sexta-feira, 16 de abril de 2010

O QUE SOU AFINAL?

A horticultura é a disciplina científica que estuda as técnicas de produção económica de plantas.
Abrange sub-disciplinas como:
• Fruticultura - que estuda a produção de fruteiras;
• Floricultura - que estuda a produção de flores ornamentais ou de uso terapêutico;
• Olericultura - que estuda a produção de hortaliças;
• Silvicultura - que estuda a produção de árvores para diversos fins.
• Paisagismo - que planeja os desenhos, zoneamento, e dinâmica em parques e jardins
Algumas destas sub-disciplinas ainda se subdividem em especialidades, como a citricultura, que estuda a produção de citrinos ou a viticultura, virada para a vinha.
A Olericultura é a área da horticultura que abrange a exploração de hortaliças e que engloba culturas folhosas, raízes, bolbos, tubérculos, frutos diversos e partes comestíveis de plantas.
Estas duas designações supra-referidas são retiradas da Wikipédia. Ora, se a wikipédia não é fiável a 100%, então teremos que rebuscar em outras fontes de informação. Foi o que eu fiz!
No dicionário da Porto Editora numa edição para as Selecções do Reader´s Digest (fiáveis, portanto), o termo olericultura nem sequer é mencionado e o de horticultura refere o seguinte: arte de cultivar plantas hortenses.
Posto isto, fui ver o que significava plantas hortenses e, segundo a mesma fonte, são plantas provenientes da horta e, por sua vez Horta é um terreno onde se plantam hortaliças e legumes.
Consultando o site da Associação Portuguesa de Horticultura diz: “ a Horticultura é entendida no sentido abrangente, incluindo a Fruticultura, Viticultura, Olivicultura, Horticultura Herbácea ou Olericultura (com as plantas aromáticas e medicinais e os produtos horto-industriais) e Horticultura Ornamental (Ambiental).
Baralhados?
Ora, eu como Horticultor, fico deverás baralhado pois não me sinto fruticultor, Olivicultor nem Viticultor… serei um horticultor herbáceo? Se sim, então sou um Olericultor!
Fui mais além!
Pesquisando exaustivamente encontrei informação do Professor Domingos Almeida num trabalho com o título (De oleribus. Argumentos a favor da utilização do termo “olericultura”Secção Autónoma de Ciências Agrárias
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto)
Deste trabalho apenas faço “copy/paste de parte inicial e da conclusão. A totalidade do trabalho poderá ser vista em http://dalmeida.com/hortnet/apontamentos/olericultura.pdf, cá vai:
“Horticultura, no significado internacional do termo, engloba as fitotecnias em que as
culturas são conduzidas com grande intensidade de actuação fitotécnica, justificada
pelo elevado valor acrescentado dos seus produtos. A discussão sobre os termos
adequados para designar as disciplinas hortícolas não é nova, nem se esgota neste
ensaio, onde procurarei mostrar que a utilização do termo “olericultura”:
1) é etimologicamente adequada;
2) contribui para a uniformização e clarificação da terminologia;
3) possui justificação histórico-linguística.

Em conclusão
Parece-me, pois, que a utilização do termo olericultura tem justificação etimológica,
legitimidade histórico-linguística, e permite traduzir com clareza e economia de
palavras o conceito técnico-científico que lhe é dado na Associação Portuguesa de
Horticultura. A sua vulgarização no discurso técnico-científico na nossa versão da
língua portuguesa, à semelhança do que se passa no Brasil, seria útil para clarificar o
objecto de estudo, evitando confusões, duplicações e indefinições de terminologia. É
mais claro, preciso e económico utilizar a palavra “Olericultura” do que a expressão
“Horticultura Herbácea Alimentar” ou estar constantemente a especificar o termo
Horticultura utilizando as expressões “sentido lato” ou “ sentido restrito”. Insistir na
tradicional acepção que o termo Horticultura possui em Portugal, referindo-se apenas
a um dos grupos de culturas do hortus romano, ignorando o significado internacional
que é perfilhado pela Associação Portuguesa de Horticultura, é contribuir para
dificultar a comunicação com o público de não-especialistas, no qual se incluem os
estudantes de Ciências Hortícolas e o público em geral.”


