quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Mosca Oriental da Fruta...
domingo, 3 de maio de 2015
Podridão Cinzenta em Mirtilos ...
A cultura do mirtilo não foge à regra e, particularmente este ano, devido à instabilidade das condições meteorológicas, temos tido ataques significativos que incidem mais numas cultivares que outras. Daí, a seleção das cultivares ser um fator de decisão importante, que, para quem já tem pomares instalados tem de conviver com as escolhas que fez e com a sensibilidade maior ou menor a esta doença. Também os terrenos encharcados e de fraca drenagem atmosférica são particularmente factores que favorecem o desenvolvimento da doença.
"Chorar sobre o leite derramado" não nos leva a lado algum. Temos por isso de viver com as boas ou más opções que fizemos e, doravante, percorrer o melhor caminho tomando atitudes que minimizem o problema e conduzam a cultura a bom porto.
Ciclo de vida
O fungo passa o inverno nas varas vivas e/ou em restos de cultura no solo (lenha de poda, folhas), sob a forma de esclerotos (órgãos de de conservação do fungo que asseguram a sua sobrevivência) e micélio..
Na Primavera, quando as condições climáticas são favoráveis (chuva e temperatura), os esclerotos e o micélio dão origem aos conidiósforos portadores de conídios, que são libertados pelo choque com as gotas de água e são disseminados pelo vento e pela chuva, contaminando os órgãos verdes da planta, se estes estiverem molhados pelo menos durante 15 horas. A germinação dos conídios dá-se na presença de água ou de elevados teores de humidade relativa (> 90%), tendo como temperatura óptima entre os 15ºC e os 20ºC. Em alguns anos de Primavera chuvosa, os ataques de botritis podem ser muito graves e originar perdas elevadas, como é o caso deste ano.
Sintomatologia
Necrose das flores, sobre as quais poderá ser visível o micélio do fungo, de cor cinzenta escura. As flores permanecem agarradas à planta, constituindo inoculo para infecção dos frutos e crescimentos jovens.
Os frutos ficam necrosados, com aspecto engelhado, cobrindo-se de micélio e esporos.
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper) Foto: Jorge Carvalho (Cv. duke)
Os sintomas poderão manifestar-se no campo, ou apenas em armazenamento, caso a infecção se mantenha latente.
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
Se aliado a estes factores de risco naturais (chuva e temperatura) as práticas culturais não forem as adequadas, então os estragos podem passar a prejuízo. Assim, a condução da cultura é um dos factores mais importantes para minimizar a incidência do fungo.
Realizar podas adequadas que promovam um bom arejamento da copa da planta bem como realizar fertilizações equilibradas que não estimulem em demasia o desenvolvimento viçoso da massa foliar, são por certo atitudes e comportamentos a ter para que o fungo seja um mal menor e não um agente catastrófico.
De salientar que a botritis é uma doença que vai muito para além do que os nossos olhos veem, pois, como se trata de um fungo que têm uma capacidade incrível de permanecer no estado de latência, grande parte das vezes ele manifesta-se em pós colheita.
Como há duas subespécies a B. vacuma e B. transposa, parece estarem presentes as duas, mas, de forma mais predominante a B. vacuma que se desenvolve como saprófita, contrariamente ao que se passa em outras bagas (vinha, p.e.) onde a B. transposa está mais presente e desenvolve ação parasitária (Bugaret).
Meios de Luta
Luta Cultural:
- Podas que promovam o arejamento da copa da planta e fertilizações racionais, principalmente as que contemplam o nutriente azoto;
- Eliminação de restos de cultura (lenhas de poda);
- Controlar Drosophila suzukii;
- nunca colher em dias de chuva e colocar o fruto no frio logo após a colheita .
Luta Biológica:
- o uso de determinados microorganismos antagonistas ( Trichoderma spp.) tem sido utilizados bem como algumas leveduras (Bacillus subtilis).
Luta Química:
A luta química prende-se com o uso de substâncias ativas homologados para o efeito. Salienta-se o fato de em Portugal estas substâncias ativas estarem homologadas ao abrigo de uma figura denominada "Usos menores" e apenas três marcas comerciais podem ser utilizadas para o efeito que contêm as seguintes substâncias ativas:
- boscalide+piraclostrobina (p.c. Signum)
- fenehexamida (p.c. Teldor)
- pirimetanil (p.c. Scala)
É importante realçar que os princípios da proteção integrada deverão ser aplicados por quem utiliza os produtos fitofarmacêuticos e todas os outros meios de luta diretos e indiretos deverão ser adoptados para que, de forma integrada, possamos diminuir o inócuo e assim as infeções.
A B. cinerea desenvolve resistências com muita facilidade (a resistência ao benomil já em 1960 é o paradigma) pois o fungo não apresenta um ciclo sexual o que faz com que seja um fungo de ciclo curto e com grande capacidade para mutações (Carvajal). A cada ciclo formam-se uma quantidade enorme de conídeos onde podem ocorrer mutações, que, se existir um mau programa de tratamentos, a cada ciclo pode ocorrer uma mutação que leve a uma resistência provocada pela aplicação do fungicida - designada "pressão de seleção".
