quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

E tudo o vento levou....

Que imagem é esta?
Nada e tudo!
É com esta ambiguidade que o governo e os partidos da oposição encaram a agricultura nacional e é com a mesma desfaçatez que prometem tudo e não dão nada; que nada falam e que tudo dizem...
Esta imagem, mais do que a imagem de destruição provocada pelo temporal na Região do Oeste, é a imagem de um País falido de ideias, de linhas orientadoras e estruturantes e de políticas sérias e a sério - é Portugal!
A agricultura Portuguesa tem andado nas mãos de incompetentes e gabarolas de alta postura e elegante presença em corredores de Bruxelas e outras agremiações de coisa nenhuma, pagas com o nosso dinheiro, feitas para nós...
A agricultura Portuguesa (cerca de 275 000 explorações) deveria merecer mais respeito porque afinal emprega pessoas, contribui para o PIB, e alimenta pessoas, inclusivée os deputados, ministros, secretários, assessores e outros tantos marajás que sumptuosamente se exibem nas ruas da nossa desgraça!
O que aconteceu na Região do Oeste a Agricultores e Suínicultores poderia ter acontecido à Auto-europa, ao Palácio de Belém, a S. Bento ou à sede do Banco de Portugal, ou até mesmo à "Quintinha do Ministro ou ao Monte Alentejano do Secretário de Estado", mas não, aconteceu ao Zé, ao Manel, ao João... aconteceu a pessoas com nome, com rosto, com compromissos com a banca, com funcionários...
Pois, de facto, o que se passou é obra do S. Pedro, mas o que se poderá fazer para amainar a ira do mesmo já pode ser obra de S. Bento!
Há pessoas que nunca mais se vão endireitar, pessoas a quem "Tudo o Vento Levou", pessoas que jamais se "Erguerão do Chão", pessoas com "Todos os Nomes"...
Pior do que a intempérie é a forma de resolução dos problemas, e isso, nem o Governo nem as oposições querem fazer, pois "falam, falam e não os vejo a fazer nada..."
Sabem quanto custa um hectare de estufas danificado? Não sabem, pois não! Eu digo:- 10 a 12 euros por metro quadrado, e, pelos vistos, o vento levou 600 hectares nas garras da sua fúria!
Que ajudas? PRODER? ahhhhhhhhhhhhhhhh, deixem-me rir! Este quadro comunitário (2007 a 2013), está a 3 anos do fim e ainda mal começou!
50% a fundo perdido? E o resto? Ahhhhhhhhhhhhhh, deixem-me agora chorar. Se os agricultores não têm dinheiro como pagam esse emprétismo mesmo que com juros baixos, mesmo que com juros a zero?
Seguradoras? Ora aí está! Façam um périplo pelas mesmas e falem em contratar seguros para estruturas agrícolas (estufas) e depois digam alguma coisa por favor. Aí sim, era mais proveitoso a intervenção do estado para beneficiar seguros a sério a preços sérios, em vez de promessas e medidas que só levarão a um endividamento maior... pois, mas se fossemos banqueiros corruptos, já éramos intervencionados em nome de....(?) (pois, já nem sei em nome de quê!)
Bom, apenas um desabafo, até porque este blog também pode ser feito disso!
Aos meus colegas Agricultores que foram afectados pela contraiedade climática um bem haja e um abraço carregado de força, estimulo e perseverança, sem nós este país ainda seria bem pior...!
foto: web

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quem não tem cão...

Se não é com vinagre que se apanham moscas, também não é virando costas ao que acontece à nossa volta que iremos mais além...



Na Califórnia, Kit, uma cadela da raça Golden Retriever, é utilizada para o combate às cochonilhas, pois com o seu faro consegue detectar esta praga que ataca as videiras nesta região do globo. Ao passear-se pela vinha, esta cadela com capacidade para detectar odores diluídos na razão de 1,6 por mil milhões, pára diante das videiras nas quais detecta a cochonilha (Planococcus ficus) e desata a ladrar. O seu terinador, Rick, aproxima-se e sinaliza a videira para posterior intervenção por parte do responsável pela exploração... é o que se chama em Protecção integrada a "estimativa do risco", só que feita por uma cadela em vez de ser por um... ser humano!


Foto: revista do cão
Foto (Fonte: Google imagens) - Planococcus ficus
A cochonilha acarreta prejuízos elevados já que além de ser transmissora de vírus é também a precursora de uma doença denominada por fumagina.
Até então o treino que se dava a esta raça de cães visava sobretudo a assistência a pessoas com deficiência, mas a viticultora Sara Lee Kunde deu a ideia deste tipo de utilização...
Assim, bem haja às pessoas com ideias brilhantes e sucessos enormes para a Kit e seus sucessores... bem vindos ao mundo agrícola!