Bom, assim sendo, este blog como trata de assuntos diversos (fruticultura, viticultura, Olericultura...) é sem dúvida um blog sobre horticultura e eu, a partir de hoje, com muito orgulho, passo a ser um… Olericultor!

segunda-feira, 29 de março de 2010

INEVITABILIDADE...



É uma inevitabilidade e não adianta muito perder tempo com contemplações do foro filosófico!
Se perscrutarmos pelos infindáveis labirintos da blogosfera, por certo, encontraremos milhares de artigos contra e outros tantos a favor dos OGM (Organismos Geneticamente Modificados) - é um facto!
Em quem acreditaremos? Pois não sei, apenas sei que a polémica está ao rubro e cada vez mais as empresas multinacionais (BASF, MONSANTO...) apresentam produtos GM (geneticamente modificados) e cada vez mais as autoridades corroboram e dão pareceres favoráveis, daí o título deste artigo.
Agora a União Europeia autorizou uma batata GM - Amflora - que poderá ser utilizada na indústria da celulose ou na alimentação animal.
"Após uma revisão completa e minuciosa de cinco casos de OGM que estava esperando, eu senti claramente que não novas questões científicas devem ser analisados como antes. Todas as questões científicas, especialmente em questões de segurança, têm sido objecto de rigorosa análise ", Disse John Dalli, Comissária para a Saúde e Consumidor da CE.
No entanto, apesar da aprovação da CE sobre os OGM, as organizações ambientais, como a Amigos da Terra, CECU, COAG, Greenpeace denunciou hoje a autorização do cultivo de batatas, que contém um gene que o torna resistente a certas antibióticos, e pediram a proibição do cultivo na Europa.
ONGs alertam que essa cultura é "Um risco inaceitável para a saúde dos seres humanos, animais e do ambiente". Uma vez que a Organização Mundial da Saúde e da Agência Europeia de Medicamentos também alertou para a importância de antibióticos afetados pela batata Amflora porque a presença dos campos de batata poderia aumentar a resistência de determinadas bactérias aos antibióticos em tratamentos para a essencial tuberculose.

Ora, andamos nós no meio do diz que diz e ficamos cada vez mais confusos no emaranhado de informação...
Não é bom que a confusão se generalize porque poderemos estar a ser injustos com quem quer que seja se tomarmos partido por um dos lados da barricada, e enquanto agricultor quero de facto que me coloquem ao dispor variedades produtivas, resistentes a certas pragas e doenças com os consequentes ganhos em termos de competitividade e ganhos ambientais pela redução de aplicação de produtos fitofarmacêuticos. Como consumidor quero ser esclarecido dos reais malefícios...
O que não quero é ser mais um "mal informado", pois sou produtor e quero agir em cosnciência.
Também sei que não vou ser esclarecido tão cedo, o que quero, e exijo, é que a rotulagem dos bens de consumo seja obrigatória, clara e inequívoca, para que o consumidor possa, na prateleira do supermercado, fazer a sua escolha - essa será a melhor forma de os fomentar ou abolir de vez, pois o que não se vende não se cultiva!
fontes: site phytoma, site tsf
Nota: barra lateral do blog uma reportagem da tsf sobre o tema