Assim, ficam aqui algumas regras básicas para que a eficácia seja potenciada:
1- Histórico da parcela
- Esta é a parte pior pois para termos um histórico é necessário ter dados acumulados de alguns anos.
No caso particular das explorações que acompanho, não me posso dar ao luxo de fazer futurologia. Resta-me, tal como aos demais, observar, registar e meditar... (isso requer algum tempo).
2- calibrar e regular adequadamente o pulverizador
- há estudos que demonstram que a eficácia de uma pulverização está relacionada em 40% com o produto e 60% com a aplicação do mesmo no que diz respeito ao material e técnica de aplicação (pulverizar é uma coisa, despejar pulverizadores é outra...);
3- alternância de produtos
- Nunca aplicar mais que uma vez a mesma família química por parcela e por campanha.
4- posicionamento dos produtos
- no período floral e em precolheita
5- Técnica de aplicação
- Aplicações assistidas por ar serão as que melhor servirão os nossos propósitos. Na floração ter cuidado especial com as correntes de ar formadas, reduzindo cerca de 80% a admissão de ar da turbina.
Aplicações em todas as faces da linha e, em precolheita, dirigir o tratamento para os frutos.
Por último e tratando-se de produtos fitofarmacêuticos, ler sempre o rótulo com muita atenção pois nele estão contidas informações importantes relativamente às doses, modo de preparação da calda, destino a dar as embalagens vazias, equipamento de proteção individual a utilizar e intevalo de segurança, entre outras.
A lei 26/2013 de 11 de abril, impõe também a obrigatoriedade de realizar os registos de aplicação que terão que ser mantidos durante pelo menos 3 anos.
Vejo muitas vezes pegar no particular e fazer uma generalização, que neste caso nunca se poderá aplicar. Ainda não termos uma conhecimento aprofundado relativamente ao binómio doença/cultura, ao contrário do que acontece na vinha e hortícolas, o que não nos permite para já afirmar que esta ou aquela cultivar é mais sensível e este fungo. Conhecemos bem o fungo, conhecemos os prejuízos que causa em outras culturas e fazemos extrapolações sem rigor científico, apenas isso.
O tempo que se avizinha prevê-se instável pelo que a visita bisemanal à parcela é importante para observar a evolução da situação, pois só assim poderemos ficar com um conhecimento mais profundo do que se passa ao nível da parcela - da nossa parcela - e, no ano seguinte, na presença de condições climatéricas semelhantes poderemos tirar conclusões semelhantes.
O caminho faz-se caminhando!
Bem haja!
domingo, 19 de abril de 2015
Jornadas Técnicas Início de Campanha 2015... EVAG
O Workshop teve a intervenção de reconhecidos especialistas que abordaram temas interessantes dos quais se destacam:
João Garrido/EVAG - Análise do estado atual da vinha na EVAG
- A EVAG tem uma coleção ampelográfica que permite fazer com rigor uma avaliação do estado atual da vinha na Região dos Vinhos Verdes. À data temos castas em que o estado fenológico mais adiantado são os cachos separados (G) e outras ainda muito atrasadas em relação a outros anos.
No ano de 2014, em todas as castas, o abrolhamento ocorreu em Março e, este ano, o abrolhamento da maior parte delas ocorreu em Abril, o que significa um atraso. Este atraso reflete-se em 14 dias relativamente ao ano de 2014 e de 8 dias relativamente à média dos últimos oito anos. Este atraso relativo está directamente relacionado com as temperatura médias que se fazem sentir a partir de 1 de janeiro, o que poderá levar também ao atraso das primeiras intervenções fitossanitárias, mas não é indicador de forma alguma de como decorrerá o resto do desenvolvimento do ciclo cultural da videira, pois este e nomeadamente as maturações, dependem das condições climatéricas que se fizerem sentir após os vingamentos.
Joaquim Guerner/DRAPN - Alerta para os principais problemas fitossanitários de 2015
- Fez uma abordagem aos principais problemas ocorridos no ano anterior, dos quais destacou a flavescência dourada, a drosófila e a podridão acética, para além do míldio, claro, que na Região dos Vinhos Verdes é o "pão nosso de cada dia".
Sem querer fazer futurologia até porque não tem a bola de cristal (palavras do interveniente), destacou e alertou para os problemas que podem vir a ser os ácaros, devido ao desequilíbrio no ecossistema que poderão causar as aplicações desenfreadas e pouco selectivas de insecticidas para o controlo do vetor da flavescência (Scaphoideus titanus Ball.) . Usa-se e abusa-se dos piretróides e sabe-se bem o desequilíbrio que esses mesmos insecticidas provocam a nível da fauna auxiliar, nomeadamente na população de fitoseídeos.
A Drosophila suzukii (Matsumura) é também um problema nas vinhas com uma diferença relativamente a outras drosófilas, é que a D. suzukii não precisa que haja feridas na parede celular para realizar as posturas, ao contrário das outras, o que a torna uma praga extremamente agressiva e com consequências que podem vir a ser devastadoras (tal como já acontece em framboesa). De referir que, apesar de ser conhecida como a drosófila dos frutos vermelhos, foram observados ataques tanto em castas tintas como em brancas.
