Foi com enorme prazer que assisti ao aniversário dos 40 anos do Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV), no passado dia 6 no auditório VITA, em Braga.
Na realidade, eu, tal como muitos Portugueses, talvez como muitos técnicos, não tinha a noção do "Nobre e Real" trabalho desenvolvido pelo BPGV. Falo em "Nobre" não por duvidar da importância de preservar as espécies vegetais (disso nunca duvidei até porque a minha formação me permite ter alguma sensibilidade para o facto...), mas por ter ficado a perceber as dificuldades, os desafios, as lutas e as condições em que as coisas são executadas no nosso País e, apesar disso, por ter ficado a saber que contribuímos mais para a preservação das espécies do que Países como a Espanha, A Itália ou a França...pequenos na dimensão, grandes na dedicação!
Vários oradores perfilaram pelo púlpito do espaço VITA (fantástico espaço embrenhado na cidade de Braga), oriundos de várias organizações nacionais e internacionais que falaram da importância da preservação da biodiversidade e a importância que a preservação desse germoplasma assume para lidar com a falta de alimentos, com as resistências aos produtos fitofarmacêuticos, resistência a pragas, doenças e o mais importante, ÀS ALTERAÇÕES CLIMATICAS"!
Um outro exemplo que revela bem a importância dos Bancos de Germoplasma a nível mundial e em particular da "Arca de Nóe", Noruega, foi o recente caso da Síria onde o Estado Islâmico destruiu em Aleppo o principal banco de sementes do País. A Síria foi obrigada a fazer um pedido de sementes ao banco mundial de germoplasma.
A grande mensagem conclusão que se poderá retirar deste seminário é que "teremos que preservar e conhecer o passado para ter armas para lidar com o futuro" e o grande desafio será tão somente este: "onde buscar as forças para lutar contra os interesses poderosos das multinacionais?".
Poderíamos ter colocado essa questão ao Sr Ministro da Agricultura (que foi convidado, que foi anunciado no programa e que... infelizmente FALTOU!!!!!). Gostaria de ter ouvido da sua boca e ter sentido a força das suas palavras para perceber que importância o Ministro e o Ministério dão a este tema que, afinal, não é mais do que a sustentabilidade do nosso futuro (coisa pouca para ele, pelos vistos...)!
Foi também feita uma Homenagem muito bonita a uma grande Senhora que fez muito pelo BPGV - Drª Rena Farias, uma brasileira que acabou por se radicar em Braga e muito contribuiu para a quantidade de "acervus" do BPGV.
Parabéns à organização, aos intervenientes e particularmente ao aniversariante!
domingo, 8 de outubro de 2017
Arcá de Nóe, um tesouro inestimável...
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Portugal... o País do ZIGUE-ZAGUE...
Ora Zigue, ora Zague, ora Zigue-Zigue ora Zigue-Zague e Zague-Zigue .... Ora bem, todos conhecem O Dec. Lei 173/2005 de 21 de Outubro que, por imposição da Diretiva n 2009/128/CE, foi revogado com a criação da Lei 26/2013 de 11 de Abril? Sim, claro que sim..., pelo menos os que estão ligados ao setor da fitossanidade nos seus mais diversos campos de aplicação (comercialização e aplicação de produtos fitofarmacêuticos).
Esta última, ou melhor, com esta última (Lei 26/2013 de 11 de abril), perdeu-se uma oportunidade fantástica de criar uma lei séria e a sério. Claro que há coisas boas na lei e coisas menos boas; claro que há coisas exequíveis e outras utópicas, claro que há bom senso e muita falta do mesmo... num único diploma consegui-se criar uma infinidade de sensações e, a esse mesmo diploma, veio a tutela com circulares e casos excepcionais e afins, baralhar e dar cartas e criar ainda mais animação à lei que, per si já tinha (tem) algumas partes dignas de uma comédia à moda "dos gatos fedorentos"!
Reportando ao Artigo 19.º da referida Lei (Procedimento de autorização da atividade de prestação de serviços de aplicação de produtos fitofarmacêuticos por empresas de aplicação terrestre), sou dado à interpretação de que para aplicar Pf´s como prestadores de serviços seja a agricultores e/ou a entidades (Câmaras, Juntas Freguesia....), será necessário apresentar um pedido de autorização à DRAP territorialmente competente, o que, diga-se, entende-se, é lógico e foi bem pensado!