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Feira Anual da Trofa 2010




A Câmara Municipal da Trofa e a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado promovem mais uma edição da Feira Anual da Trofa de 4 a 7 de Março. Esta tradição remonta a 1946 e é considerada, actualmente, um marco das feiras agro-pecuárias, a nível nacional.
A Feira realiza-se, este ano, de 4 a 7 de Março (quinta a domingo), e espera-se que supere as expectativas e eleve o número de visitantes, que o ano passado chegou aos 100 mil. Este certame cria, assim, anualmente, um evento profissional de referência em Portugal e pretende alargar gradualmente, a sua influência a toda a península ibérica, garantindo uma forte representação de todas as actividades que directa ou indirectamente estão ligadas à agro-pecuária, nomeadamente na área das últimas novidades em Equipamentos e Acessórios de Maquinaria Agrícola.
Como é habitual, a Feira Anual da Trofa, reúne um conjunto alargado de actividades e eventos, que seguramente justificam a visita de curiosos e aficionados. Este ano, os visitantes podem contar com vários concursos e jogos. Realizar-se-á o Campeonato Regional do Norte de Equitação do trabalho e as Cavalhadas. Além disso, depois das normais apresentações de Garranos e Coudelarias, haverá a tradicional Garraiada.
Esta edição de 2010 conta também com o Concurso de Modelo e Andamentos (Macho e Fêmea), o Campeonato de Horseball e o Desfile e a Gala da Confraria. A Feira Anual da Trofa vai contar também com o tradicional Horse-Paper e o Derby de Atrelagem. As Actividades Equestres contam com a organização da Confraria do Cavalo que colabora assim, na edição 2010 da Feira Anual da Trofa, ao lado da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado.
Paralelamente, não irão faltar os Concursos Pecuários das Raças: Holstein Frísia, Minhota, Barrosã e Arouquesa, e o Concurso de Preparadores e Manejadores da Raça Holstein Frísia. A Feira Anual da Trofa, de 2010, contará, igualmente, com vários momentos musicais.
A Câmara Municipal da Trofa e a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado apostam na melhoria contínua deste evento tão característico do Concelho, como forma de promoção ao Turismo, já que o acontecimento atrai inúmeros visitantes de outras cidades e países.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Agro - Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação


O Parque de Exposições de Braga vai ser palco, entre 11 e 14 de Março de 2010, da 43.ª edição da AGRO - Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação. O certame, que ao longo de mais de 40 anos tem ocupado um papel de enorme relevo na promoção e divulgação de produtos e equipamentos de e para a agro-pecuária. Este ano alargaremos para um conceito mais abrangente de promoção da «Economia Rural» , criando uma nova e importante janela de oportunidades neste segmento de negócios.Na próxima edição da AGRO ambicionamos apoiar as fileiras mais representativas do sector agrário, quer através da aposta no reforço de divulgação do certame com o consequente aumento do número de visitantes/compradores quer ainda no contributo para a qualificação dos profissionais agrícolas.As jornadas paralelas constituirão, pois, importantes acções de valorização profissional e, nessa medida, uma mais-valia que a AGRO pode oferecer a todos os participantes, em particular todos quantos exercem a sua actividade profissional no âmbito da economia rural.Finalmente, o certame é complementado com a realização, em simultâneo, dos Salões do Vinho e de Utilidades, cada um desempenhando o papel que lhe cabe na promoção e divulgação da riqueza que se produz no mundo rural. É neste ambiente característico e bem popular que a AGRO 2010 se desenrola, sendo certo que este certame tem na sua longevidade uma das garantias da sua relevância enquanto montra da agricultura portuguesa.
texto e foto extraidos de www.peb.pt

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Boas Notícias...


"Foi publicado no Diário da República n.º 2, Série II, o Despacho n.º 47/2010 que institui um apoio financeiro, que tem por objectivo compensar os agricultores pelo custo da energia (electricidade) utilizada nas actividades de produção agrícola e pecuária no ano de 2010.
O apoio financeiro aplica-se no território continental e tem por objecto, exclusivamente, a energia utilizada na produção agrícola e pecuária, num período de 12 meses, cujo início ocorrerá até 31 de Maio de 2010.
Podem beneficiar deste apoio os agricultores cuja actividade se inclua numa das descritas nos grupos 011 a 015 da secção A, divisão 01 das CAE Rev. 3, aprovadas pelo Decreto-Lei n.º 381/2007, de 14 de Novembro.
O prazo de candidatura será definido através do Despacho do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas para apresentação do Pedido Único."
(Texto extraído integralmente do site do MADRP).

