quarta-feira, 9 de março de 2011
Opinião..., por Domingos Veloso*
Em tempos, na minha juventude, olhava maravilhado para as caras janotas de dentes bem tratados, cabelos cuidadosamente penteados e fatos, geralmente escuros, de bom corte. As palavras saiam daquelas bocas e espalhavam sabedoria. Eu pensava... Pensava então como seriam inteligentes esses senhores... pensava eu, coitado, limitado, não iluminado... ser comum... nunca poderia aspirar a tal.
Hoje penso... penso que era tudo televisão... afinal ilusão... claro, todos esses bem falantes levaram este país ao ponto onde ele está.
Como foi possível deixar-nos chegar a este estado... como foi possível tentar criar um país moderno, atractivo para se viver sem produzir aquilo que nos faz falta... não falo de carros nem de computadores, embora reconheça a sua mais valia para a economia... neste momento estou a falar de milho, vinho, hortícolas, azeite, fruta, leite, carne ...
Os nossos governantes, hoje, falam em ajudar.. Ajudar?... Eu digo-vos, Srs Governantes, como devem ajudar:
- Eu, produtor, quero que me paguem as produções a preço justo!
Eu, produtor, quero que me ajudem a promover os meus produtos no mercado nacional, internacional. Como?... Então não era o momento exacto para lançar uma campanha publicitária, completamente transversal, apelando veementemente ao consumo do produto nacional, fazendo passar a mensagem de que o consumo dos nossos produtos podem significar um aumento, se existe, nos gastos familiares mas, comparado com o beneficios que teremos a curto prazo esse custo é irrisório.
Eu, Produtor, quero facilidades de contratação sazonal de mão de obra... a agricultura é uma actividade sazonal, ou não!!! Como é possível pagar os encargos com mão-de-obra que é necessária no Verão mas que durante os meses de Inverno não é necessária.
Eu, produtor, exijo dos governantes medidadas de defesa das nossas empresas agrícolas e agro-alimentares.
Eu, produtor, quero uma política estratégica definida - muito bem definida – capaz de orientar os empresários agrícolas e, que não mude com o ministro, lançando para o lixo os investimentos realizados até então. Uma estratégia de visão para o futuro, que projecte o país a longo prazo e não até às próximas eleições.
Eu produtor, exijo seriedade dos políticos e em toda a administração do estado.
Mas, os agricultores e/ou empresários agrícolas também têm uma tarefa importante a desempenhar na recuperação do momento actual da agricultura. Esta tarefa passa por produzir a custos caca vez mais baratos, ou seja, aproveitar os recursos de forma mais eficaz. Passa por valorizar os nossoa produtos e não os entregar a preços completamente proibitivos.
Em tempos falei com um alto quadro da grande distribuição e concluí que a grande distribuição está altamente organizada, sendo esta organização altamente especializada e profissional. Por outro lado, a montante deste negócio, a produção esta completamente desorganizada na comercialização, permitindo que a mais valia gerada no negócio raramente chegue ao produtor que é aquele que arca com a grande fatia do risco. É então urgente organizar a produção. É urgente criar uma organização transversal, que apoie e aproveite todas as estruturas existentes mas que tenha a capacidade de colocar os horticultores a falar a uma só voz, impedindo que os nossos produtos sejam concorrentes de si mesmos, fazendo desta forma que a muito bem organizada distribuição aproveite este fenómeno para fazer baixar o preço à produção.
Meus caros, reside aqui a diferença entre sorrir na agricultura ou acordar às 3 horas da manhã e não mais dormir. É obvio que temos que lutar.
Domingos Veloso
* Engº Domingos Veloso horticultor
terça-feira, 1 de março de 2011
Extra comunitários...

Recentemente foi lançado um alerta sanitário pelo RASFF (sistema de alerta rápido para alimentos)no qual alertava para a situação de tomates provenientes de marrocos terem sido encontrados em linhas de supermercados Suecos, nos quais tinham sido detectados resíduous de pesticidas de procimidona, um fungicida retirado da europa há vários anos. Também se detectaram resíduos de pesticidas (oxamilo e metamilo - também proíbidos na europa) em pimentos provenientes da Turquia!
Ora isto levanta-nos um problema (um porque afinal de contas são uma série deles...)de fiscalização (falta dela ou ineficácia da mesma) pelas autoridades competentes - estará em causa a saúde do consumidor?
Marrocos está aqui ao lado e os camiões que lá carregam entram no barco e vão direitinhos para os mercados europeus sem serem fiscalizados (parte deles, claro). Afinal de contas é tomate proveniente de produtores espanhóis, portugueses e outros, incluindo marroquinos que ao abrigo de protocolos entram na europa como que se na europa tivessem sido produzidos...
Da Turquia, com os Países de leste que entraram na comunidade, e devido à proximidade geográfica e política, o caso é semelhante...
Temos agora grandes grupos económicos que investem em todo o lado e de todo o lado importam mercadorias que chegam às nossas prateleiras!
De facto não há justiça neste mundo agrícola nem económico pois, os produtores nacionais, além de terem de cumprir regras muito mais apertadas e estarem sujeitos a uma desleal concorrência por via do preço exorbitante das matérias primas, estão também a competir com países onde a mão de obra custa por mês o valor de um almoço para 4 pessoas em Portugal ou de 1/3 de depósito de gasóleo de um qualquer automóvel...como se não bastasse, ainda se tem de competir com produtores que podem aplicar produtos fitofarmacêuticos que já não circulam na Europa!
