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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MIRTILO: UMA DÁDIVA DA NATUREZA!, (enviado por *Ana Silva)

fonte: Frutas, Legumes e Flores nº 94

Mirtilo

O mirtilo é um arbusto pertencente à família Ericaceae, género Vaccinium.
Em Portugal existem espécies silvestres do género Vaccinium: o V. myrtillus (mirtilo Europeu) na Serra do Gerês, o V.padifolium na Ilha da Madeira e o V. cylindraceum (também conhecido por uva-da-serra) no arquipélago dos Açores.
As cultivares existentes e comercializadas, são, na sua maioria, híbridos de espécies norte americanas e estão divididas em vários grupos entre os quais se encontra o grupo Highbush (Northern e Southern) – V. corymbosum.


Características

O sistema radicular é fasciculado e composto por 2 tipos de raízes, umas mais finas e superficiais responsáveis pela absorção de água e nutrientes, e outras maiores, cuja função é fixar o arbusto ao solo. As raízes do mirtilo apresentam a particularidade de não terem pêlos radiculares, estruturas da raiz cuja função é aumentar a superfície de absorção de água e nutrientes.
Os ramos têm origem na coroa (zona de transição entre raízes e ramos), são erectos e podem atingir os 2,5m de altura para a maior parte das cultivares.

FLORES

fonte: Frutas, Legumes e Flores nº 94

As flores encontram-se agrupadas em cachos, são brancas e têm as pétalas soldadas entre si, formando uma campânula invertida. Devido às suas características, as flores do mirtilo favorecem a polinização cruzada assumindo a polinização entomófila (realizada por insectos) uma grande importância na rentabilidade da cultura.

FRUTO

fonte: Frutas, Legumes e Flores nº 94


Baga de tamanho e tom de azul variável, dependendo da cultivar, revestida por uma camada cerosa.
Quando ocorre a maturação do fruto, dá-se uma diminuição do teor em clorofila e aumenta o teor em antocianinas e açúcares, fazendo com que a cor mude de verde para azul. As antocianinas são pigmentos naturais que têm propriedades antioxidantes e às quais se atribuem uma série de benefícios para a saúde, valendo ao mirtilo denominações tais como “Rei dos Antioxidantes”, “fruto da juventude”, “fruto da saúde” ou “fruto da longevidade”.


Fonte: Correio da Manhã

Além das antocianinas o mirtilo tem também vitaminas e minerais, tais como vit. A, B, C e K, potássio, magnésio, cálcio, fósforo e ferro.

O cultivo do mirtilo

O solo ideal para uma plantação

O mirtilo prefere um solo arenoso ou franco-arenoso, bem drenado, rico em matéria orgânica e com pH ácido (4,5 a 5,5).

A preparação do solo

A preparação do solo deve ser iniciada, pelo menos, um ano antes da plantação, começando por se realizar análises ao solo no sentido de averiguar se é necessário efectuar previamente correcções no pH ou incorporar matéria orgânica.
As infestantes deverão ser totalmente eliminadas, podendo utilizar-se herbicidas sistémicos não residuais.
Em locais em que a drenagem da água possa estar comprometida, após as devidas correcções e operações de preparação do solo, é aconselhável a realização de camalhões onde se irão plantar os mirtilos.

A escolha da cultivar

A escolha da cultivar deverá ter em atenção vários factores nomeadamente: o clima, a possibilidade de ocorrência de geadas tardias, a resistência a doenças e pragas e ainda, se se tratar de uma plantação comercial, à produção e à qualidade do fruto.
De um modo geral, as cultivares do grupo Northern Highbush, por necessitarem de um maior nº de horas de frio durante o repouso invernal, são mais adequadas para o norte e centro de Portugal e as cultivares do grupo Southern Highbush para o sul.
Cultivares Northern Highbush: Bluetta, Earliblue, Patriot, Duke, Bluecrop, Spartan, Bluejay, Brigitta, Lateblue, Darrow.
Cultivares Southern Highbush: Sharpblue, O’Neal, Misty, Biloxi, Cape Fear, Star

Plantação

Deve ser feita na Primavera ou no Outono. O compasso de plantação deverá ser ajustado ao vigor das cultivares escolhidas e às condições do local, podendo variar de 1m a 1,5m na linha e 3m a 3,5m na entrelinha.
Quanto às plantas, sempre que possível, dever-se-á preferir estacas enraizadas com 2 anos de idade, provenientes de um viveiro idóneo.