O que não se entende, não é lógico e não foi bem pensado foi a exigência de ter que se cumprir o Nº 1 e 2 do artº5 da Lei 26 que remete para o Anexo I parte A e, meus caros, ilustres e iluminados... NÃO, NÃO É SENSATO, chegando mesmo a roçar o ridículo, porque "aligeirar" seria a palavra de ordem e complicar foi a linha de orientação sem que isso se traduzisse num claro investimento na segurança, no pagamento de impostos, na utilização segura dos Pf´s em termos ambientais, antes pelo contrário, incetiva à fuga!
Depois, a mesma lei, no CAPÍTULO V (Segurança na aplicação de produtos fitofarmacêuticos em zonas urbanas, zonas de lazer e vias de comunicação), obriga a determinados requisitos, pressupostos que, diga-se, entende-se, é lógico e foi bem pensado!
Depois ninguém cumpre "porra nehuma" nem ninguém fiscaliza "nehuma porra"... e há circulares que excepcionam, e há declarações que isentam e há tudo menos o cumprimento deste artigo 32 - uma tourada!!!!!!
Agora, no passado conselho de ministros foi aprovado o seguinte:
"6. Foi aprovada a alteração da regulação relativa aos produtos fitofarmacêuticos, por transposição da Diretiva n.º 2009/128/CE.
Com o objetivo de reduzir e controlar os efeitos sobre a saúde pública da utilização destes produtos, o Governo decidiu proibir a sua utilização em zonas de maior exposição da população ou tipicamente utilizadas por população mais vulnerável, como jardins infantis, parques e jardins urbanos de proximidade, parques de campismo, estabelecimentos de ensino, hospitais e outros locais de prestação de cuidados de saúde, e estruturas residenciais para idosos.
A proibição não se aplica em casos excecionais devidamente autorizados pela autoridade fitossanitária nacional (DGAV)."
Ora, quer dizer que as empresas autorizadas ao abrigo do artº 19 e que o fizeram unicamente para prestar serviços Zonas de Lazer, zonas urbanas e vias de comunicação (ups.... estás ficaram de fora... lapso? ou meramente para justificar as taxas que já cobraram???) vão ver o seu esforço financeiro e humano, deitado pela sarjeta... (não, às tantas vai ser ressarcidas...tenho fé)!
Depois, temos ainda de esperar a autoridade fitossanitária nacional crie uma listagem de exceções (ou não, ou sim, ou talvez...ou....foi o conselho de ministros que decidiu... por isso, sem stress).
Vejamos....! HUMMMMMMMMMMM, se isto não é zigzaguear com o assunto é o quê?
E este slide a varrer a estrada e a levantar pó é o que o veículo do estado português faz, tem feito, sabe fazer e teima em persistir em qualquer assunto que legisla e, particularmente na temática da fitossanidade, então é uma casa a arder!
Não há coerência, não há estabilidade, não há respeito, não há regras...enfim, não há assertividade!
Viva o nosso Portugal ziguezagueante!
Já agora... escreve-se zig-zag ou ziguezague??????
esperemos pela decisão do próximo conselho de ministros!
Bem haja!
domingo, 4 de dezembro de 2016
CIPP - inspeção de pulverizadores...
O Dec. Lei 86/2010 de 15 de Julho estabelece o regime de inspecção dos equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso profissional, transpondo para a ordem jurídica interna, na parte relativa aos equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos, a Directiva n.º 2009/128/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de Outubro, que estabelece um quadro de acção a nível comunitário para uma utilização sustentável dos pesticidas e transpõe a Directiva n.º 2006/123/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de Dezembro. os pulverizadores terão que ser alvo de uma inspeção estabelece o regime de inspecção obrigatória dos equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos autorizados para uso profissional, transpondo para a ordem jurídica interna, na parte relativa aos equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos, a Directiva n.º 2009/128/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de Outubro, que estabelece um quadro de acção a nível comunitário para uma utilização sustentável dos pesticidas e transpõe a Directiva n.º 2006/123/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de Dezembro.
