sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Vespa Asiática

Já está disponível na página da DGAV o plano de ação para vigilância e controlo da vespa asiática.
Este assunto é particularmente importante tanto para os apicultores, como para as entidades responsáveis pelo controlo da mesma, mas, sem dúvida, que é um assunto de interesse global já que é da responsabilidade das abelhas (entre outros) a polinização das plantas.
É, portanto, um dever de todos alertar as autoridades e não tentar levar a cabo a destruição dos ninhos sem estar preparado para o efeito, pois as consequências tanto em termos de perigosidade para o ser humano que as tenta eliminar como para a proliferação das mesmas, caso se seja mal sucedido, é elevada.
Não hesite em alertar as autoridades, colabore!
Pode consultar o plano de ação em : http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV

domingo, 25 de maio de 2014

Pulverizadores” - Técnicas e material de aplicação de produtos fitofarmacêuticos na cultura da vinha.

A Academia do Vinho Verde promoveu duas acções de formação em formato de workshop, com uma componente prática de campo sobre “Pulverizadores” - Técnicas e material de aplicação de produtos fitofarmacêuticos na cultura da vinha.
  Um dos eventos decorreu na  EVAG – Quinta de Campos de Lima em Arcos de Valdevez, no dia 5 de Maio,  e o outro na Escola Profissional de Fermil – Celorico de Basto, no dia 6 de Maio 3.ª feira.
 
 
As duas ações foram dirigidas aos viticultores da região que assim puderam afinar os pormenores para os tratamentos que terão que realizar daqui em diante, pois, como se sabe, a partir de agora é a época de maior sensibilidade da cultura da vinha e a eficácia de um tratamento pode cair por terra se pulverizarmos com um equipamento mal regulado/calibrado.
Este evento organizado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, demonstra que a Região está viva e dinâmica e a Comissão, na pessoa do Engº Gonçalo Magalhães, entre outras, têm dado um contributo ímpar para que tal aconteça, estando por isso de parabéns!
Tive o prazer de ser o orador destes eventos que envolveu uma parte em sala e depois uma parte em campo. Com a minha presença, espero ter contribuído para que algumas falhas que ainda vão acontecendo pudessem e possam ser corrigidas.
 
Sessão em  sala -  EVAG

 Sessão prática - EVAG
 Sessão prática de Campo - EVAG
 Auditório - Escola Profissional de Fermil de Basto
Sessão prática de campo - Escola Profissional de Fermil de Basto

Particularmente, o evento da realizado na Escola Profissional de Fermil de Basto (freguesia de Molares), deu-me particular prazer porque foi nessa escola que despertei para a agricultura - foi um regresso às origens, onde pude rever alguns funcionários. Os professores do meu tempo, infelizmente uns já partiram outros estão aposentados. Foi bom verificar que a escola evoluiu e que continua com grande vitalidade.
No final tivemos o Verde de Honra, tanto na EVAG como na EPFB, provando os rótulos que ambos produzem - hummmmmmmm dois verdes brancos muito bons!
Esperando que estes eventos possam continuar a acontecer e que a melhoria continua dos aplicadores seja uma realidade também ela constante...
Bem haja!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Estado de sítio! Eles e elas andam por aí...

As recentes notícias de entrada na Europa de várias pragas e doenças não augura nada de bom para a agricultura Portuguesa. Temos um problema emergente que a curto prazo poderá ser catastrófico - é a minha convicção!
A Tuta absoluta (traça do tomateiro), a Pseudomonas syringae pv actinidiae (PSA do Kiwi), por exemplo, foram dois problemas introduzidos em Portugal que em muito vieram condicionar a produção e mudar hábitos dos intervenientes que, diga-se em boa verdade, nem sempre são hábitos correctos devido a uma resistência à mudança de atitudes e à adopção de boas práticas e medidas profiláticas. Esta resistência (genética, por ignorância ou mesmo por arrogância), tem contribuído para o alastrar do problema que cada vez mais se torna um problema de todos à escala global.
PSA kiwi

A flavescência dourada (micoplasma transmitido pelo vetor Scaphoideus titanus Ball.) também está a mudar o panorama vitícola nacional. Também aqui ainda se facilita imenso e se encara o problema de forma irresponsável e ligeira! Não basta apelar aos meios de luta legislativa que, apesar de importante não chega, pois é uma intervenção a jusante do problema. Com a abertura das candidaturas ao programa Vitis, as áreas de vinha serão aumentadas e renovadas e os bacelos ou enxertos prontos terão de ser plantados. Há controle? Há imposição aos viveiristas de testes ELISA ou PCR. E a termoterapia?
 