Mete-me confusão que as grandes superfícies comerciais exijam protecção integrada aos agricultores, que cumpram as normas GLOBALGAP, certificação, etc, etc, etc e que, de repente, numa quebra qualquer da produção nacional (ou por outras razões - económicas...) importem de países onde as regras não são cumpridas (Marrocos por exemplo).
Depois fazem operações de charme o ano inteiro e o consumidor só se preocupa com o preço e com a vistosidade das coisas! E a qualidade alimentar?
Pois é... a qualidade alimentar não se vê, não se sente e não provoca danos no imediato, como tal tudo "marcha desde que bem apresentado" e nisso, bem, nisso há uns senhores que são especialistas...
O apelo e o grande objectivo desta publicação não é alarmar quem quer que seja, mas, simplesmente afirmar que a qualidade dos hortícolas produzidos em Portugal está ao mais alto nível em termos de segurança alimentar. Cabe a cada um de nós - consumidores - fazer um gesto tão simples como verificar a proveniência dos produtos e recusar os que são produzidos fora da comunidade europeia... se puderem consumir o que é português a economia nacional agradece, a segurança alimentar não é posta em causa e seremos todos muito mais felizes... vão ver!
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Faço anos...
Não vou fazer uma festa pelo facto do horticularidades ter surgido há precisamente um ano atrás, mas fico feliz por ele ainda continuar a existir. Nem sempre com a regularidade pretendida, mas existe...
O balanço de um ano de existência terá de ser feito, mas não o vou fazer, vou deixar, para não ser juíz em causa própria, que seja quem quiser. Neste ano fiz 36 publicações e tive 18800 e tal visitas, o que dá uma média de 3 publicações por mês e cerca de 52 visitas por dia... fico feliz!
Aproveito para reforçar que este blog também existe para vocês. Caso queiram enviem-me artigos para serem publicados em vosso nome que terei muito gosto em o fazer e sempre é uma forma de me ajudarem a construir um mundo agrícola melhor.. continuem também a comentar, só assim terei força para continuar.
Resta-me agradecer a todos, em especial ao meu amigo MArques, que me ajudou a construir este espaço e me deu dicas fabulosas...
Feliz natal a todos e tudo de bom, são os votos do horticularidades.
Até jáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Jorge Carvalho
domingo, 14 de novembro de 2010
BANCO DE TERRAS...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010
VALORFITO

Decorre durante o mês de Outubro de 2010 o 2ºperíodo de recolha das embalagens vazias de produtos fitofarmacêuticos
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
VINDIMAS... PARTE 3
Desde a colheita até ao engarrafamento há que preservar as qualidades potenciais da produção. Uvas, mostos e produto final não deverão sofrer alterações nas suas qualidades fisico-químicas e organolépticas.
Normas de higiene a observar:
- eliminar a presença de sujidade e eliminar os agentes patogénicos;
- utilização de recipientes inertes por forma a não adulterar as qualidades organolépticas;
- utilizar sempre água potável, se possível vapor de água, em todas as superficies e recipientes que entram em contacto com o produto vinícola.
(clique na imagem)
Há muito outro material tais como bombas, tubagens, cubas, aferidores, válvulas, etc, que merecem particular atenção. Não deveremos assumir que um único produto serve para todas as operações, pelo que em cada acto de higienização há que escolher o produto detergente ou desinfectante que melhor se adequa.
Assim, teremos em conta 4 tipos de produtos base:
água - a legislação impõe a utilização de água potável;
agentes de superfície - que servem para destacar manchas;
detergentes - solubilizam e degradam as manchas;
desinfectantes - reduzem a população microbiana temporáriamente.
Hoje o mercado oferece uma vasta gama de todos este produtos, por isso não será difícil adquirir qualquer um deles nas lojas da especialidade.
Ter o cuidado especial de nunca deixar água parada nas tubagens, bombas ou recipentes e fazer circular por estes compenentes com uma certa regularidade soluções desinfectantes.
Relativamente aos materias de metal que entram em contacto com as uvas e mosto (esmagadores, prensas, pás, ancinhos, etc), será conveniente utilizar uma tinta isolante (disponível nas lojas da especialidade) e pintar esses componentes por forma a não transmitir certos gostos ao mosto. Em alternativa, poderemos nós preparar uma mistura de goma laca (40 g) com álcool (75 ml).
Todas as vazilhas onde o mosto irá fermentar e posteriormente onde será armazenado o vinho têm de estar limpas.
Poderemos ter vasilhas de plástico, madeira, inox e cimento.
É necessário eliminar o tártaro que se vai depositando nas paredes das vasilhas. Esta operação pode ser feita todos os anos ou a intervalos de 2 a 3 anos (usada nas cubas de betão). Nas cubas inox será feita em cada nova utilização da mesma.
As vasilhas deverão depois de limpas serem bem secas e em caso de vasilhas de madeira será conveniente mechar, isto é, queimar enxofre em pó dentro das mesmas, para eliminar fungos causadores de bolores.
Quando as vasilhas são novas será conveniente lavá-las antes de cada utilização com o recurso ao tratamento pelo sal ou pela cal viva.
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(clique na imagem)Assim, com estes cuidados básicos de higiene nas adegas e lagares e com todos os materiais que irão entrar em contacto com a matéria prima, mosto e vinho, poderemos ter a certeza que o nosso produto final não será adulterado e a sua qualidade, para além das apuradas técnicas de vinificação, estará relacionada de forma intrínseca com a qualidade das uvas, e nada mais.
Boas vindimas!
imagens do livro ABC da Vinificação