Rega

Existem algumas características do sistema radicular do mirtilo que deverão ser conhecidas, pois condicionam a forma como a rega deverá ser feita:

1) As raízes que asseguram a absorção de água (as raízes mais finas) encontram-se, normalmente, nos primeiros 30 a 40 cm do solo. Este facto, juntamente com a inexistência de pêlos radiculares, torna o mirtilo particularmente susceptível ao stress hídrico.
A água deverá então ser distribuída de forma a manter o solo junto às raízes permanentemente húmido mas sem encharcamento, pois a planta de mirtilo também não tolera bem o excesso de água.

2) Ao contrário do que sucede na maior parte das plantas, o movimento de translocação de água e nutrientes através da planta de mirtilo não ocorre de forma uniforme. Se a água e os nutrientes forem distribuídos apenas de um dos lados da raiz da planta, então apenas esse lado da parte aérea do mirtilo se desenvolverá.
Temos então necessidade de um sistema de rega capaz de formar um bolbo húmido uniforme em torno da planta.

Fertilização

Deverá ser sempre feita com base em análises ao solo e análises foliares, e tendo sempre em atenção que os nutrientes, à semelhança da água de rega, devem ser distribuídos uniformemente em redor da planta.
Na escolha dos fertilizantes, não utilizar cloretos nem Azoto sob a forma de nitrato.

Controlo de infestantes

É de primordial importância dado que pelas características do seu sistema radicular (raízes superficiais sem pêlos radiculares), os mirtilos encontram-se em desvantagem em relação às infestantes na competição por água e nutrientes.
Na entrelinha pode utilizar-se herbicidas, mobilização do solo (com especial atenção para não danificar as raízes dos mirtilos) ou recorrer à sementeira de um revestimento permanente adequado.
Na linha, na largura de um metro, deve efectuar-se o empalhamento da cultura aplicando uma camada de 10-15cm de material vegetal como casca de pinho, serradura, palha, folhas, etc. ou, em alternativa, plástico ou tela.

O empalhamento da cultura cumpre 3 funções importantes:
1) Protecção contra infestantes
2) Manutenção da humidade do solo.
3) Redução da temperatura do solo no Verão, de forma a favorecer a actividade radicular. O desenvolvimento das raízes do mirtilo é influenciado pela temperatura do solo, verificando-se uma maior actividade entre os 6ºC e os 16ºC.

Poda

Feita em Janeiro/Fevereiro, no fim do repouso Invernal.
Tem como objectivo remover ramos danificados, doentes ou com pouco vigor, eliminar ramos que frutifiquem muito perto do solo (dificultando a colheita), abrir a copa para permitir o arejamento e a entrada de luz no interior do arbusto e manter a produção e a qualidade dos frutos, controlando eventuais excessos de carga de flor.
Em plantas mais velhas, compreende também o corte de ramos com mais de 6 anos para dar lugar a outros mais jovens e produtivos (poda de rejuvenescimento).
Nos primeiros três anos após a plantação, recomenda-se a remoção da maior parte dos botões florais para que a planta se “concentre” apenas em crescer e em estabelecer-se correctamente.

* Engª Ana Silva, produtora de mirtilos

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PULVERIZAÇÃO

Os tratamentos fitossanitários ocorrem por todo o país em qualquer altura do ano, mas de Maio a Setembro é quando a sua intensidade é maior fruto de uma área de vinha e pomar que se encontra em pleno desenvolvimento vegetativo e que exige, força das condições climáticas, uma vigilância apertada e, caso seja necessário, e só nessas condições, dever-se-á recorrer aos tratamentos fitossanitários.

Estes nem sempre são realizados da melhor forma, ou porque não se domina a técnica, ou pelo facto de utilizarmos equipamentos não correctamente regulados e calibrados ou mesmo porque não trabalhamos bem os conceitos dose vs concentração.

Esta será a primeira de uma série de postagens dedicadas ao tema, pelo que, devido à complexidade do tema e ao cariz do blog, não se pretende "atribuir graus de mestre na área", mas, isso sim, esclarecer e clarificar, até porque os aplicadores ao abrigo do Dec. Lei 173/2005 de 21 de Outubro, são obrigados a frequentar acções de formação em aplicação de produtos fitofarmacêuticos (APF).


Alguns conceitos, assim:

Tratamento - aplicação de um produto fitofarmacêutico (PF), através de uma técnica de aplicação, recorrendo para isso a um determinado equipamento.

Técnica de aplicação- processo através do qual se distribui de forma correcta e adequada um PF sobre um alvo biológico.

Calda - água + PF

Pulverização - é a técnica mais difundida a nível mundial, e consiste em realizar o recobrimento de um alvo (folhas, tronco, fruto, solo...), com uma calda dispersa através de gotas de dimensão váriável, mas de forma o mais uniforme possível.