Outra questão de interesse relevante que foi abordada e, depois no período do debate foi abordada inevitavelmente, foi a imparidade consensual (contrasenso), da divergência existente entre a portaria que obriga a tratamentos obrigatórios para o vetor da flavescência, caso se trate de uma ZIP (zona de intervenção prioritária) e suas freguesias limítrofes e não limítrofes e a Diretiva do Uso Sustentável de Pesticidas, que deu origem à Lei 26 de 11 de Abril de 2013, em que obriga os agricultores a aplicarem os princípios da PI (proteção integrada). Ora, como se sabe, um dos princípios será que só deveremos intervir quando atingido o NEA (nível económico de ataque). Caso tenhamos uma vinha situada na ZIP e/ou freguesias limítrofes e não limítrofes estamos sujeitos a medidas fitossanitárias específicas, impostas pela portaria, mas pelo contrário, caso nessa mesma vinha ainda não tenha atingido o NEA, ao abrigo da Lei 26, não devo aplicar medidas limitativas ou de combate.... "Quem manda mais?" A portaria ou a Lei?????? Não é fácil gerir, pois se por um lado teremos de ter a consciência que o vetor terá de ser controlado, por outro, se não temos o micoplasma instalado nem o vetor, estamos a aplicar medidas desnecessárias e a desequilibrar o ecossistema e outros problemas poderão surgir... não é fácil!!!
Afonso Martins/UTAD - Gestão do solo em vinhas para otimização da produtividade do sistema vitivinícola
- Fez uma abordagem geral ao solo e sua importância no terroir vitícola.
Relativamente à gestão e conservação do solo, deixou bem claro que ainda há um trabalho e um caminho muito longo a percorrer, pois, em Portugal, a percentagem de sementeira direta e de enrelvamentos ainda é muito baixa comparativamente com outros países. Em portugal ainda se recorre muito à gestão e conservação do solo baseada em técnicas tradicionais de mobilização que, apesar de ter algumas vantagens, tem muitos incovenientes a nível da mineralização da matéria orgânica, da libertação de gases para a atmosfera que contribuem para o efeito de estufa, a erosão, transitabilidade das máquinas, entre outras.
Assim, das possibilidades de gestão e conservação do solo, a que mantém um coberto vegetal, espontâneo ou instalado, parece ser a opção mais válida e razoável para que o terroir vitícola seja preservado.
João Pinto e David Silva – SAPEC Agro- Soluções SAPEC Agro – Contributo para o aumento da produtividade e qualidade nos Vinhos Verdes
Foram apresentadas soluções relativas à proteção fitossanitária da vinha e soluções relativas à nutrição.
Apresentou o fato SULFAPF e outros EPI´s, e falou da importância da proteção contra as agressões provocadas pelos produtos fitofarmacêuticos e o efeito negativo que têm na saúde do aplicador.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Qualidade do azeite...
Será que o consumidor está informado ou anda enganado?
Não será por certo fácil admitir quando estamos errados, mas se esse erro nos é induzido, então as desculpas estão aceites desde já, mas se esse erro é por desleixo, então não se desculpa quem quer que seja.
O azeite é uma nobre gordura, mas nem tudo que é gordura é azeite. Os azeites, de acordo com Regulamento (CE) Nº 1234/2007 do Conselho de 22 de Outubro, dividem-se em:
AZEITE VIRGEM, AZEITE REFINADO, AZEITE.
De acordo com o mesmo regulamento, existem também os óleos (óleo de bagaço de azeitona bruto, óleo de bagaço de azeitona refinado, óleo de bagaço de azeitona).
Em Espanha tudo é óleo e refere-se a proveniência desse óleo (p.e. Oleo de oliva), mas em Portugal, há que distinguir entre azeites (que não deixa de ser uma gordura) e óleos (igualmente gorduras provenientes ou não da azeitona). Assim, o consumidor deverá sempre ler as informações do rótulo para perceber se está perante um azeite ou uma mistura de azeite e óleo ou simplesmente de um óleo de bagaço outra origem qualquer (soja, girassol, etc). Escolher azeite é promover a economia nacional, é escolher uma das mais saudáveis gorduras, é privilegiar o requinte à mesa!
AZEITE VIRGEM - azeite obtido diretamente do fruto da oliveira através de processos mecânicos ou outros processos físicos que não alterem a qualidade do produto final. Este azeite ainda se subdivide em:
azeite virgem extra - acidez livre, expressa em ácido oleico, inferior a 0,8g por 100g. Pode (e deve) entrar diretamente na alimentação humana;
azeite virgem - acidez livre, expressa em ácido oleico, não superir a 2g por 100g. Pode entrar diretamente na alimentação humana;;
azeite lampante - acidez livre, expressa em ácido oleico, superior a 2g por 100g. Não pode entrar diretamente na alimentação humana;
AZEITE REFINADO - É um produto obtido a partir de azeite virgem. quando o azeite virgem tem qualquer tipo de defeito, acidez elevada (lampante), gosto desagradável, entra num processo de refinação. Este azeite tem uma acidez livre, expressa em ácido oleico, não superior a 0,3g por 100g e não pode entrar diretamente na alimentação humana a não ser em mistura com azeite virgem.
AZEITE - obtido por mistura do azeite refinado com azeite virgem (excepto o azeite lampante) e tem uma acidez livre, expressa em ácido oleico, não superior a 1g por 100g. Pode entrar na alimentação humana.
