sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vindimas Parte 4...

Caros amigos... mais um ano de vindimas... mais um S. Miguel!
Qual a qualidade das uvas que vamos vinificar? A qualidade é variável de ano para ano e, neste em particular, temos uma matéria prima resultante de uma campanha que se revelou difícil em termos de fitossanidade (míldio, oídio…), pelo que em determinadas zonas do país temos uvas que estão afectadas negativamente. Se em determinadas regiões vitivinícolas as vindimas terminam cedo, na Região dos Vinhos Verdes estas entram pelo Outubro dentro, altura em que normalmente as chuvas começam a fazer estragos.
“Há portanto uma necessidade premente de tratar o que tão bem é tratado pelas mãos delicadas do povo vindimador”!
O processo que a seguir se explana serve de orientação para as vinificações feitas por amadores (que fique bem claro!)
Falarei da vinificação de uvas brancas e numa outra oportunidade abordarei a vinificação de uvas tintas.
Colheita
As uvas deverão ser colhidas com o máximo cuidado para chegarem ao lagar o mais intacto possível e o mais rápido possível. Evitar o esmagamento durante o transporte e a exposição excessiva ao calor para que não haja fermentações antecipadas do mosto nem haja fermentações a temperaturas impróprias que darão origem a vinhos de má qualidade e com tendência para “adoecerem” na vasilha.
Receção
Depois de rececionadas, as uvas são desengaçadas e esmagadas.
O processo de desengace evoluiu muito e agora os desengaçadores, na sua maioria, estão associados aos esmagadores, e um bom esmagador/desengaçador deverá retirar todo o cango sem o macerar e sem esmagar as grainhas.

Vantagens do desengace
• Permite um aumento da graduação alcoólica, uma vez que o cango contém água e não açúcar;
• Verifica-se um melhoramento a nível gustativo, pois os componentes do engaço têm gostos adstringentes, vegetais e herbáceos, permitindo assim conservar a finesse;
• Permite economizar espaço, uma vez que o engaço representa cerca de 3 a 7% da vindima em peso e 30% em volume, implicando a utilização de um menor número de cubas de fermentação, a manipulação e prensagem de menor quantidade de bagaço;
• Obtém-se ganho em cor, pelo menos no imediato, pois evita a fixação da matéria corante do engaço.
Desvantagens do desengace
• O engaço facilita a condução da fermentação, pois absorve calorias e pode evitar temperaturas excessivas uma vez que permite a entrada de ar. Geralmente, as fermentações com o engaço são mais rápidas e mais completas;
• A prensagem com o engaço torna-se mais fácil ;
• O desengace acentua as dificuldades da vinificação; não existem problemas de fermentação em vindimas não desengaçadas;
• O desengace pode aumentar a acidez da vindima, pois o engaço é pouco ácido, mas rico em potássio.
• ESMAGAMENTO

• A operação de esmagamento consiste no rompimento da película da uva, de modo a libertar polpa e sumo. O grau de esmagamento é definido pelo espaço entre rolos, e uma vez que o tipo de esmagamento exerce influencia sobre toda a vinificação, sobre a conduta da fermentação e da maceração e também sobre a qualidade do vinho que se obtém, é necessário que o mesmo seja adequado sem ser demasiado prolongado nem ser efectuado por forma a esmagar as grainhas.
• Este processo, além de proporcionar um arejamento do sumo, permite colocar em contacto o açúcar do interior da uva com as leveduras que se encontram à superfície das películas.
• O esmagamento é feito mecanicamente.






Depois de desengaçado e de esmagado o vinho branco é feito de bica aberta, isto é, as uvas não fermentam juntamente com a “manta” como acontece nos tintos.
Os bagos previamente esmagados deverão ser posteriormente prensados, operação esta que consiste na extração do sumo da uva (mosto).
Há vários tipos de prensas e estas deverão ser adquiridas em função da dimensão da exploração.


Decantação
A decantação consiste em separar duas fases, a liquida e a sólida, normalmente denominada
de borras, antes da fermentação alcoólica.
Depois de ocorrer a prensagem há em suspensão várias partículas como resto de película e
engaço, pó, entre outros resíduos.
Depois do vinho colocado na cuba de fermentação (vasilha), ocorre a sedimentação das partículas em suspensão pela ação da força da gravidade, e este processo é tanto mais rápido e eficaz quanto menor for a altura da cuba e, claro, depende também do tamanho e natureza das partículas em suspensão.


Nesta fase é importante evitar durante 12 a 24 horas que o vinho entre em fermentação pois além de impedir a decantação favorece o desenvolvimento de maus fermentos. Há, portanto, que adicionar anidrido sulforoso (SO2) sulforoso, que é um produto com um grande poder anti oxidante, um inibidor de enzimas oxidásicas, combina-se com os produtos de oxidação, estabiliza os pigmentos antociânicos, evita a ocorrência de diversos acidentes e assegura a inibição de uma larga gama de micoorganismos.
Deve ser usado com cuidado porque em excesso induz mau gosto ao vinho (ovos podres) e pode amuar a fermentação (Há legislação específica sobre as quantidades máxima que um vinho pode conter e nos rótulos faz referência que contém sulfitos).
Poderemos adicionar metabissulfito de potássio à razão de 10 a 15 g/hl ou solução sulforosa a 6% à razão de 50 ml/hl.