Este apoio é de 20% sobre a factura da electricidade, desde que se comprove que o contador serve única e exclusivamente o uso agrícola, pelo que, em casos que o contador seja o mesmo que serve as habitações o agricultor não beneficiará de qualquer tipo de ajuda.
Esta medida só peca por tardia e vem repor uma injustiça cometida pelo anterior executivo.
Outra boa notícia é que Bruxelas autorizou que as ajudas aos agricultores do Oeste sejam comparticipadas até 75% a fundo perdido.
Estas duas notícias são uma réstea de esperança no negro figurino da agricultura Portuguesa, como tal, o Horticularidades congratula-se com as medidas e com as atitudes deste Ministro que, a continuar assim, vai no bom caminho!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

E tudo o vento levou....

Que imagem é esta?
Nada e tudo!
É com esta ambiguidade que o governo e os partidos da oposição encaram a agricultura nacional e é com a mesma desfaçatez que prometem tudo e não dão nada; que nada falam e que tudo dizem...
Esta imagem, mais do que a imagem de destruição provocada pelo temporal na Região do Oeste, é a imagem de um País falido de ideias, de linhas orientadoras e estruturantes e de políticas sérias e a sério - é Portugal!
A agricultura Portuguesa tem andado nas mãos de incompetentes e gabarolas de alta postura e elegante presença em corredores de Bruxelas e outras agremiações de coisa nenhuma, pagas com o nosso dinheiro, feitas para nós...
A agricultura Portuguesa (cerca de 275 000 explorações) deveria merecer mais respeito porque afinal emprega pessoas, contribui para o PIB, e alimenta pessoas, inclusivée os deputados, ministros, secretários, assessores e outros tantos marajás que sumptuosamente se exibem nas ruas da nossa desgraça!
O que aconteceu na Região do Oeste a Agricultores e Suínicultores poderia ter acontecido à Auto-europa, ao Palácio de Belém, a S. Bento ou à sede do Banco de Portugal, ou até mesmo à "Quintinha do Ministro ou ao Monte Alentejano do Secretário de Estado", mas não, aconteceu ao Zé, ao Manel, ao João... aconteceu a pessoas com nome, com rosto, com compromissos com a banca, com funcionários...
Pois, de facto, o que se passou é obra do S. Pedro, mas o que se poderá fazer para amainar a ira do mesmo já pode ser obra de S. Bento!
Há pessoas que nunca mais se vão endireitar, pessoas a quem "Tudo o Vento Levou", pessoas que jamais se "Erguerão do Chão", pessoas com "Todos os Nomes"...
Pior do que a intempérie é a forma de resolução dos problemas, e isso, nem o Governo nem as oposições querem fazer, pois "falam, falam e não os vejo a fazer nada..."
Sabem quanto custa um hectare de estufas danificado? Não sabem, pois não! Eu digo:- 10 a 12 euros por metro quadrado, e, pelos vistos, o vento levou 600 hectares nas garras da sua fúria!
Que ajudas? PRODER? ahhhhhhhhhhhhhhhh, deixem-me rir! Este quadro comunitário (2007 a 2013), está a 3 anos do fim e ainda mal começou!
50% a fundo perdido? E o resto? Ahhhhhhhhhhhhhh, deixem-me agora chorar. Se os agricultores não têm dinheiro como pagam esse emprétismo mesmo que com juros baixos, mesmo que com juros a zero?
Seguradoras? Ora aí está! Façam um périplo pelas mesmas e falem em contratar seguros para estruturas agrícolas (estufas) e depois digam alguma coisa por favor. Aí sim, era mais proveitoso a intervenção do estado para beneficiar seguros a sério a preços sérios, em vez de promessas e medidas que só levarão a um endividamento maior... pois, mas se fossemos banqueiros corruptos, já éramos intervencionados em nome de....(?) (pois, já nem sei em nome de quê!)
Bom, apenas um desabafo, até porque este blog também pode ser feito disso!
Aos meus colegas Agricultores que foram afectados pela contraiedade climática um bem haja e um abraço carregado de força, estimulo e perseverança, sem nós este país ainda seria bem pior...!
foto: web