Imagem:figura web; Foto: Jorge Carvalho

Pela observação da figura anterior, poder-se-á ver que o alvo terá que ser coberto com gotas que, não sendo uniformes, era desejável que o fossem e que têm um determinado diâmetro médio expresso em micras ( 1 micra = 0,001 mm).
Diâmetro médio das gotas aconselhado:
Estes valores são referentes, como se disse, à dimensão do diâmetro mediano volumétrico (DMV).
Na figura abaixo pode-se ver a influência do tamanho da gota no recobrimento do alvo.

Fonte: web site hardi

Para que se faça uma boa pulverização, e consequentemente uma boa aplicação, o nº mínimo de impactos por cm2 sobre o alvo deverá ser, para cada classe de PF, a que se indica no quadro:
Fonte: ANDEF

Como se avalia?
Recorrendo à utilização de papéis hidro-sensíveis, tal qual se pode ver na foto.
Foto: Jorge Carvalho

A avaliação pode ser feita recorrendo à lupa (método que contém imprecisões) ou ao scanner, que é uma forma fiável de análise mas não ao alcance do aplicador em condições de campo.

Mais do que ver o nº de impactos, a colocação de hidro-sensíveis serve para ver se a calda penetrou no coberto vegetal e se a sua uniformidade é boa, e isso é possível observar à vista desarmada.

Como posso distribuir a calda?
Com recurso a equipamentos tais como:

- Pulverizador de pressão hidráulica de jacto projectado (ver vídeo barra lateral esquerda do blog)
Foto: Jorge Carvalho

- Pulverizador de Pressão hidráulica de jacto transportado (Turbina)
Foto: Jorge Carvalho

- Pulverizador pneumático (atomizador) (ver vídeo barra lateral esquerda do blog)
Foto: Jorge Carvalho
- Pulverizador centrífugo (UBV)
Foto: Web Site; Jorge Carvalho
- Nebulizador (ver vídeo barra lateral esquerda do blog)
Foto: Jorge Carvalho
Representação esquemáticas do tamanho e uniformidade das gotas produzidas pelos equipamentos mais utilizados em Portugal:
A percepção que temos do tipo de gota produzido por cada um destes equipamentos reveste-se de importância extrema pois só assim poderemos escolher o que melhor se adapta à nossa cultura, ao estado fenológico da mesma, ao tipo de tratamento e às condições climatéricas.
Seja qual o equipamento utilizado, nunca deveremos esquecer que pulverizar não é a mesma coisa que despejar pulverizadores, pelo que a sua calibração e regulação são aspecto fundamentais.
Sempre que pensarmos realizar um tratamento, deveremos inundar a alma com três letrinhas: BPF (boa prática fitossanitária)... Realizar BPF é um acto de responsabilidade que temos para connosco, com os outros e com o ambiente.
Na próxima postagem abordarei estas questões.
Bem haja!

sábado, 11 de abril de 2009

AMÊNDOA - A JUSTA HOMENAGEM!

Imagem WEB

Estamos na época pascal, e porque este blog pretende ir muito para além da horticultura, é da mais elementar justiça falar da planta que nós dá um dos frutos mais consumidos nesta altura. A amêndoa e a amendoeira, a amendoeira e a amêndoa, tanto faz a ordem, porque falar de uma é realçar a importância da outra e vice-versa.

Oriunda da Ásia Central, chega à Europa através da bacia mediterrânica, pelos dos Fenícios.


Fonte: A Amendoeira (António Monteiro, Vitor Cordeiro, José Laranjo)

Em portugal encontra-se no Alto Douro, Nordeste Transmontano (Terra Quente) e Algarve e faz parte de um cartaz turístico na altura da floração.


CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA

Família : Rosaceae
Género: Prunus L.
Espécie: P. dulcis (Miller) D.A. Webb


Há no entanto alguma discrepância entre a classificação botânica e alguns autores referem-se à amendoeira como Amygdalus communis L. (Vasconcelos, 1984).

A este género pertencem 77 espécies de entre as quais se encontram a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro e o damasqueiro, entre outras, pelo que a amendoeira, tal como as restantes do mesmo género, é incluida na subfamilia das prunóideas, isto é, todas aquelas que sendo da mesma familia produzem um fruto com caroço!

RAIZ

Sistema radicular profundo, podendo atingir os 4 m de profundidade se bem que cerca de 80% do seu raizame se encontre a uma profundidade até 1 metro. Na horizontal poderá atingir os 12 metros.
É um sistema radicular poderoso o que lhe permite asseguar os mínimos indispensáveis ao seu desenvolvimento (água e nutrientes) daí se poder perceber a sua boa adaptabilidade a solos pobres e mal estruturados.