Desta forma os pulverizadores com mais de 5 anos terão que ser submetidos à referida inspeção e obterão, ou não, um certificado de inspeção, que nesta primeira fase terá uma validade de 5 anos e, após 2020 passará a ter uma validade de 3 anos para as inspeções realizadas após 31/12/2019.
As entidades reconhecidas pela DGAV - CIPP (centros de inspeção periódica de pulverizadores) - são até ao momento, em Portugal, unidades móveis que se deslocam ao local, indo assim ao encontro do agricultor evitando possíveis constrangimentos que se prendem com o deslocamento dos pulverizadores aos CIPP fixos.
Os CIPP´s terão que ter inspetores certificados e reconhecidos pela DGAV e, terão, acima de tudo, que executar o ato inspetivo com a isenção, brio, ética e a dignidade que toda esta problemática exige... (a ver vamos)!
As infracções constituem contra-ordenações puníveis com coima cujo montante mínimo é de € 250 e máximo de € 3700, ou mínimo de € 500 e máximo de € 44 000, consoante o agente seja pessoa singular ou colectiva:
a) A utilização de equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos que não tenham sido aprovados em inspecção nos prazos previstos no presente decreto -lei;
b) A utilização de equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos provenientes de outros Estados membros que não tenham sido aprovados em inspecção ou para os quais não sejam apresentados os respectivos comprovativos da inspecção efectuada, em violação do disposto no artigo 7.º;
Neste contexto, surge a PROVA ÍMPAR, CIPP reconhecido pela DGAV. Está equipado com unidades móveis com tecnologia de ponta e inspectores especializados e com vasta experiência na área da fitossanidade, mecanização agrícola, para além de terem uma experiência de campo de mais de 15 anos, o que faz do CIPP PROVA ÍMPAR um centro com experiência e sensibilidade inquestionável para avaliar e dar prossecução ao ato inspetivo com o rigor e profissionalismo que a temática exige!
Mais que uma obrigação, as inspeções de pulverizadores são uma questão de respeito pelas normas ambientais, segurança alimentar, segurança do operador e economia...
Bem haja!
sábado, 15 de outubro de 2016
Feiras...
Qual a diferença entre as feiras que se querem afirmar no panorama internacional, como aquelas que atraem a Europa para si e o resto do mundo até si, e as que apenas se limitam a existir como meras feiras regionais e/ou Nacionais de expressão reduzida à escala de cada país?
A diferença está no "Branding"!
Uns fazem outros não!
Quando se pesquisa na net este tipo de eventos, é curioso verificar que uns ainda estão a limpar os pavilhões da última edição e já a próxima edição é publicitada... Vejam por exemplo a "Fruit Attration" em Madrid que decorreu entre os dias 5 a 7 corrente e já anunciam a nova edição entre os dias 18 e 20 de de outbro de 2017.
A "Agritechnica" em Hannover, 12 a 18 de Novembro de 2017, já está anunciada há muito...
Bom, mas as feiras que se promovem e vendem como "marca" são as que encaram a sua imagem e a sua posição como uma mais valia global para o país que representam pois acabam por ser representantes do Globo e, isso, marca a história e traça o caminho das tendências do consumos, afinal o verdadeiro motor das economias modernas!
Por cá, apenas timidamente nos afirmamos...
Eis algumas da feiras que irão acontecer em 2017 por essa Europa fora ...
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Vespa da Galha do Castanheiro...
domingo, 13 de setembro de 2015
Apoios à agricultura...
Em tempos de crise, esta cara linda (com todo o respeito Srª Ministra), anunciou um pacote de medidas para a agricultura que se prendem com a disponibilização de verbas, diretas ou indiretas, tendo em vista ajudar o setor.
Os produtores de leite irão ter antecipação das ajudas, isenção durante 3 meses para a segurança social e uma linha de crédito de 50 milhões a juros baixos (baratos...).
Os restantes, onde se incluem novamente os produtores de leite, irão ver reforçado o PDR2020, do orçamento de estado, com 200 milhões de euros, ficando assim de fora a aplicação dos critérios de seleção, aliás previstos mas não lidos pelos subscritores, relativamente às medidas agroambientais.
Bem, é a solução? Não será por certo! Mas, como dizia alguém... "migalhas são pão" e outro também disse que "grão a grão enche a galinha o papo", temos, desta forma, um balão de oxigénio para prolongar mais uns tempos a esperança... Antes isso que nada e, saibamos nós agricultores compreender isso, para podermos arranjar estratégias futuras para resolução daquilo que agora achamos não ser solução...
