que é a globalização e o mercado livre? É deixar cair uma nação desgraçando-a e subjugando-a aos interesses dos comércios do oriente e até mesmo dos orientes Europeus?
Para onde caminhas Portugal com estes patifes ao leme deste barco para o qual eu comprei bilhete?
Estou desolado, desiludido e nem mesmo este coelho à solta me faz pegar na caçadeira para praticar o desporto que me já fez madrugar outrora.
A nossa ministra que guarda um rebanho muito grande parece-me que vai dar em nada! Quando vejo alguém a falar de rendas de casa, quando deveria estar a programar linhas objectivas e estratégicas para uma agricultura nacional de sucesso, só chego a uma conclusão: o ministério da agricultura deveria ser único e não deveria ser subjugado à vontade da fome pelo poder… não se faz notar, não se vai notar, não vamos a lado algum!
Ou encaramos a agricultura com um ministério forte - o mais forte - e mais imprescindível para o estímulo da economia, ou este país mofina e já nem dos serviços necessitamos, pois tudo morrerá de forma apática e ridícula!
Criem condições e o agricultor trabalha, bole, cria, desenvolve a economia deste país. Um sector primário forte é sinónimo de um país estruturado, que melhor resiste às intempéries sociais e às asnices políticas!
Mas, de facto, olho em volta e só vejo patifarias! Estão a delapidar a esperança e quando deram por ela, já o país está moribundo – será nessa altura que os que agora fogem, voltarão com altaneira postura a dizer que vão investir no país que lhes está no coração (sim, esses patifes sempre gostaram de investir no 3º mundo)…
Apelo ao consumismo do que é português, mas também aqui há patifes que praticam patifarias permitidas por patifes ainda maiores. Consuma os produtos começados pelo código 560 e terá a certeza que consome grande parte das coisas vindas de fora… ai não sabia?
É verdade, os patifes que legislam e os que aprovam as leis, permitem que os produtos importados em bruto, em grosso a granel, como queiram, se embalados no país lhes seja colocado o código 560….
Nada é claro neste país, porquê? Porque o poder dos grupos de pressão (Lobbies ou lobos…) lembra e relembra aos patifes que mandam que só mandam porque eles os ajudaram a mandar… e a conversa deve ser tipo: - ò caro amigo, tu recordas-te que só chegaste onde estás, só és o que és, porque cá o rapazinho de deitou a mão…ah, ah, lembras-te? Mas olha, eu a qualquer momento faço com que tu voltes para o sítio de onde vieste…ah, ah…
(Digo eu que nunca lá estive).
Assim, de patifaria em patifaria, se constrói um futuro para a agricultura portuguesa e para os agricultores onde a incerteza vai deixar de pairar, pois, desta forma, a morte é certa e o renascimento é uma utopia!
Só lá vai de uma forma… marchar contra S. Bento!