CAULE

É o suporte dos ramos principais (pernadas) nos quais se inserem as ramificações secundárias (frutíferas). É uma planta que tem uma altura média de 4 a 6 m podendo em alguns casos chegar aos 10-12 metros.
O porte da planta depende muito das variedades, das técnicas culturais, do solo e do clima, pelo que de uma região para outra, e até mesmo dentro da mesma região, é possivel encontrar plantas com diferentes volumetrias.


FLOR

As flores surgem nos lançamentos de Maio (ramalhetes de maio), nos ramos mistos ou em ramos curtos. O número de flores é variável e só apenas 40 a 45% são polinizadas e destas apenas 25 a 35% dão fruto.


imagem web - flor





Fonte: A Amendoeira (António Monteiro, Vitor Cordeiro, José Laranjo)


As flores são completas, isto é, apresentam órgãos masculinos (entre 20 a 40 estames) e femininos (1 ovário).
O pedúnculo é curto e apresenta a forma característica das rosáceas (5 sépalas e 5 pétalas), branco-rosadas o que lhe confere as tonalidades que tanto deslumbram os nossos olhos aquando da floração.



FRUTO

O Fruto é uma drupa (amêndoa) de forma ovóife-oblonga, constituído por exocarpo (camada externa), mesocarpo e endocarpo (casca ou caroço) o qual encerra o miolo ou grão.



imagem web - fruto (exocarpo)




imagem web - fruto (endocarpo)

É de facto o fruto que nos interessa nesta cultura e existem várias utilidades para as diferentes partes do mesmo.
O mesocarpo era muito utilizado como alimento para os animais (ovinos) por ser muito rico em hidratos de carbono e fibra.
A casca (endocarpo) é hoje em dia muito utilizada como subproduto e as suas características muito apreciadas como bombustível devido à sua grande capacidade energética, onde encontra uma forte utilização no aquecimento doméstico. Tem também outras utilidades menos intensas como por exemplo em aglomerados e para obtenção de carvão activado que depois é utilizado para tratamento de águas residuais.
A semente é utilizada na obtenção de óleo, na colinária e para consumo. A sua forma é muito importante e é ela que em parte determina a sua utilizaçãp final, pelo menos no que concerne ao consumo humano, pois as achatadas são cobertas com açúcar e as esféricas com chocolate.


ESTADOS FENOLÓGICOS





VARIEDADES

Variedades de zona fria (floração tardia): Antoñeta, Ayles, Ferralise, Ferrastar, Ferragnès, Francoli, Glorieta, Guara, Lauranne, Mandaline, Marta, Masbovera, etc.

Variedades de Zonas intermédias (Florações médias) : Bonita, Casanova, Desmaio, Ferraduel, Garrigues, Marcona, Parada, rumbeta, etc.

Variedades de zonas quentes - inclui todas as variedades e também as precoces, tais como: Boa Casta, Gama, José Dias, Marcelina Grada, mourisca, Pegarinhos, Romeira, Verdeal, etc.



TÉCNICAS CULTURAIS

Existem muitas variedades e cada uma delas terá um tratamento próprio mas, como orientação poderemos referir as seguites generalidades.


Desidade de plantação - 333 plantas/ha - regadio
238 plantas/ha - sequeiro

Plantação - Enxertos prontos ou porta enxertos.

Podas - esta operação determina e condiciona o futuro do pomar, pelo que ou é bem executada desde inicio ou se poderá comprometer de futuro tanto produções como intervenções culturais.
Poda de formação - 3/4 primeiros anos;
Poda de Frutificação - anos seguintes;
Poda de reestruturação - em fase de envelhecimento.

Rega
Tem grande resistência à seca, em que a perda de folhagem durante a fase de crescimento é um mecanismo adoptado pela árvore para se adaptar a situações de seca extrema, claro que com baixas produções.
Em regadio responde favoravelmente às dotações de rega e a água contribui para aumentar os rendimentos (número de frutos e peso dos mesmos).

Fertilização
Depende muito da fertilidade do solo o que só se consegue avaliar mediante recolha de terra para análise.

Fonte: LQARS

FITOSSANIDADE

Os problemas fitossanitários mais frequentes são:

Cancro da amendoeira (Fusicocum amygdali Delac) - ataca ramos e tronco e apresenta-se como uma necrose acastanhada oval.
Meios de luta cultural, são sempre a primeira, e neste caso, única intervenção com alguma eficácia, como seja eliminar lenhas de poda e elimanar partes infectadas.
A luta química limita-se a aplicações de cobre no período invernal.