Dos óleos de bagaço, apenas o óleo de bagaço de azeitona (loteamento de óleo de bagaço de azeitona refinado e azeite virgem) pode entra na alimentação humana e tem acidez livre, expressa em ácido oleico inferior a 1g por 100g.
Mas, para que os azeites extraídos do fruto da oliveira sejam de boa qualidade, há que ter em conta vários aspetos, que, a seu devido tempo, serão abordados com mais exaustão neste espaço.
Assim, as variedades, condições edafoclimáticas, condições sanitárias da planta, método de colheita, acondicionamento da matéria prima e laboração da matéria prima, têm uma influência direta na qualidade do produto final.
Como estamos em plena colheita, é conveniente abordar alguns aspetos relacionados com a colheita e acondicionamento da matéria prima, para que a qualidade do produto final faça jus à designação e valorize um produto único no mundo!
No Entre Douro e Minho, na beira Litoral e no Douro, devido às pequenas dimensões das parcelas destinadas a esta cultura e consequentemente às pequenas produções obtidas, há tendência de tratar a matéria prima de forma pouco cuidada. Há muitos produtores, com outras profissões ou não, que juntam os amigos e colhem ao fim de semana uma quantidade reduzida que por vezes não justifica levar ao lagar de azeite. Essas quantidades são mantidas até ao fim de semana seguinte na perspectiva de "ajuntar" mais uns quilos e assim fazer uma carga que dê para o transporte, como se "ousa dezer".
Ora esta prática incorreta afeta negativamente o produto final, já que tanto o rendimento como a qualidade do azeite diminuem. As azeitonas são mantidas em tulhas, em lagares com água, ou sacos e isso é percussor de processos químicos, biológicos e físicos que afetam o rendimento e aumentam a acidez do azeite. As azeitonas "fermentam", perdem conteúdo líquido da polpa e desenvolvem-se fungos.
Assim, as azeitonas colhidas, deverão chegar ao lagar o mais rápido possível, isentas de doenças e pragas (que se controlam ao longo do ciclo cultural) e isentas de material estranho (terra e folhas) que também contribuem para a degradação da qualidade do azeite.
Muitos destes péssimos hábitos estão enraizados e assentes em pressupostos e tradições que não fazem, nos dias que correm qualquer sentido. Por isso, fazer chegar ao lagar as azeitonas num período máximo de 24 horas será imperioso.
Também nestas zonas de pequena dimensão produtiva em termos individuais, há uma ideia de que a "minha galinha é melhor do que a do vizinho", o que leva a que os pequenos produtores queiram que a sua azeitona seja laborada em separado, o que causa constrangimentos a todo o processo pois vai atrasar a transformação e leva por vezes ao acumular de azeitona nos próprios lagares mais tempo do que o desejado, obriga a parar linhas de processamento, com os consequentes aumentos de custo de transformação e afetação da qualidade final do azeite.
Será de todo imperioso que todos os "players" facilitem o processo... será por certo melhor levar azeite provenientes de azeitonas do vizinho laboradas na hora do que provenientes das minha produção se essas azeitonas estiverem 48 ou 72 e até mais horas à espera de ser transformadas (???????????) .... alvo de meditação, pois também sei que a qualidade da matéria prima é fundamental, mas aí cabe ao controlo de qualidade, que nem sempre existe em lagares de pequena dimensão, agir em conformidade!
O tratamento que é dado no lagar e o processo de extração, também influenciam a qualidade do azeite. As extrações a frio, apesar de gerarem rendimentos ligeiramente inferiores, são as que melhor contribuem para a qualidade do azeite, pois preservam os aromas do mesmo. Será também um critério de escolha, optar por uma unidade de transformação que contribua para qualidade do azeite.
Bem, e como o azeite é uma paixão e o frio invernal convida a uma lareira, que tal colocar uma posta de lombo de bacalhau na brasa? Boa? Então, de seguida, faça acompanhar com umas batatas a murro. Corte alho e misture com azeite da variedade Galega...regue bem o bacalhau e as batatas e... faça-se acompanhar de um tinto verde (do bô)... se não tiver companhia... chame que eu vou!!!
terça-feira, 27 de março de 2012
Canónigos, uma questão de cultura ou uma cultura com questão... ?
domingo, 11 de março de 2012
Nabo a polivalência de uma cultura…
(Brassica rapa L. rapa)
É uma cultura sem dúvida que merece atenção pelo facto de entrar na dieta dos Portugueses sob as mais variadas formas e aproveitamentos.
A cultura em si, pode ser comercializada como cabeça (com ou sem rama), como nabiça (folhas) e como grelo (escape floral).
A importância desta cultura em algumas regiões do País, faz com que ela seja merecedora de uma confraria – a confraria do nabo em Carapelhos – e também das sucessivas festas e festivais do grelo e da nabiça que vão desde os Carapelhos, Cordinhã, Macedo de Cavaleiros e, além fronteiras, também esta cultura assume importância nomeadamente na Galiza onde se realizam inúmeros certames a promover esta cultura e a gastronomia a ela associada.
Nesta publicação apenas será abordada a questão agronómica, mas numa próxima publicação será postada o aproveitamento culinário numa rubrica chamada Horticulinária .