Há depois que realizar uma trasfega (12 a 24 horas) e adicionar leveduras para um bom desdobramento de açúcares e para que a fermentação não demore mais que o necessário, já que fermentações longas aumentam a acidez do vinho. Também nesta fase se deve adicionar taninos à razão de 10 g/Hl.
Depois do mosto entrar em fermentação, teremos que, diariamente, verificar a densidade e quando o mustímetro acusar entre 1010 e 1050, poderemos envasilhar o vinho.

Há necessidade, posteriormente de mandar analisar o vinho para ver da necessidade de adição de SO2 e outros constituintes (tartárico, cítrico…).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Informação nos Rótulos


Finalmente, e já não era sem tempo, as empresas começam a colocar nos rótulos informações que vão acompanhando as novas tendências e desenvolvimento do saber nesta área.
Quando se aplica um produto ao solo, seja ele fungicida, insecticida ou herbicida, temos o problema resolvido, pois é fácil pegar numa fita métrica e calcular áreas. O problema é quando se quer aplicar um produto a uma cultura arbórea ou arbustiva que possui determinada massa verde, pois deixamos de falar em metros quadrados de terreno e passamos a falar em metros cúbicos de massa verde, isto é, passamos de área a volume.
Acontece que ainda há muito utilizador, quando se trata de culturas arbóreas ou arbustivas, que aplica os PF sempre em função da concentração independentemente do volume de calda utilizado, ignorando a informação dada no rótulo, informação essa que tem por base a dose (quantidade de produto por hectare). Esta dose de facto refere-se a quantidade de produto por hectare mas, no caso de culturas arbustivas ou arbóreas, refere-se a quantidade de massa verde (volume) que um hectare de terreno possui (área) e isso depende do tipo de condução, da variedade, do compasso de plantação, etc.
Assim, se não é difícil realizar esse cálculo para determinar o volume de massa verde, recorrendo ao TRV (pomares - já muito utilizado na Região Oeste e em função do volume de copa assim se utiliza uma determinada concentração) ou LWA (vinhas - ainda pouco ou nada utilizado em Portugal), também não está acessível a qualquer utilizador menos informado e tecnicamente menos evoluido.
As empresas na tentativa de disponibilizarem a informação que melhor serve os interesses de todos, dão informação em função da concentração para alto volume (1000L/ha) e referem que, caso se utilize equipamentos de médio ou baixo volume (turbina ou atomizadores) a concentração deverá ser ajustada por forma a manter a dose do alto volume.
Acontece que esta informação nem sempre é bem interpretada e o aplicador utiliza concentrações de princípio a fim. Se o volume de calda se aproxima dos 1000L/ha então a dose é aplicada (bem ou mal, pois resta saber se há ou não massa verde que a suporte), caso contrário a dose fica aquém do esperado o que é particularmente problemático nos estados fenológicos de maior desenvolvimento vegetativo.
Surge então uma nova forma de informar que, se não é ainda perfeita, é um bom complemento à anterior, e só estamos à espera que os stocks dos produtos se esgotem para ver em definitivo a informação mais adequada e que melhor sirva os interesses de todos.
Como se poderá ver no exemplo extraído de um rótulo recomenda-se concentrações até determinada fase e a partir do pleno desenvolvimento vegetativo a recomendação passa a ser feita à dose o que permite menos falhas.


Estou convicto que, se todos colocarem nos rótulos tal informação as aplicações serão mais conseguidas e a eficácia vs eficiência andarão de mãos dadas com todas as implicações positivas que isso tem (ambientais, económicas e biológicas e segurança alimentar)!
Coisas há ainda a melhorar na informação que se dá no rótulo, como por exemplo o tamanho das letras e a discrepância entre as fichas de dados de segurança e o rótulo no que diz respeito às medidas de emergência em caso de acidentes, mas a seu devido tempo lá chegaremos...
Esperemos que os sinais dos tempos nos tragam tempos com outros sinais!

domingo, 17 de julho de 2011

Daniel Campelo: Emprego agrícola


O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Daniel Campelo, quer fazer com que o “mundo rural” volte a gerar emprego.
(Fonte: Correio da Manhã)