Crivado (Fusicladium carpophilum (Thüm.) Oudem) - ataca folhas e frutos e os sintomas são pequenas machas arroxeadas que encortiçam (fruto). As folhas acabam por perfurar e cair.
Luta química - Substâncias activas homologadas para o efeito (captana, mancozebe, oxicloreto de cobre, zirame e tirame).
Nota: Não dispensa a consulta das listas actualizadas de substâncias activas.

Cancro Bacteriano (Pseudomonas syringae) - ataca ramos e tronco.
Luta química limita-se a aplicações de cobre no período outono/inverno.



ACIDENTES FISIOLÓGICOS
As geadas são as que mais afligem os produtores de amêndoa que, em determinados anos, podem causar prejuízos de 60 a 90%.


PRODUÇÃO

(1) Outros - inclui Portugal
CURIOSIDADES

A amêndoa é referenciada no Génesis (cap.III, versículo II) como sendo um objecto oferecido por Jacob ao perfeito do Egipto, dois mil anos antes de Cristo.


COMPOSIÇÃO MÉDIA (Verdeal)
Água - 6,6%
Gordura - 49%
Proteínas - 31,2%
Açúcares totais - 6%
Cinzas - 3,9%
Valor energético - 584,4 kcal
Cálcio - 330 mg/100g
Fósforo - 572 mg/100g
Potássio - 880 mg/100g.


FONTES CONSULTADAS: web Sites; Manual de Fertilização das Culturas (LQARS), xA Amendoeira - Património Natural Transmontano (João Azevedo Editor)BOA PÁSCOA A TODOS OS VISITANTES DO HORTICULARIDADES!

domingo, 8 de março de 2009

EPITRIX EM BATATEIRA

Estamos no início das plantações de uma das culturas mais importantes no nosso país em termos horto-industriais - a batateira!
Desta forma, agricultores, técnicos e demais agentes envolvidos na fileira, deverão estar atentos a novas pragas e doenças que, cada vez mais estão na ordem do dia, resultamtes de diversas conjugações de factores tais como a mobilidade de produtos acabados, sementes, transportes, embalagens e também das alterações climáticas. Assim, já não são só as pragas e doenças "tradicionais" que nos apoquentam pois, a par delas, vão surgindo outras que, pelo facto de serem desconhecidas, causam, nos primeiros anos, estragos económicos consideráveis.
A Epitrix similaris é uma praga recente na europa que causa prejuízos avultados, pelo que há que estar muito atento e vigilante. É oriunda da América do Norte e foi detectada em Portugal em 2007.


BIOECOLOGIA


A Epitrix similaris Gentner, é um coleóptero negro brilahnte com patas posteriores muito desenvolvidas. O corpo de forma oval e a cabeça e o protórax são estreitos com olhos moderadamente proeminetes. É um insecto que mede de 1,6 a 1,9 mm. Hiberna no solo sobre os resíduos das culturas e/ou das infestantes e na primavera migra para as folhas da cultura onde acasalam.

Os ovos são microscópicos e ovais e as posturas são feitas na zona do colo da planta.

Após a eclosão dos ovos, as larvas migram para os tuberculos. As larvas são de cor branco creme medem entre de 2 a 3 mm, e têm 3 pares de patas pouco visiveis; após o seu completo desenvolvimento pupam em galerias feitas no solo. As pupas são de cor branco e medem de 6 a 8 mm.

Consoante as condições climatéricas podem ter duas a três gerações no caso de Portugal continental



CICLO DE VIDA





ADULTO


ESTRAGOS




MEIOS DE LUTA


Luta Cultural

- Rotação cultural;
- eliminação dos restos de cultura e dos hospedeiros (erva moira, figueira do inferno. São também hospedeiros o tomateiro, beringela e pimenteiro).


Luta qímica

Esta deverá ser a última opção até porque só agora (4 Março 2009) é que foram homologadas as substâncias activas bifentrina e acetamiprida (nº máximo de aplicações 2), no âmbito do alargamento de espectro.

Bibliografia: COTHN; DGADR; Bayer Cropsciense. Fotos: Conceição Boavida e Rita Teixeira

domingo, 25 de janeiro de 2009

ESCLEROTÍNIA

A cultura da alface, pela sua importância económica e agronómica, merece um relevo especial e, no que toca aos problemas fitossanitários (pragas, doenças, infestantes), há um que particularmente nesta época do ano se manifesta com uma incidência elevada em alguns terrenos e sob determinadas condições de cultura – a Esclerotínia.
Esta doença é provocada por um fungo da classe dos Ascomyceta e da família Sclerotiniaceae, onde podemos ter duas espécies causadoras da doença - Sclerotinia minor Jagger e Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary.
O nome comum dado a esta doença é Podridão branca alface.