Características botânicas
Raiz –
O nabo (Brassica rapa var. rapa) é uma hortícola de raiz comestível. O sistema
radicular do nabo é carnudo e pode assumir diversas formas e ter coloração
uniforme ou ser bicolor, sendo o branco e o roxo as mais comuns.

As folhas
Estão dispostas em roseta às quais comercialmente se dá o nome de nabiça.
São de cor verde médio a escuro, rugosas, ásperas e pubescentes

Flor
É uma inflorescência que comercialmente se dá o nome de grelo.
São amarelas e agrupadas numa haste floral.

Fruto
É uma silíqua, característica da brássicas.
O ciclo cultural
40 a 60 dias na Primavera e Verão e 90 a 100 dias no Inverno.
SEMENTEIRA/Plantação
Em geral são semeados no local definitivo mas a plantação também é recorrente e pode ter alguns benefícios em relação à sementeira, nomeadamente na poupança de semente e no controlo das infestantes.
Ocorre todo o ano e em caso de se optar pela sementeira/plantação em linhas, deverá ser feita com o o compasso de 15x30, 20x30, 10x40 (linha x entre-linha).
Condições Edafo-climáticas
Temperatura:, óptima de situa-se entre os 15 e os 20ºC
Paragem crescimento: 3 a 5º
Evitar altas temperaturas e geadas intensas.
Luz: boa luminosidade
Humidade: Em condições de baixa percentagem de humidade atmosférica, a floração é precoce e as raízes são mais finas e fibrosas
Solos
Os solos devem ter textura franco-arenosa, serem ricos em matéria orgânica
(entre 2 a 4%), com pH entre 6,0 e 7,5.
Valores baixos de pH no solo podem originar ataques de pôtra ou hérnia. Solos
demasiado ligeiros ou calcários tendem a endurecer as raízes e a conferir-lhes
mau gosto.
Condições de exploração
Rega
O nabo é muito exigente em água, principalmente na fase de engrossamento das raízes.
Adubação
As necessidades da cultura em nutrientes são as que se apresentam no quadro seguinte, tendo em conta a produção e as classes de fertilidade do solo, pelo que uma análise de solo é fundamental para realizar um trabalho sustentável em termos económicos e ambientais.

Nunca esquecer que o azoto a aplicar deverá se de forma fracionada e ter em conta as zonas vulneráveis. Deduzir à adubação azotada o azoto veiculado pela estrumnação e água de rega.
O fósforo e o potássio embora possam ser colocados em fundo, se fracionados também favorece o desenvolvimento da cultura.
Há várias possibilidades de veicular os nutrientes que vão desde os adubos tradicionais aos sólidos solúveis passando pelos adubos foliares...
O Magnésio e o boro são também importantes, sendo que a sensibilidade à carência de boro é importante nesta cultura. A sua carência manifesta-se pelo aparecimento de uma
necrose na raiz designada por coração pardo.
Pragas e Doenças
A áltica, insetos de solo, o míldio, a podridão cinzenta, alternariose, a potra, a falsa potra, são os principais problemas da cultura do nabo.
Assume particular importância a áltica caso a cultura se destine a ser comercializada como nabiça, porque se as folhas ficam picadas (furadas) a distribuição não aceita tal situação, pelo que utilizar um piretróide (lambda-cialotrina) quando atingido o nível económico de ataque (NEA) é de recomendar.
Quando o nabo é comercializado com cabeça, os insectos de solo já são um problema. Neste caso temos o clorpirifos e a teflutrina que estão homologados para o efeito.
No caso de doenças, a alternariose e o míldio podem ser problema, pelo que deverão ser feitos tratamentos preventivos com azoxistrobina (máx 2 aplicações) e com clortalonil (máx 3 aplicações), respectivamente para alternariose e míldio.
A potra é um problema grave que não tem grande solução, a não ser a rotação de culturas (sete anos) e a correção do pH (7 a 7,5).
FOTOS: Web
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Vindimas Parte 4...
“Há portanto uma necessidade premente de tratar o que tão bem é tratado pelas mãos delicadas do povo vindimador”!
O processo que a seguir se explana serve de orientação para as vinificações feitas por amadores (que fique bem claro!)
Falarei da vinificação de uvas brancas e numa outra oportunidade abordarei a vinificação de uvas tintas.
Colheita
As uvas deverão ser colhidas com o máximo cuidado para chegarem ao lagar o mais intacto possível e o mais rápido possível. Evitar o esmagamento durante o transporte e a exposição excessiva ao calor para que não haja fermentações antecipadas do mosto nem haja fermentações a temperaturas impróprias que darão origem a vinhos de má qualidade e com tendência para “adoecerem” na vasilha.
Receção
Depois de rececionadas, as uvas são desengaçadas e esmagadas.
O processo de desengace evoluiu muito e agora os desengaçadores, na sua maioria, estão associados aos esmagadores, e um bom esmagador/desengaçador deverá retirar todo o cango sem o macerar e sem esmagar as grainhas.

