terça-feira, 27 de Abril de 2010

Tuta Absoluta

A Tuta absoluta, também conhecida como a traça-do-tomateiro, é uma praga que se encontra disseminada um pouco por todo o sul da Europa e norte de África, como se poderá ver no mapa de zoneamento da praga, e causa graves prejuízos económicos nas solanáceas (referenciada na lista de risco A2 da OEPP).
É originária da América Latina, onde tem uma forte dispersão, tendo sido detectada em Espanha em finais de 2006 e em Itália em 2008. Neste momento já se encontra em Portugal, tendo já causado prejuízos importantes na campanha do ano passado. Nas Canárias causou prejuízos da ordem dos 40%.



Fonte: www.tutaabsoluta.com

Bioecologia
A Tuta absoluta Povolny é um lepidóptero que pode apresentar entre 9 a 12 gerações anuais, consoante as condições climáticas da região onde se encontra presente.
A borboleta (adulto), pode atingir 7 mm e tem 2 pares de asas sendo o primeiro acinzentado e o segundo mais escuro. Tem antenas compridas ao longo do corpo.
Tem hábitos de voo crepusculares e durante o dia permanece escondida na folhagem. Com uma ligeira agitação da folhagem pode-se detectar o insecto.
Foto: EPPO Gallery - Adulto de Tuta absoluta

Cada fêmea põe de forma isolada entre 180 a 260 ovos, na página inferior das folhas, caules, pedúnculos e/ou frutos, elípticos e de cor esbranquiçada que se vão tornando amarelados à medida que se vão desenvolvendo. Dão origem às lagartas.
Fotos: EPPO Gallery - ovo de Tuta absoluta

A lagarta ao eclodir penetra nos tecidos da planta (folhas, caule e fruto) dos quais se alimenta. Pode atingir 7 a 8 mm de comprimento.
Pode pupar nas folhas ou no solo, dando depois origem ao adulto (borboleta).
Fotos: EPPO Gallery



Ciclo de vida
O ciclo de vida deste insecto passa pelos estados de Ovo- Larva-Pupa-Adulto e pode completar-se, conforme as condições a que estão sujeitas, nomeadamente da temperatura, entre 29 a 38 dias. Por exemplo no Chile a uma temperatura de 14 ºC completa-se em 76,3 dias, a uma temperatura de 19,7 ºC completa-se em 39,8 dias a uma temperatura de 27,1 ºC em 23,8 dias (Barrientos et al., 1998).

Foto: www.infoagroisp.com




Sintomatologia/Estragos

Os sintomas podem ser observados nas folhas, caules e frutos.

Nas folhas, numa fase inicial, os sintomas podem ser confundidos com os da Liriomysa spp (larva mineira), mas posteriormente a galeria aumenta de dimensão, alargando e dando-se a subsequente desidratação dos tecidos e um encarquilhamento característico.


Fotos: EPPO Gallery


Quando ataca os caules destrói o sistema vascular da planta com todas as consequências nefastas que isso comporta.
No fruto causa elevados prejuízos tanto qualitativos como quantitativos.

Fotos: EPPO Gallery


Estimativa de Risco

Colocar armadilhas delta com feromona, na entrada das estufas e corredores e distanciadas 25 m umas das outras, à razão de 2 a 4 por hectare.

A monitorizção deve ser feita semanalmente. e em função do número de capturas actuar.



Armadilha delta (Google imagens)



Meios de Luta

A estratégia a adoptar é sem dúvida aquela que integra todos os meiso de protecção, deixando sempre para última opcção a luta química.

Luta cultural

Eliminar as plantas hospedeiras tais como Erva moira (Solanum Nigrum) e a figueira do inferno (Datura stramonium) e de restos de cultura se possivel queimando.

Colocar redes de exclusão de adultos (nas estufas) sempre que isso não implique um aumento das condições para as doenças criptogâmicas.

Realizar rotações culturais e no caso de sucessões, o tempo que deve medear entre as culturas séra de pelo menos 6 semanas.

Luta biotécnica

Recorrer ao uso da captura em massa utilizando armadilhas de água com feromona e detergente. As armadilhas deverão ser colocadas a 40 cm do solo e à razão de 20 a 40 armadilhas por hectare.

A água deverá ser renovada frequentemente e a feromona substituida ao fim de 60 dias, ou antes, caso esteja colocada ao ar livre sob condições atmosféricas adversas.
Armadilha de captura em massa (Google imagens)
Armadilha de captura em massa com feromona (Google imagens)


Foto do autor


Luta biológica

O recurso ao uso de auxiliares é uma prática cada vez mais recorrente com largos benefícios ambientais e também do ponto de vista da biologia da praga, uma vez que diminui o risco de desenvolvimento de resistências.

Os auxiliares são: mirídeos, crisopas, Macrolophus caliginosus, Nesidiocoris tenuis e/ou tricogramas.

O Bacillus thuringiensis conjugando as subespécies kurstaki e aizawai tem revelado uma eficácia em todos os instares da larva, mas na fase larvar precoce a eficácia é ligeiramente superior.


Luta Química

A luta química quando realizada tem de o ser somente com produtos homologados para o efeito.

Destaca-se neste momento as substâncias activas (s.a.) indoxacarbe e spinosade que deverão ser utilizadas em alternância e dentro das limitações de cada produto pelo que a leitura integral do rótulo é uma prática indispensável.

Tuta absoluta, uma praga que veio para ficar!

Só uma estratégia de luta concertada e integrada poderá ser eficaz contra este insecto!

Outras fontes bibliográficas:DGADR;PHYTOMA; Biosani;

5 comentários:

Lulita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lulita disse...

Sou agronoma e trabalho em Cabo Verde. Em Outubro de 2009 encontrei pela primeira vez a Tuta absoluta na minha cultura de tomate na ilha do Sal Tentei com todos esses produtos recomendados controlar a praga mas por fim desisti pois não era economicamente viavel. Spinosade,indoxocarbe B.t. nada fez baixar suficientemente o nivel da praga.O Nesidiocoris tambem pouco fez

#15 disse...

Olá Lulita,

Tente emamectina benzoato, é uma nova sub activa para lepidopteros em várias culturas

Jorge Carvalho disse...

Olá lulita, seja bem vinda a este blog.
Obrigado pela informação, pois quantas mais pessoas contarem as suas experiências mais e melhor poderemso saber se esta ou aquela estrátégia é a adequada ou não.
De facto as substãncias activas que temos à nossa disposição não são muito eficazes, caso contrário a Tuta não seria um problema maior!
Seja como for, há que tentar tudo e fazer alternância de susbatãncias activas o mais possível.
Tente também a abamectina e a Flubendiamida, sem deixar de realizar a captura em massa, que, parece-me, será a melhor forma de baixar os níveis populacionais... muito mais que istos, infelizmente não lhe consigo dizer.
Vá aparecendo por cá!
Saudações!

Eng Agr Danilo Storti disse...

Atualmente, estão sendo desenvolvidas novas moléculas químicas como espinetoram e chlorantraniliprole que vem para o alento dos tomaticultores. Portanto, caso exista interesse posso infomar época de aplicação, dose e método de aplicação!
Abraço