(Brassica rapa L. rapa)
É uma cultura sem dúvida que merece atenção pelo facto de entrar na dieta dos Portugueses sob as mais variadas formas e aproveitamentos.
A cultura em si, pode ser comercializada como cabeça (com ou sem rama), como nabiça (folhas) e como grelo (escape floral).
A importância desta cultura em algumas regiões do País, faz com que ela seja merecedora de uma confraria – a confraria do nabo em Carapelhos – e também das sucessivas festas e festivais do grelo e da nabiça que vão desde os Carapelhos, Cordinhã, Macedo de Cavaleiros e, além fronteiras, também esta cultura assume importância nomeadamente na Galiza onde se realizam inúmeros certames a promover esta cultura e a gastronomia a ela associada.
Nesta publicação apenas será abordada a questão agronómica, mas numa próxima publicação será postada o aproveitamento culinário numa rubrica chamada Horticulinária .
Características botânicas
Raiz –
O nabo (Brassica rapa var. rapa) é uma hortícola de raiz comestível. O sistema
radicular do nabo é carnudo e pode assumir diversas formas e ter coloração
uniforme ou ser bicolor, sendo o branco e o roxo as mais comuns.

As folhas
Estão dispostas em roseta às quais comercialmente se dá o nome de nabiça.
São de cor verde médio a escuro, rugosas, ásperas e pubescentes

Flor
É uma inflorescência que comercialmente se dá o nome de grelo.
São amarelas e agrupadas numa haste floral.

Fruto
É uma silíqua, característica da brássicas.
O ciclo cultural
40 a 60 dias na Primavera e Verão e 90 a 100 dias no Inverno.
SEMENTEIRA/Plantação
Em geral são semeados no local definitivo mas a plantação também é recorrente e pode ter alguns benefícios em relação à sementeira, nomeadamente na poupança de semente e no controlo das infestantes.
Ocorre todo o ano e em caso de se optar pela sementeira/plantação em linhas, deverá ser feita com o o compasso de 15x30, 20x30, 10x40 (linha x entre-linha).
Condições Edafo-climáticas
Temperatura:, óptima de situa-se entre os 15 e os 20ºC
Paragem crescimento: 3 a 5º
Evitar altas temperaturas e geadas intensas.
Luz: boa luminosidade
Humidade: Em condições de baixa percentagem de humidade atmosférica, a floração é precoce e as raízes são mais finas e fibrosas
Solos
Os solos devem ter textura franco-arenosa, serem ricos em matéria orgânica
(entre 2 a 4%), com pH entre 6,0 e 7,5.
Valores baixos de pH no solo podem originar ataques de pôtra ou hérnia. Solos
demasiado ligeiros ou calcários tendem a endurecer as raízes e a conferir-lhes
mau gosto.
Condições de exploração
Rega
O nabo é muito exigente em água, principalmente na fase de engrossamento das raízes.
Adubação
As necessidades da cultura em nutrientes são as que se apresentam no quadro seguinte, tendo em conta a produção e as classes de fertilidade do solo, pelo que uma análise de solo é fundamental para realizar um trabalho sustentável em termos económicos e ambientais.

Nunca esquecer que o azoto a aplicar deverá se de forma fracionada e ter em conta as zonas vulneráveis. Deduzir à adubação azotada o azoto veiculado pela estrumnação e água de rega.
O fósforo e o potássio embora possam ser colocados em fundo, se fracionados também favorece o desenvolvimento da cultura.
Há várias possibilidades de veicular os nutrientes que vão desde os adubos tradicionais aos sólidos solúveis passando pelos adubos foliares...
O Magnésio e o boro são também importantes, sendo que a sensibilidade à carência de boro é importante nesta cultura. A sua carência manifesta-se pelo aparecimento de uma
necrose na raiz designada por coração pardo.
Pragas e Doenças
A áltica, insetos de solo, o míldio, a podridão cinzenta, alternariose, a potra, a falsa potra, são os principais problemas da cultura do nabo.
Assume particular importância a áltica caso a cultura se destine a ser comercializada como nabiça, porque se as folhas ficam picadas (furadas) a distribuição não aceita tal situação, pelo que utilizar um piretróide (lambda-cialotrina) quando atingido o nível económico de ataque (NEA) é de recomendar.
Quando o nabo é comercializado com cabeça, os insectos de solo já são um problema. Neste caso temos o clorpirifos e a teflutrina que estão homologados para o efeito.
No caso de doenças, a alternariose e o míldio podem ser problema, pelo que deverão ser feitos tratamentos preventivos com azoxistrobina (máx 2 aplicações) e com clortalonil (máx 3 aplicações), respectivamente para alternariose e míldio.
A potra é um problema grave que não tem grande solução, a não ser a rotação de culturas (sete anos) e a correção do pH (7 a 7,5).
FOTOS: Web