Vantagens do desengace
• Permite um aumento da graduação alcoólica, uma vez que o cango contém água e não açúcar;
• Verifica-se um melhoramento a nível gustativo, pois os componentes do engaço têm gostos adstringentes, vegetais e herbáceos, permitindo assim conservar a finesse;
• Permite economizar espaço, uma vez que o engaço representa cerca de 3 a 7% da vindima em peso e 30% em volume, implicando a utilização de um menor número de cubas de fermentação, a manipulação e prensagem de menor quantidade de bagaço;
• Obtém-se ganho em cor, pelo menos no imediato, pois evita a fixação da matéria corante do engaço.
Desvantagens do desengace
• O engaço facilita a condução da fermentação, pois absorve calorias e pode evitar temperaturas excessivas uma vez que permite a entrada de ar. Geralmente, as fermentações com o engaço são mais rápidas e mais completas;
• A prensagem com o engaço torna-se mais fácil ;
• O desengace acentua as dificuldades da vinificação; não existem problemas de fermentação em vindimas não desengaçadas;
• O desengace pode aumentar a acidez da vindima, pois o engaço é pouco ácido, mas rico em potássio.
• ESMAGAMENTO
• A operação de esmagamento consiste no rompimento da película da uva, de modo a libertar polpa e sumo. O grau de esmagamento é definido pelo espaço entre rolos, e uma vez que o tipo de esmagamento exerce influencia sobre toda a vinificação, sobre a conduta da fermentação e da maceração e também sobre a qualidade do vinho que se obtém, é necessário que o mesmo seja adequado sem ser demasiado prolongado nem ser efectuado por forma a esmagar as grainhas.
• Este processo, além de proporcionar um arejamento do sumo, permite colocar em contacto o açúcar do interior da uva com as leveduras que se encontram à superfície das películas.
• O esmagamento é feito mecanicamente.


Depois de desengaçado e de esmagado o vinho branco é feito de bica aberta, isto é, as uvas não fermentam juntamente com a “manta” como acontece nos tintos.
Os bagos previamente esmagados deverão ser posteriormente prensados, operação esta que consiste na extração do sumo da uva (mosto).
Há vários tipos de prensas e estas deverão ser adquiridas em função da dimensão da exploração.


Decantação
A decantação consiste em separar duas fases, a liquida e a sólida, normalmente denominada
de borras, antes da fermentação alcoólica.
Depois de ocorrer a prensagem há em suspensão várias partículas como resto de película e
engaço, pó, entre outros resíduos.
Depois do vinho colocado na cuba de fermentação (vasilha), ocorre a sedimentação das partículas em suspensão pela ação da força da gravidade, e este processo é tanto mais rápido e eficaz quanto menor for a altura da cuba e, claro, depende também do tamanho e natureza das partículas em suspensão.

Nesta fase é importante evitar durante 12 a 24 horas que o vinho entre em fermentação pois além de impedir a decantação favorece o desenvolvimento de maus fermentos. Há, portanto, que adicionar anidrido sulforoso (SO2) sulforoso, que é um produto com um grande poder anti oxidante, um inibidor de enzimas oxidásicas, combina-se com os produtos de oxidação, estabiliza os pigmentos antociânicos, evita a ocorrência de diversos acidentes e assegura a inibição de uma larga gama de micoorganismos.
Deve ser usado com cuidado porque em excesso induz mau gosto ao vinho (ovos podres) e pode amuar a fermentação (Há legislação específica sobre as quantidades máxima que um vinho pode conter e nos rótulos faz referência que contém sulfitos).
Poderemos adicionar metabissulfito de potássio à razão de 10 a 15 g/hl ou solução sulforosa a 6% à razão de 50 ml/hl.
Há depois que realizar uma trasfega (12 a 24 horas) e adicionar leveduras para um bom desdobramento de açúcares e para que a fermentação não demore mais que o necessário, já que fermentações longas aumentam a acidez do vinho. Também nesta fase se deve adicionar taninos à razão de 10 g/Hl.
Depois do mosto entrar em fermentação, teremos que, diariamente, verificar a densidade e quando o mustímetro acusar entre 1010 e 1050, poderemos envasilhar o vinho.
Há necessidade, posteriormente de mandar analisar o vinho para ver da necessidade de adição de SO2 e outros constituintes (tartárico, cítrico…).
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Informação nos Rótulos

Finalmente, e já não era sem tempo, as empresas começam a colocar nos rótulos informações que vão acompanhando as novas tendências e desenvolvimento do saber nesta área.
Quando se aplica um produto ao solo, seja ele fungicida, insecticida ou herbicida, temos o problema resolvido, pois é fácil pegar numa fita métrica e calcular áreas. O problema é quando se quer aplicar um produto a uma cultura arbórea ou arbustiva que possui determinada massa verde, pois deixamos de falar em metros quadrados de terreno e passamos a falar em metros cúbicos de massa verde, isto é, passamos de área a volume.
Acontece que ainda há muito utilizador, quando se trata de culturas arbóreas ou arbustivas, que aplica os PF sempre em função da concentração independentemente do volume de calda utilizado, ignorando a informação dada no rótulo, informação essa que tem por base a dose (quantidade de produto por hectare). Esta dose de facto refere-se a quantidade de produto por hectare mas, no caso de culturas arbustivas ou arbóreas, refere-se a quantidade de massa verde (volume) que um hectare de terreno possui (área) e isso depende do tipo de condução, da variedade, do compasso de plantação, etc.