Agradecemos do fundo do coração este esforço da Srª Ministra, pois como sabemos a crise é brava tal como os toiros na praça...
Os produtores de leite irão ter antecipação das ajudas, isenção durante 3 meses para a segurança social e uma linha de crédito de 50 milhões a juros baixos (baratos...).
Os restantes, onde se incluem novamente os produtores de leite, irão ver reforçado o PDR2020, do orçamento de estado, com 200 milhões de euros, ficando assim de fora a aplicação dos critérios de seleção, aliás previstos mas não lidos pelos subscritores, relativamente às medidas agroambientais.
Bem, é a solução? Não será por certo! Mas, como dizia alguém... "migalhas são pão" e outro também disse que "grão a grão enche a galinha o papo", temos, desta forma, um balão de oxigénio para prolongar mais uns tempos a esperança... Antes isso que nada e, saibamos nós agricultores compreender isso, para podermos arranjar estratégias futuras para resolução daquilo que agora achamos não ser solução...
Agradecemos do fundo do coração este esforço da Srª Ministra, pois como sabemos a crise é brava tal como os toiros na praça...
domingo, 3 de maio de 2015
Podridão Cinzenta em Mirtilos ...
A podridão cinzenta é provocada por um fungo Botrytis cinerea Pers. que é saprófita e parasita, não sendo fácil estabelecer essa fronteira de forma clara. É um fungo que não é específico, ou seja, ataca tecidos orgânicos (mortos ou vivos) e é muito polífago atacando diversas culturas (videira, morangueiro, framboesa, amora, alface, tomateiro, feijoeiro, etc, etc, etc, etc).
A cultura do mirtilo não foge à regra e, particularmente este ano, devido à instabilidade das condições meteorológicas, temos tido ataques significativos que incidem mais numas cultivares que outras. Daí, a seleção das cultivares ser um fator de decisão importante, que, para quem já tem pomares instalados tem de conviver com as escolhas que fez e com a sensibilidade maior ou menor a esta doença. Também os terrenos encharcados e de fraca drenagem atmosférica são particularmente factores que favorecem o desenvolvimento da doença.
"Chorar sobre o leite derramado" não nos leva a lado algum. Temos por isso de viver com as boas ou más opções que fizemos e, doravante, percorrer o melhor caminho tomando atitudes que minimizem o problema e conduzam a cultura a bom porto.
Ciclo de vida
Biologia do Fungo
O fungo passa o inverno nas varas vivas e/ou em restos de cultura no solo (lenha de poda, folhas), sob a forma de esclerotos (órgãos de de conservação do fungo que asseguram a sua sobrevivência) e micélio..
Na Primavera, quando as condições climáticas são favoráveis (chuva e temperatura), os esclerotos e o micélio dão origem aos conidiósforos portadores de conídios, que são libertados pelo choque com as gotas de água e são disseminados pelo vento e pela chuva, contaminando os órgãos verdes da planta, se estes estiverem molhados pelo menos durante 15 horas. A germinação dos conídios dá-se na presença de água ou de elevados teores de humidade relativa (> 90%), tendo como temperatura óptima entre os 15ºC e os 20ºC. Em alguns anos de Primavera chuvosa, os ataques de botritis podem ser muito graves e originar perdas elevadas, como é o caso deste ano.
Sintomatologia
Necrose das flores, sobre as quais poderá ser visível o micélio do fungo, de cor cinzenta escura. As flores permanecem agarradas à planta, constituindo inoculo para infecção dos frutos e crescimentos jovens.
Os ramos infectados ficam enegrecidos e secam, podendo observar-se a esporulação do fungo.
Os frutos ficam necrosados, com aspecto engelhado, cobrindo-se de micélio e esporos.
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper) Foto: Jorge Carvalho (Cv. duke)
Os sintomas poderão manifestar-se no campo, ou apenas em armazenamento, caso a infecção se mantenha latente.
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
Se aliado a estes factores de risco naturais (chuva e temperatura) as práticas culturais não forem as adequadas, então os estragos podem passar a prejuízo. Assim, a condução da cultura é um dos factores mais importantes para minimizar a incidência do fungo.