Bioecologia
A podridão do colo da alface é provocada por duas espécies de Sclerotinia: S. minor e S. sclerotiorum. Ambas as espécies sobrevivem nas camadas superficiais do solo (2-3cm), durante a estação desfavorável, em estruturas de resistência denominadas esclerotos (tamanho compreendido entre 0,5 – 3 mm e cor escura) sendo a sua viabilidade bastante longa (8-10 anos). O escleroto forma-se por compactação massiva de micélio cujo exterior endurece com uma camada quitinizada.
Diferem entre si nas condições óptimas e no modo de infecção. Assim, os esclerotos da S. sclerotiorum germinam, carpogeneticamente quando a humidade do solo se mantém próximo da saturação durante 2 semanas e a temperatura do ar se situa entre os 11-15º C. Ocorre então a emissão de apotecas (órgão de frutificação - estruturas assexuadas de reprodução) e a libertação de milhões de ascósporos que em presença de água livre, infectam as folhas senescentes (período de incubação de 48 horas). Os esclerotos da S. minor, por sua vez, germinam eruptivamente, produzindo hifas que entram em contacto directo com as raízes e folhas senescentes, ocorrendo desta maneira as infecções primárias. Dados os requisitos específicos de produção e libertação de ascósporos da S. sclerotiorum os seus ataques são esporádicos.
Os solos rico em matéria orgânica também favorecem o desenvolvimento da doença.

Ciclo de Vida (imagem capturada do Google imagens)
Esclerotos (imagem capturada do Google imagens)


Esclerotos (Foto: Jorge Carvalho)

Esclerotos (Foto: Jorge Carvalho)
Sintomatologia
A Sclerotinia é um fungo de solo, pelo que as infecções se dão, preferencialmente, ao nível do colo da planta, onde começa por se notar uma podridão húmida de aspecto esbranquiçado. As folhas da base também são atacadas em simultâneo ou numa fase ligeiramente subsequente. À medida que a doença progride a planta pára o seu crescimento, as folhas da base tombam (sintoma característico) e aparece um micélio branco acompanhado de uns orgãos escuros (esclerotos). Os tecidos atacados tornam-se deliquescentes, em virtude de invasões secundárias de bactérias e fungos (podridão cinzenta). Ao ser arrancada não oferece qualquer resistência.
É próximo da colheita que a doença progride mais, no entanto a doença pode atacar em todos os estado fenológicos.

Estragos provocados
As folhas atacadas param o seu crescimento, tombam e são invadidas por podridões moles perdendo todo o seu valor comercial. Para além disso, atendendo à grande persistência das suas estruturas de perpetuação é difícil a realização desta cultura, com resultados económicos positivos, em solos em que se tenham verificado ataques anteriores, principalmente em cultivos realizados na época Invernal.

(Fotos: Jorge Carvalho)

Estratégia de protecção:
A estratégia de luta passará essencialmente pela actuação preventiva reduzindo-se ao mínimo, pela correcta aplicação de medidas culturais, as condições favoráveis ao aparecimento/desenvolvimento do agente causal e não se correndo riscos quando se julgarem criadas as condições para o desenvolvimento da doença.

a) estimativa de risco
A estimativa de risco, apesar de muito díficil e de pouco ou nenhuma aplicabilidade em termos práticos, baseia-se no risco potencial de infecção e tem por base a avaliação de três parâmetros fundamentais:
1) bioecologia do agente causal;
2) monitorização dos principais parâmetros climáticos (temperatura, humidade);
3) observação visual de plantas e órgãos (as consideradas para as pragas) para detecção precoce de sintomas.

b) Meios de protecção:
É, sem dúvida, o ponto chave e mais complexo, porque não temos produtos homologados para a finalidade. Assim, a luta cultural, é a única forma que temos de controlar a doença e impedir que futuras plantações venham a estar comprometidas.

Luta Cultural
. utilizar plantas em motte (afasta as folhas basais do solo);
. armação do terreno em camalhões;
. cobertura do solo com plástico;
. arranque e destruição de folhas afectadas;
. desinfecção do solo (solarização, vapor de água);
. densidades de plantação mais pequenas;
. evitar fortes adubações azotadas e garantir o equilíbrio químico do solo;
. utilizar variedades resistentes a esta doença;
. destruir os detritos da cultura precedente;
. evitar fazer culturas após uma outra que tenha sofrido ataque desta doença;
. Lavouras mais profundas contribuem para enterrar os esclerotos.