Assim, se não é difícil realizar esse cálculo para determinar o volume de massa verde, recorrendo ao TRV (pomares - já muito utilizado na Região Oeste e em função do volume de copa assim se utiliza uma determinada concentração) ou LWA (vinhas - ainda pouco ou nada utilizado em Portugal), também não está acessível a qualquer utilizador menos informado e tecnicamente menos evoluido.
As empresas na tentativa de disponibilizarem a informação que melhor serve os interesses de todos, dão informação em função da concentração para alto volume (1000L/ha) e referem que, caso se utilize equipamentos de médio ou baixo volume (turbina ou atomizadores) a concentração deverá ser ajustada por forma a manter a dose do alto volume.
Acontece que esta informação nem sempre é bem interpretada e o aplicador utiliza concentrações de princípio a fim. Se o volume de calda se aproxima dos 1000L/ha então a dose é aplicada (bem ou mal, pois resta saber se há ou não massa verde que a suporte), caso contrário a dose fica aquém do esperado o que é particularmente problemático nos estados fenológicos de maior desenvolvimento vegetativo.
Surge então uma nova forma de informar que, se não é ainda perfeita, é um bom complemento à anterior, e só estamos à espera que os stocks dos produtos se esgotem para ver em definitivo a informação mais adequada e que melhor sirva os interesses de todos.
Como se poderá ver no exemplo extraído de um rótulo recomenda-se concentrações até determinada fase e a partir do pleno desenvolvimento vegetativo a recomendação passa a ser feita à dose o que permite menos falhas.

Estou convicto que, se todos colocarem nos rótulos tal informação as aplicações serão mais conseguidas e a eficácia vs eficiência andarão de mãos dadas com todas as implicações positivas que isso tem (ambientais, económicas e biológicas e segurança alimentar)!
Coisas há ainda a melhorar na informação que se dá no rótulo, como por exemplo o tamanho das letras e a discrepância entre as fichas de dados de segurança e o rótulo no que diz respeito às medidas de emergência em caso de acidentes, mas a seu devido tempo lá chegaremos...
Esperemos que os sinais dos tempos nos tragam tempos com outros sinais!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
VINDIMAS... PARTE 3
Desde a colheita até ao engarrafamento há que preservar as qualidades potenciais da produção. Uvas, mostos e produto final não deverão sofrer alterações nas suas qualidades fisico-químicas e organolépticas.
Normas de higiene a observar:
- eliminar a presença de sujidade e eliminar os agentes patogénicos;
- utilização de recipientes inertes por forma a não adulterar as qualidades organolépticas;
- utilizar sempre água potável, se possível vapor de água, em todas as superficies e recipientes que entram em contacto com o produto vinícola.
(clique na imagem)
Há muito outro material tais como bombas, tubagens, cubas, aferidores, válvulas, etc, que merecem particular atenção. Não deveremos assumir que um único produto serve para todas as operações, pelo que em cada acto de higienização há que escolher o produto detergente ou desinfectante que melhor se adequa.
Assim, teremos em conta 4 tipos de produtos base:
água - a legislação impõe a utilização de água potável;
agentes de superfície - que servem para destacar manchas;
detergentes - solubilizam e degradam as manchas;
desinfectantes - reduzem a população microbiana temporáriamente.
Hoje o mercado oferece uma vasta gama de todos este produtos, por isso não será difícil adquirir qualquer um deles nas lojas da especialidade.
Ter o cuidado especial de nunca deixar água parada nas tubagens, bombas ou recipentes e fazer circular por estes compenentes com uma certa regularidade soluções desinfectantes.
Relativamente aos materias de metal que entram em contacto com as uvas e mosto (esmagadores, prensas, pás, ancinhos, etc), será conveniente utilizar uma tinta isolante (disponível nas lojas da especialidade) e pintar esses componentes por forma a não transmitir certos gostos ao mosto. Em alternativa, poderemos nós preparar uma mistura de goma laca (40 g) com álcool (75 ml).
Todas as vazilhas onde o mosto irá fermentar e posteriormente onde será armazenado o vinho têm de estar limpas.
Poderemos ter vasilhas de plástico, madeira, inox e cimento.
É necessário eliminar o tártaro que se vai depositando nas paredes das vasilhas. Esta operação pode ser feita todos os anos ou a intervalos de 2 a 3 anos (usada nas cubas de betão). Nas cubas inox será feita em cada nova utilização da mesma.
As vasilhas deverão depois de limpas serem bem secas e em caso de vasilhas de madeira será conveniente mechar, isto é, queimar enxofre em pó dentro das mesmas, para eliminar fungos causadores de bolores.
Quando as vasilhas são novas será conveniente lavá-las antes de cada utilização com o recurso ao tratamento pelo sal ou pela cal viva.
(Clique na imagem)
(clique na imagem)
(clique na imagem)Assim, com estes cuidados básicos de higiene nas adegas e lagares e com todos os materiais que irão entrar em contacto com a matéria prima, mosto e vinho, poderemos ter a certeza que o nosso produto final não será adulterado e a sua qualidade, para além das apuradas técnicas de vinificação, estará relacionada de forma intrínseca com a qualidade das uvas, e nada mais.