Bem, caro vizinho, a ver vamos se faz pela agricultura o que fez por Ponte de Lima, isto é, se coloca a agricultura no mapa das prioridades, da importância económica e estratégica, da empregabilidade, tal qual o fez com Ponte de Lima ao colocar esta Vila no mapa das visitas, dos jardins, das feiras e exposições..., nem que para isso tenha de fazer outra "birra" com ou sem queijos à mistura, desde que promova, apoie e desenvolva políticas sérias para o sector da agricultura e florestas, terá o meu apoio e o de milhares de Portugueses!
Ah, não se esqueça que somos vizinhos e se falhar nas suas promessas quando passar debaixo da minha janela atiro-lhe com um tomate à cabeça!
Bom trabalho...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Recolha de Embalagens Vazias de Pf´s - VALORFITO


Decorre durante o mês de Maio de 2011 o 1º período de recolha das embalagens vazias de produtos fitofarmacêuticos

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA COM TRACTORES AGRÍCOLAS

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) fez, no passado dia 16 do corrente, em Santarém, o lançamento da campanha "PREVENÇÃO DA SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA COM TRACTORES AGRÍCOLAS".
Irá ser distribuído um tríptico (que se apresenta a seguir digitalizado na íntegra) o qual alerta para os perigos e sensibiliza...






A minha opinião:
Acho bem, aliás, muito bem, que se faça esta campanha, que, segundo o que sei, irá passar nos meios de comunicação. Mais vale tarde do que nunca e desde já os meus parabéns aos mentores e aproveito para lançar o repto, a quem de direito, para que relancem a "família prudêncio", que se bem se lembram versava o tema de aplicação de produtos fitofarmacêuticos (pesticidas, à época, área essa onde também acontecem acidentes...)
Voltando ao assunto dos acidentes com tractores agrícolas, devo confessar algumas perplexidades que me assombram, a referir:
1ª - porque é que a carta de ligeiros habilita a condução de tractores agrícolas?
2ª - porque não vejo envolvidas nesta campanha todas as organizações do sector agricola?
3ª - porque é que a formação profissional em Operadores de máquinas agrícolas (antigos OMA, agora com outra terminologia e, por ventura, outra intenção) viu a carga horária ser diminuida?

Respostas:
Perplexidade nº1: porque é que a carta de ligeiros habilita a condução de tractores agrícolas?
Ora bem, pois não sei!
Não sei se isto se passa só em Portugal (?), o que sei é que em Portugal não se deveria passar. Conduzir um veículo ligeiro é a mesma coisa que conduzir um tractor, só que um tractor não deveria ser conduzido, mas sim operado. Então aí o caso muda de figura e conduzir um veículo ligeiro não é a mesma coisa que operar um tractor agrícola, o que faz toda a diferença, talvez a diferença entre a vida e a morte!
Sabiam que existem muitos "agricultores de fim de semana ou de início de reforma" que pegam num tractor pela 1ª vez e vão para os campos acidentados do minho e trás-os-montes, colocam os netos na caixa de carga e vão felizes e contentes em direcção a um destino incerto...? Esses "agricultores", logo na primeira curva ou no primeiro socalco têm uma forte probabilidade de ficarem sinalizados com uma cruz onde todos os anos se coloca lá um ramo de flores em sua memória.
Assim, a carta de condução de automovéis ligeiros (e vou mais além, a de pesados também) não deveria dar habilitação para a condução de máquinas agrícolas (já agora também para as motas, o que é outro disparate completo).
Perplexidade nº 2 - porque não vejo envolvidas nesta campanha todas as organizações do sector agricola?
Pois também não sei!
Será que é assim tão difícil reunir consensos em Portugal? Pois deve ser, e vejam o que se passa noutros quadrantes da sociedade, para arranjar uma explicação para o caso, e mais não digo....
Perplexidade nº 3 - porque é que a formação profissional em Operadores de Máquinas Agrícolas (antigos OMA, agora com outra terminologia e, por ventura, outra intenção) viu a carga horária ser diminuida?
Ora aí está uma que eu sei, eu sei esta, iupiiiiiiiii...
Os antigos cursos de Operadores de Máquinas Agrícolas (OMA) agora chamam-se Mecanização Básica e Condução de Veículos Agrícolas de Categoria III. A substituição das palavras "operadores de máquinas" pelas palavras "condução de veículos" muda tudo e faz toda a diferença. Com isto desresponsabilizou-se o operador, logo, menos responsabilidade, claro, menos horas de formação (75 horas a menos se não me engano) e tudo porque há menos dinheiro... é isso, é uma questão monetária! A vida cada vez mais... vale menos!
Seja como for, a campanha é bem vinda e poderia ir um pouco mais além, já que acidentes não passam só pela máquina "tractor", mas, sendo uma campanha da ANSR eu até compreendo!
A cada dia que passa o que se deseja é que se registem cada vez menos acidentes. Isso passa pela sensibilização, pela formação e por algumas mudanças legislativas que terão que ser transversais aos partidos e comuns à politica - a uma política de qualidade que salvaguarde o património agrícola nacional, onde as pessoas também se encaixam!
Bem haja ao projecto!
video da campanha em http://www.ansr.pt/