Luta Química
Não temos em Portugal substâncias activas homologadas para o binómio doença/cultura.
Há, todavia, produtos fitofarmacêuticos que exercem alguma acção secundária sobre esta doença tais como sejam o metame de sódio, Iprodiona, ciprodinil+fludioxonil... (homologados para a cultura e para outras finalidades).

Algumas Curiosidades
A alface é muito utilizada na 1ª gama e na 4ª gama e também começa a ser muito utilizada em sopas, se bem que em termos de segurança alimentar é sempre preferível a sua utilização em cru.

Composição por 100g (fonte: http://www.diabetes.org.br/)
Calorias 14kcal
Glicídios 2g
Proteínas 2g
Cálcio 28mg
Fósforo 26mg
Ferro 0,6mg
Sódio 4mg
Potássio 349mg
Bibliografia: Manual de Protecção integrada de culturas hortícolas (AIHO); Site DGADR; Imagens Google

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Penca o ex-líbris do bacalhau!

Todos os anos por esta altura o bacalhau é um dos pratos mais consumidos e confecciona-se de toda maneira e feitio e vai com qualquer um, com o Brás, o Narciso, cozido, frito, assado, com cebolada, cru e até uma bela punheta de bacalhau é uma delicia!
Pois, mas será que o acompanhamento não será também responsável pelo toque de classe que transforma o mais lânguido bacalhau num dos pratos gastronómicos mais apreciados em Portugal?
Pois, se assim é ou não, fica a cargo da avaliação fidedigna dos mestres da culinária, mas, o que da minha parte vos posso afiançar é que um belo bacalhau vale muito mais se acompanhado com a bela couve. E da mesma forma que digo que “gostando muito de bacalhau não me serve qualquer rabo”, também afirmo que “gostando muito de couve mas não me serve qualquer talo”.
Aqui, a penca desempenha um papel único e singular e, de entre todas as couves, é a que mais se destaca nesta época natalícia, como tal, é justo que se fale um pouco desta cultura.
Todas as couves, a penca incluída, pertencem à família das brassicáceas (crucíferas), família que engloba também outras espécies com interesse agronómico como é o caso do nabo, agriões, rabanete, rúcula e também não menos importante, nem sempre por boas razões, já que se trata de uma infestante, o Saramago.
As couves que se cultivam em Portugal pertencem à espécie Brassica oleracea L, que engloba diversas variedades, nas quais se encontra a couve penca que é uma variedade acephala, isto é, não produz cabeça.
A penca, também conhecida por couve Portuguesa ou tronchuda, tem várias origens e cada um “puxa a couve ao seu bacalhau”, acabando por se dizer que a penca de Chaves é a melhor, mas, outros vêm, e logo dizem que a penca de Mirandela é que é saborosa e, como se não bastasse, logo aparece quem bem diz da penca da Póvoa.
Umas e outras, têm naturalmente características muito próprias devido às condições edáfo-climáticas o que lhes confere sabores particulares e igualmente apetitosos, pelo que, sendo de Chaves, Mirandela ou da Póvoa, o importante é perceber as características morfológicas comuns a todas e as exigências edáfo-climáticas, para que se possa tirar partido de uma cultura que economicamente tem uma expressão muito grande na horticultura nacional, principalmente nesta época do ano.
Produções relativas aos anos de 2000 nas diversas regiões (Fonte: INE, estatísticas da horticultura 1995-2001).

Regiões
Entre Douro e Minho (EDM)

área cultivada - 437 ha
produção total - 5158 toneladas

Trás-os-Montes (TM)
área cultivada - 100 ha
produção total - 2500 toneladas

Beira Litoral (BL)
área cultivada - 82 ha
produção total - 1446 toneladas

Beira Interior (BI)
área cultivada - 15 ha
produção total - 288 toneladas

Ribatejo-Oeste (RO)
área cultivada - 389 ha
produção total - 6617 toneladas
Alentejo (ALE)
área cultivada - 11 ha
produção total - 165 toneladas
Algarve (ALG)
área cultivada - 10 ha
produção total - 250 toneladas

Características Botânicas
Raiz - aprumada na qual crescem grande número de raízes mais pequenas, podendo considerar-se que possuem um sistema radicular superficial (aproximadamente 30cm).
Folhas - tal como na maioria das brássicas, possuem uma cerosidade típica que dificulta a permanência de gotículas de água e têm uma cor verde escura a verde clara consoante a variedade. Tem folhas grossas e talos carnudos e pode alcançar os 50 cm de altura e um peso de 2 kg.
Flores – hermafroditas, com auto polinização e polinização entomófila (insectos).
Fruto – é uma silíqua

Exigências edafo-climáticas
As couves são, de um modo geral, plantas adaptáveis às mais diversas condições de clima e de solo.
Temperaturas baixas e terrenos férteis e frescos conjugam as condições ideais para a sua produção.
Em termos de solos interessam, em especial, os franco argilosos ou todos os que tenham boa capacidade de retenção de água mas, simultaneamente, drenagem suficiente para evitar excessos.
As terras arenosas são consideradas as melhores para variedades precoces e as mais compactas para as variedades tardias.
As couves desenvolvem-se mal em terrenos demasiado ácidos, nos quais estão sujeitas ao ataque mais frequente de certas doenças como a potra e a falsa potra.