Boas vindimas!
imagens do livro ABC da Vinificação
terça-feira, 27 de abril de 2010
Tuta Absoluta
É originária da América Latina, onde tem uma forte dispersão, tendo sido detectada em Espanha em finais de 2006 e em Itália em 2008. Neste momento já se encontra em Portugal, tendo já causado prejuízos importantes na campanha do ano passado. Nas Canárias causou prejuízos da ordem dos 40%.
Fonte: www.tutaabsoluta.com
Bioecologia
A Tuta absoluta Povolny é um lepidóptero que pode apresentar entre 9 a 12 gerações anuais, consoante as condições climáticas da região onde se encontra presente.
A borboleta (adulto), pode atingir 7 mm e tem 2 pares de asas sendo o primeiro acinzentado e o segundo mais escuro. Tem antenas compridas ao longo do corpo.
Tem hábitos de voo crepusculares e durante o dia permanece escondida na folhagem. Com uma ligeira agitação da folhagem pode-se detectar o insecto.
Foto: EPPO Gallery - Adulto de Tuta absoluta
Cada fêmea põe de forma isolada entre 180 a 260 ovos, na página inferior das folhas, caules, pedúnculos e/ou frutos, elípticos e de cor esbranquiçada que se vão tornando amarelados à medida que se vão desenvolvendo. Dão origem às lagartas.
Fotos: EPPO Gallery - ovo de Tuta absoluta
A lagarta ao eclodir penetra nos tecidos da planta (folhas, caule e fruto) dos quais se alimenta. Pode atingir 7 a 8 mm de comprimento.
Pode pupar nas folhas ou no solo, dando depois origem ao adulto (borboleta).
Fotos: EPPO Gallery
Ciclo de vida
O ciclo de vida deste insecto passa pelos estados de Ovo- Larva-Pupa-Adulto e pode completar-se, conforme as condições a que estão sujeitas, nomeadamente da temperatura, entre 29 a 38 dias. Por exemplo no Chile a uma temperatura de 14 ºC completa-se em 76,3 dias, a uma temperatura de 19,7 ºC completa-se em 39,8 dias a uma temperatura de 27,1 ºC em 23,8 dias (Barrientos et al., 1998).
Foto: www.infoagroisp.com
Sintomatologia/Estragos
Os sintomas podem ser observados nas folhas, caules e frutos.
Nas folhas, numa fase inicial, os sintomas podem ser confundidos com os da Liriomysa spp (larva mineira), mas posteriormente a galeria aumenta de dimensão, alargando e dando-se a subsequente desidratação dos tecidos e um encarquilhamento característico.
Quando ataca os caules destrói o sistema vascular da planta com todas as consequências nefastas que isso comporta.
No fruto causa elevados prejuízos tanto qualitativos como quantitativos.
Fotos: EPPO GalleryEstimativa de Risco
Colocar armadilhas delta com feromona, na entrada das estufas e corredores e distanciadas 25 m umas das outras, à razão de 2 a 4 por hectare.
A monitorizção deve ser feita semanalmente. e em função do número de capturas actuar.

Armadilha delta (Google imagens)
Meios de Luta
A estratégia a adoptar é sem dúvida aquela que integra todos os meiso de protecção, deixando sempre para última opcção a luta química.
Luta cultural
Eliminar as plantas hospedeiras tais como Erva moira (Solanum Nigrum) e a figueira do inferno (Datura stramonium) e de restos de cultura se possivel queimando.
Colocar redes de exclusão de adultos (nas estufas) sempre que isso não implique um aumento das condições para as doenças criptogâmicas.
Realizar rotações culturais e no caso de sucessões, o tempo que deve medear entre as culturas séra de pelo menos 6 semanas.
Luta biotécnica
Recorrer ao uso da captura em massa utilizando armadilhas de água com feromona e detergente. As armadilhas deverão ser colocadas a 40 cm do solo e à razão de 20 a 40 armadilhas por hectare.
A água deverá ser renovada frequentemente e a feromona substituida ao fim de 60 dias, ou antes, caso esteja colocada ao ar livre sob condições atmosféricas adversas.
Armadilha de captura em massa (Google imagens)
Armadilha de captura em massa com feromona (Google imagens)
Foto do autor
Luta biológica
O recurso ao uso de auxiliares é uma prática cada vez mais recorrente com largos benefícios ambientais e também do ponto de vista da biologia da praga, uma vez que diminui o risco de desenvolvimento de resistências.
Os auxiliares são: mirídeos, crisopas, Macrolophus caliginosus, Nesidiocoris tenuis e/ou tricogramas.
O Bacillus thuringiensis conjugando as subespécies kurstaki e aizawai tem revelado uma eficácia em todos os instares da larva, mas na fase larvar precoce a eficácia é ligeiramente superior.
Luta Química
A luta química quando realizada tem de o ser somente com produtos homologados para o efeito.
Destaca-se neste momento as substâncias activas (s.a.) indoxacarbe e spinosade que deverão ser utilizadas em alternância e dentro das limitações de cada produto pelo que a leitura integral do rótulo é uma prática indispensável.
Tuta absoluta, uma praga que veio para ficar!
Só uma estratégia de luta concertada e integrada poderá ser eficaz contra este insecto!
Outras fontes bibliográficas:DGADR;PHYTOMA; Biosani;
