Outras fontes bibliográficas, revista SULCO 3.2009
Outras fontes bibliográficas, revista SULCO 3.2009utras fontes bibliográficas, revista SULCO 3.2009Outras fontes bibliográficas, revista SULCO 3.2009Outras fontes bibliográficas, revista SULCO 3.2009




sábado, 31 de outubro de 2009

Novo ministro Agricultura vai falar com responsáveis do sector

O novo ministro da Agricultura, António Serrano, afirmou hoje que a primeira medida que vai tomar é "falar com os sectores, os interlocutores e os responsáveis políticos" da área que vai tutelar para fazer um "diagnóstico".
"O trabalho não me assusta, mas vou ter um trabalho complexo pela frente", disse o novo ministro em declarações aos jornalistas após ter tomado posse, juntamente com o restante executivo do XVIII Governo Constitucional.
"Há um conjunto de problemas em cima da mesa para resolver que são sobejamente conhecidos de todos", declarou, sem especificar a que problemas se referia.
Escusando-se a comentar o trabalho do seu antecessor, Jaime Silva - o único ministro do governo anterior que não compareceu na tomada de posse -, António Serrano, de 44 anos, disse que "a primeira coisa a fazer é um diagnóstico e depois olhar para a frente".
Diário Digital / Lusa

Não é este um espaço político, mas não deixa também de ser um espaço de políticas e uma das políticas deste blog é dar os parabéns a quem bem faz a um sector estratégico como o nosso(deveria pelo menos...) e, nesse particular, desejo ao novo ministro uma boa legislatura.
Pelas declarações do próprio, pelo menos há vontade de diálogo, vontade de se inteirar dos problemas, coisa que o seu predecessor nunca fez por petulância e por total incompetência!
Que fale então com as pessoas certas, que não esmoreça e que se rodeia de bons assessores...
assim, Sr Ministro - BOM TRABALHO!!!! (não se esqueça que 274 563 explorações agrícolas estão de olho em si... e este blog também)!

sábado, 12 de setembro de 2009

VINDIMAS... PARTE 2

A determinação da época de vindima tem a ver com o vinho que pretendemos elaborar, da forma como decorreu o ano em termos climáticos, da casta, altitude da vinha, etc. Nos vinhos verdes há um ditado: "vinho verde de uvas maduras"... assim, como saberemos qual a época mais adequada para começar a vindimar? Será que é a vinte de Setembro, a dez do mesmo mês, em Agosto, ou será em Outubro? Se calhar é quando o bago muda de cor, ou quando outros começam a apodrecer...?????
A constituição do bago é complexa, pois são inúmeras as substâncias químicas que o compõem tais como taninos, óleo, água, açúcar, substâncias corantes, substâncias ácidas (ácido tartárico, ác. málico,...) substâncias aromáticas...
Resumindo, poderemos afirmar que o bago caminha para a maturidade à medida que vai ganhando açúcares e perdendo acidez, e é esta relação entre ambos os factores que nós dá a época ideal da vindima.
Como se determina então?
Recorre-se ou a métodos empíricos, sempre falíveis e nada rigorosos pois consistem em ir ao campo e recolher bagos (100 por exemplo) de forma sistemática e ir pesando. Quando o peso dos 100 bagos não aumentar ou até diminuir, então a uvas não ganham mais açúcares e só perdem qualidade - é a época da vindima!
Ora, como se depreende, este método não nós dá a acidez que é parâmetro fundamental. Assim, poderemos recorrer a processos mais científicos e rigorosos, e ao mesmo tempo simples, que a seguir se descrevem.
1º - quatro semanas antes da época normal das vindimas, recolhe-se de forma casual e a intervalos regulares, sempre na mesma unidade de amostragem, em cepas bem estabelecidas, dez cachos médios. As primeiras duas colheitas devem realizar-se uma vez por semana e as seguintes duas vezes por semana. Após o esmagamento completo e homogeneização da amostra, porceder-se-á à análise dos açúcares e da acidez. A análise dos açúcares faz-se por refractometria (fig 1) ou por densimetria (fig 2) e da acidez por acidimetria (fig 3)



fig 1: refratometro (Google imagens) fig 2- Imagem: ABC da vinificação (Moreira da Fonseca)
fig 3- Imagem: ABC da vinificação (Moreira da Fonseca)

Os resultados registam-se num gráfico em que nas abcissas registamos o tempo e nas ordenadas a acidez, o açúcar e a relação entre açúcar e acidez. Admite-se que quando o valor desta relação se situa entre os 35 e 45 a qualidade da vindima é excelente.


imagem: Enologia, Técnica de produção de vinhos (Colette Navarre)

Bom, desta forma fácil já poderemos vindimar quando o estado das uvas o permitirem e não em função de hábitos antigos que por vezes não são os melhores pois as condições climatéricas, as castas, as condições culturais dos vinhedos hoje não são os de outrora.
Bem haja e, bom S. Miguel!
Foto: refratometro web site














sábado, 5 de setembro de 2009

VINDIMAS


Estão aí...!

É necessário obeservar alguns requisitos antes de começar a meter as uvas no lagar, isto para que, independentemente do ano, se consiga tirar o melhor partido da materia prima.
Por esse país fora, os cestos vão e vêm numa azáfama sem igual e as cantorias ecoam desde o minho, passando pelo Douro até ao mais pequeno recôndito sítio onde haja uma videira.

Já lá vai o tempo em que o vinho era o que "Deus" quisesse. Nos dias de hoje os enólogos assumem um papel crucial no correcto manuseamento da matéria prima é não é fácil ao cosumidor comum perceber o que está a beber, pois o número de castas é tanto e podem ser tratadas de diversas formas consoante o partido que se quer tirar delas (mais ou menos madeira, mais frutado, mais isto, mais aquilo...), que por vezes a confusão instala-se em nossas cabeças.

Pelo nosso portugal abundam castas sem fim e por vezes a mesma casta assume nomes diferentes dependendo da região onde se encontra instalada, pelo que, a seguir, e numa primeira abordagem às vindimas, revela-se uma listagem do IVV com as castas e os seus sinónimos.
Boas vindimas!