Realizar podas adequadas que promovam um bom arejamento da copa da planta bem como realizar fertilizações equilibradas que não estimulem em demasia o desenvolvimento viçoso da massa foliar, são por certo atitudes e comportamentos a ter para que o fungo seja um mal menor e não um agente catastrófico.
De salientar que a botritis é uma doença que vai muito para além do que os nossos olhos veem, pois, como se trata de um fungo que têm uma capacidade incrível de permanecer no estado de latência, grande parte das vezes ele manifesta-se em pós colheita.
Como há duas subespécies a B. vacuma e B. transposa, parece estarem presentes as duas, mas, de forma mais predominante a B. vacuma que se desenvolve como saprófita, contrariamente ao que se passa em outras bagas (vinha, p.e.) onde a B. transposa está mais presente e desenvolve ação parasitária (Bugaret).
Meios de Luta
Luta Cultural:
- Podas que promovam o arejamento da copa da planta e fertilizações racionais, principalmente as que contemplam o nutriente azoto;
- Eliminação de restos de cultura (lenhas de poda);
- Controlar Drosophila suzukii;
- nunca colher em dias de chuva e colocar o fruto no frio logo após a colheita .
Luta Biológica:
- o uso de determinados microorganismos antagonistas ( Trichoderma spp.) tem sido utilizados bem como algumas leveduras (Bacillus subtilis).
Luta Química:
A luta química prende-se com o uso de substâncias ativas homologados para o efeito. Salienta-se o fato de em Portugal estas substâncias ativas estarem homologadas ao abrigo de uma figura denominada "Usos menores" e apenas três marcas comerciais podem ser utilizadas para o efeito que contêm as seguintes substâncias ativas:
- boscalide+piraclostrobina (p.c. Signum)
- fenehexamida (p.c. Teldor)
- pirimetanil (p.c. Scala)
É importante realçar que os princípios da proteção integrada deverão ser aplicados por quem utiliza os produtos fitofarmacêuticos e todas os outros meios de luta diretos e indiretos deverão ser adoptados para que, de forma integrada, possamos diminuir o inócuo e assim as infeções.
A B. cinerea desenvolve resistências com muita facilidade (a resistência ao benomil já em 1960 é o paradigma) pois o fungo não apresenta um ciclo sexual o que faz com que seja um fungo de ciclo curto e com grande capacidade para mutações (Carvajal). A cada ciclo formam-se uma quantidade enorme de conídeos onde podem ocorrer mutações, que, se existir um mau programa de tratamentos, a cada ciclo pode ocorrer uma mutação que leve a uma resistência provocada pela aplicação do fungicida - designada "pressão de seleção".
Assim, ficam aqui algumas regras básicas para que a eficácia seja potenciada:
1- Histórico da parcela
- Esta é a parte pior pois para termos um histórico é necessário ter dados acumulados de alguns anos.
No caso particular das explorações que acompanho, não me posso dar ao luxo de fazer futurologia. Resta-me, tal como aos demais, observar, registar e meditar... (isso requer algum tempo).
2- calibrar e regular adequadamente o pulverizador
- há estudos que demonstram que a eficácia de uma pulverização está relacionada em 40% com o produto e 60% com a aplicação do mesmo no que diz respeito ao material e técnica de aplicação (pulverizar é uma coisa, despejar pulverizadores é outra...);
3- alternância de produtos
- Nunca aplicar mais que uma vez a mesma família química por parcela e por campanha.
4- posicionamento dos produtos
- no período floral e em precolheita
5- Técnica de aplicação
- Aplicações assistidas por ar serão as que melhor servirão os nossos propósitos. Na floração ter cuidado especial com as correntes de ar formadas, reduzindo cerca de 80% a admissão de ar da turbina.
Aplicações em todas as faces da linha e, em precolheita, dirigir o tratamento para os frutos.
Por último e tratando-se de produtos fitofarmacêuticos, ler sempre o rótulo com muita atenção pois nele estão contidas informações importantes relativamente às doses, modo de preparação da calda, destino a dar as embalagens vazias, equipamento de proteção individual a utilizar e intevalo de segurança, entre outras.
A lei 26/2013 de 11 de abril, impõe também a obrigatoriedade de realizar os registos de aplicação que terão que ser mantidos durante pelo menos 3 anos.