Recentemente a vespa das galhas do castanheiro (Dryocosmus kuriphilos), insecto originária da China,  está por toda a Europa e... Portugal está na mira - não tenhamos dúvidas, pois já foi detectada a sua presença em Castela-Leão, e de lá à Terra Fria ou às beiras é um "salto de pulga" que irá causar graves prejuízos ao sector - inevitavel, portanto!
Ainda mais recentemente, uma nova bactéria (Xylella fastidiosa), que tem como hospedeiro mais de 100 plantas diferentes, entrou na Europa e foi detectada em Itália. Olival, mirtilo, vinha, citrinos, amendoeiras, prunoídeas, entre outras, são plantas a ter em conta uma vez que as áreas plantadas em em Portugal são significativas.
Os vetores são os do costume, onde se contam os cicadelídeos, heminópeteros (entre outros); também a importação de material vegetal sem qualquer controle é preocupante e assume um significado maior pois é o principal canal de dispersão da doença a longa distância.
Com o atual quadro comunitário, as áreas de mirtilo (instalados ou  a instalar, fruto de Projectos PRODER), são de si um problema, uma vez que não existem plantas disponíveis para todos,  provenientes de viveiristas certificados. A procura desenfreada  e louca de plantas, para que os prazos PRODER sejam cumpridos, tem levado à importação sem regras de plantas de qualquer parte do mundo. A situação é tão caricata e preocupante que até no OLX existem plantas à venda (e o nosso MAMAOT assiste impávido e sereno a isto?????)... é uma tourada... uma autêntica tourada e, ou me engano muito ou já temos lotes contaminados... (era agora que eu quereria estar enganado)!

Todos estes problemas serão realmente mais devastadores quanto maior for a ignorância científica e técnica do País e dos intervenientes:
- Temos um problema ao nível dos meios de luta químicos que não são eficazes quanto a bactérias;
- temos um problema ao nível dos meios de luta químicos quanto a pragas pois a gestão de resistências são cada vez mais difíceis de contornar;
- temos um problema em termos de luta biotécnica pois a ciência anda a velocidades mais reduzida que o nível de dispersão dos problemas;
- temos um problema ao nível dos meios de luta biológico pois não são acessíveis ou não existem para todo o tipo de problemas;
- temos um problema ao nível das medidas mitigadoras do risco, pois nem sempre há imposição de regras, nem sempre há respeito pelas regras e nem sempre há fiscalização da aplicação das regras;
- Temos um MAMAOT que acorda tarde demais para os problemas

Temos ainda recentemente um PAN (plano de ação nacional) sobre o uso sustentável de pesticidas e a sua forma de atuação a nível nacional, que dispensa os técnico dos atos envolvidos na aplicação dos princípios da proteção integrada ta(PI), deixando os agricultores, pouco profissionais e pouco competentes, no que à proteção das plantas diz respeito, por sua conta e risco.
Ontem mesmo, estive com um produtor de kiwis, com 6 ha, que me disse que não dormia bem as noites com medo da PSA; há uns tempos atrás, um viticultor, desabafava que lhe metia dó olhar para a sua vinha; numa estufa com tomate, eu mesmo vi a Tuta absoluta a deliciar-se com cerca de 60% da produção...
De futuro vou  ver soutos, pomares de mirtilos, olivais com os mesmo problemas - PREJUÍZOS GRAVES QUE DEITAM POR TERRA UM SONHO, UMA VIDA, UMA SUSTENTABILIDADE...
Por isso, não posso aceitar que os intervenientes, todos eles, onde eu me incluo, possam ter uma atitude passiva e negligente, porque a ser assim, esta-se a cometer um ato hediondo - MATA-SE  A CULTURA E QUEM SABE O CULTIVADOR!

Esta não é por certo a melhor prenda de natal para a nossa agricultura...

Bem haja, e feliz natal!