Vejo muitas vezes pegar no particular e fazer uma generalização, que neste caso nunca se poderá aplicar. Ainda não termos uma conhecimento aprofundado relativamente ao binómio doença/cultura, ao contrário do que acontece na vinha e hortícolas, o que não nos permite para já afirmar que esta ou aquela cultivar é mais sensível e este fungo. Conhecemos bem o fungo, conhecemos os prejuízos que causa em outras culturas e fazemos extrapolações sem rigor científico, apenas isso.
O tempo que se avizinha prevê-se instável pelo que a visita bisemanal à parcela é importante para observar a evolução da situação, pois só assim poderemos ficar com um conhecimento mais profundo do que se passa ao nível da parcela - da nossa parcela - e, no ano seguinte, na presença de condições climatéricas semelhantes poderemos tirar conclusões semelhantes.
O caminho faz-se caminhando!
Bem haja!
A cultura do mirtilo não foge à regra e, particularmente este ano, devido à instabilidade das condições meteorológicas, temos tido ataques significativos que incidem mais numas cultivares que outras. Daí, a seleção das cultivares ser um fator de decisão importante, que, para quem já tem pomares instalados tem de conviver com as escolhas que fez e com a sensibilidade maior ou menor a esta doença. Também os terrenos encharcados e de fraca drenagem atmosférica são particularmente factores que favorecem o desenvolvimento da doença.
"Chorar sobre o leite derramado" não nos leva a lado algum. Temos por isso de viver com as boas ou más opções que fizemos e, doravante, percorrer o melhor caminho tomando atitudes que minimizem o problema e conduzam a cultura a bom porto.
Ciclo de vida
O fungo passa o inverno nas varas vivas e/ou em restos de cultura no solo (lenha de poda, folhas), sob a forma de esclerotos (órgãos de de conservação do fungo que asseguram a sua sobrevivência) e micélio..
Na Primavera, quando as condições climáticas são favoráveis (chuva e temperatura), os esclerotos e o micélio dão origem aos conidiósforos portadores de conídios, que são libertados pelo choque com as gotas de água e são disseminados pelo vento e pela chuva, contaminando os órgãos verdes da planta, se estes estiverem molhados pelo menos durante 15 horas. A germinação dos conídios dá-se na presença de água ou de elevados teores de humidade relativa (> 90%), tendo como temperatura óptima entre os 15ºC e os 20ºC. Em alguns anos de Primavera chuvosa, os ataques de botritis podem ser muito graves e originar perdas elevadas, como é o caso deste ano.
Sintomatologia
Necrose das flores, sobre as quais poderá ser visível o micélio do fungo, de cor cinzenta escura. As flores permanecem agarradas à planta, constituindo inoculo para infecção dos frutos e crescimentos jovens.
Os frutos ficam necrosados, com aspecto engelhado, cobrindo-se de micélio e esporos.
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper) Foto: Jorge Carvalho (Cv. duke)
Os sintomas poderão manifestar-se no campo, ou apenas em armazenamento, caso a infecção se mantenha latente.
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
Foto: Jorge Carvalho (Cv. drapper)
Se aliado a estes factores de risco naturais (chuva e temperatura) as práticas culturais não forem as adequadas, então os estragos podem passar a prejuízo. Assim, a condução da cultura é um dos factores mais importantes para minimizar a incidência do fungo.
Realizar podas adequadas que promovam um bom arejamento da copa da planta bem como realizar fertilizações equilibradas que não estimulem em demasia o desenvolvimento viçoso da massa foliar, são por certo atitudes e comportamentos a ter para que o fungo seja um mal menor e não um agente catastrófico.
De salientar que a botritis é uma doença que vai muito para além do que os nossos olhos veem, pois, como se trata de um fungo que têm uma capacidade incrível de permanecer no estado de latência, grande parte das vezes ele manifesta-se em pós colheita.
Como há duas subespécies a B. vacuma e B. transposa, parece estarem presentes as duas, mas, de forma mais predominante a B. vacuma que se desenvolve como saprófita, contrariamente ao que se passa em outras bagas (vinha, p.e.) onde a B. transposa está mais presente e desenvolve ação parasitária (Bugaret).
Meios de Luta
Luta Cultural:
- Podas que promovam o arejamento da copa da planta e fertilizações racionais, principalmente as que contemplam o nutriente azoto;
- Eliminação de restos de cultura (lenhas de poda);
- Controlar Drosophila suzukii;
- nunca colher em dias de chuva e colocar o fruto no frio logo após a colheita .
Luta Biológica:
- o uso de determinados microorganismos antagonistas ( Trichoderma spp.) tem sido utilizados bem como algumas leveduras (Bacillus subtilis).
Luta Química:
A luta química prende-se com o uso de substâncias ativas homologados para o efeito. Salienta-se o fato de em Portugal estas substâncias ativas estarem homologadas ao abrigo de uma figura denominada "Usos menores" e apenas três marcas comerciais podem ser utilizadas para o efeito que contêm as seguintes substâncias ativas:
- boscalide+piraclostrobina (p.c. Signum)
- fenehexamida (p.c. Teldor)
- pirimetanil (p.c. Scala)
É importante realçar que os princípios da proteção integrada deverão ser aplicados por quem utiliza os produtos fitofarmacêuticos e todas os outros meios de luta diretos e indiretos deverão ser adoptados para que, de forma integrada, possamos diminuir o inócuo e assim as infeções.
A B. cinerea desenvolve resistências com muita facilidade (a resistência ao benomil já em 1960 é o paradigma) pois o fungo não apresenta um ciclo sexual o que faz com que seja um fungo de ciclo curto e com grande capacidade para mutações (Carvajal). A cada ciclo formam-se uma quantidade enorme de conídeos onde podem ocorrer mutações, que, se existir um mau programa de tratamentos, a cada ciclo pode ocorrer uma mutação que leve a uma resistência provocada pela aplicação do fungicida - designada "pressão de seleção".
Assim, ficam aqui algumas regras básicas para que a eficácia seja potenciada:
1- Histórico da parcela
- Esta é a parte pior pois para termos um histórico é necessário ter dados acumulados de alguns anos.
No caso particular das explorações que acompanho, não me posso dar ao luxo de fazer futurologia. Resta-me, tal como aos demais, observar, registar e meditar... (isso requer algum tempo).
2- calibrar e regular adequadamente o pulverizador
- há estudos que demonstram que a eficácia de uma pulverização está relacionada em 40% com o produto e 60% com a aplicação do mesmo no que diz respeito ao material e técnica de aplicação (pulverizar é uma coisa, despejar pulverizadores é outra...);
3- alternância de produtos
- Nunca aplicar mais que uma vez a mesma família química por parcela e por campanha.
4- posicionamento dos produtos
- no período floral e em precolheita
5- Técnica de aplicação
- Aplicações assistidas por ar serão as que melhor servirão os nossos propósitos. Na floração ter cuidado especial com as correntes de ar formadas, reduzindo cerca de 80% a admissão de ar da turbina.
Aplicações em todas as faces da linha e, em precolheita, dirigir o tratamento para os frutos.
Por último e tratando-se de produtos fitofarmacêuticos, ler sempre o rótulo com muita atenção pois nele estão contidas informações importantes relativamente às doses, modo de preparação da calda, destino a dar as embalagens vazias, equipamento de proteção individual a utilizar e intevalo de segurança, entre outras.
A lei 26/2013 de 11 de abril, impõe também a obrigatoriedade de realizar os registos de aplicação que terão que ser mantidos durante pelo menos 3 anos.
Vejo muitas vezes pegar no particular e fazer uma generalização, que neste caso nunca se poderá aplicar. Ainda não termos uma conhecimento aprofundado relativamente ao binómio doença/cultura, ao contrário do que acontece na vinha e hortícolas, o que não nos permite para já afirmar que esta ou aquela cultivar é mais sensível e este fungo. Conhecemos bem o fungo, conhecemos os prejuízos que causa em outras culturas e fazemos extrapolações sem rigor científico, apenas isso.
O tempo que se avizinha prevê-se instável pelo que a visita bisemanal à parcela é importante para observar a evolução da situação, pois só assim poderemos ficar com um conhecimento mais profundo do que se passa ao nível da parcela - da nossa parcela - e, no ano seguinte, na presença de condições climatéricas semelhantes poderemos tirar conclusões semelhantes.
O caminho faz-se caminhando!
Bem haja!
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