De uma forma geral pode dizer-se que as pencas são plantas que produzem melhor em condições de clima frio-temperado (7º-22ºC), suportam mais ou menos bem as geadas e exigem uma precipitação (rega) escalonada.
O clima de influência atlântica do litoral português reúne condições óptimas para a produção destas hortícolas.
De todos os parâmetros do clima é a temperatura aquele que mais influência tem no êxito do cultivo.

Práticas Culturais
Devem utilizar-se plantas provenientes de viveiros certificados (raiz nua ou alvéolos), mas também poderemos semear em alfobres e depois transplantar.
Na plantação manual (aconchegar bem a raiz da planta ao solo) ou recorrendo a plantadores (ar livre);
A plantação pode ser feita em linhas simples (terreno armado à rasa) ou linhas pareadas (terreno armado em camalhões), e a densidade deve andar entre as 50.000 a 65.000 plts/ha.


Plantação mecânica em linhas simples



Máquina de plantar com três linhas

Operadores da máquina


Fevereiro-Novembro é a época de plantação.
As regas pós plantação devem ser frequentes pois a planta desidrata com facilidade.

Relativamente às fertilizções, estas deverão ser realizadas em função dos niveis de fertilidade do solo, e para isso há que proceder à colheita de amostras de solo para análise.
Como valores meramente indicativos, e considerando os niveis de fertilidade de 1 a 5 (LQARS), temos:

Azoto: 80 a 120 unidades/ha
Fósforo: 60 a 200 unidades/ha
Potássio: 60 a 200 unidades/ha
Magnésio: 20 a 60 unidades/ha
Boro: 0,5 a 3 unidades/ha
Molibdénio: 0,50 a 0,15 unidades/ha

Dever-se-á proceder ao controlo das infestantes mediante a aplicação de herbicidas homologados para o efeito e/ou realizar sachas durante o seu ciclo cultural. A monda térmica também é uma solução, bastanto para o efeito ponderar os custos da mesma, pois nem sempre esta cultura paga esta operação!

Estados Fenológicos


A colheita deverá ser feita no estado fenológico 4


Problemas Fitossanitários

Pragas

lagartas (Pieris brassicae),



Mosca Branca da couve (Aleyrodes proletella L.);

Outras Pragas

Mosca da couve ou bicho arroz (Delia radicum L.); Áltica (Phyllotreta nemorum L.); Nemátodos (Meloidogyne Spp.); Lesmas e caracóis.

Substâncias activas homologadas:

Lagartas - Bacillus thuringiensis; deltametrina; lambda-cialotrina;
Mosca Branca da couve – Cipermetrina; lambda-cialotrina;
Mosca da raiz- Diazinão;
Áltica- Não há substâncias axctivas homologadas para a finalidade
Nemátodos- 1,3-dicloropropeno;
Lesmas e caracóis - metiocarbe, tiodicarbe

Doenças:
Míldio (Peronospora parasítica)


Substâncias activas homologadas : Mancozebe,

Potra (Plasmodiophora brassicae)
Substâncias activas homologadas – não existem. Meios de luta cultural, com rotações de pelo menos 7 anos e corrigir o pH.


Alternariose (Alternaria brassicae)
Substâncias activas homologadas: Mancozebe

ferrugem branca (Abugo cândida) Substâncias activas homologadas: Mancozebe

Podridão negra das crucíferas ( Xanthomonas campestris) Substâncias activas homologadas: hidróxido de cobre

Em qualquer dos casos, quer se trate de pragas ou doenças, antes do recurso ao uso de produtos fitofarmacêuticos (luta química), deveremos recorrer aos outros meios de luta, tais como luta cultural, luta biológica, biotécnica e genética.


Acidentes Fisiológicos
Espigamento: devido a condições de stress - encharcamento, seca, elevadas temperaturas.

Tip-Burn - Carência de cálcio e/ou excesso de salinidade no solo.
Outras carência - boro e molibdénio.

Informação nutricional
Composição por 100g (Fonte: /www.diabetes.org.br)

Calorias 27kcal
Glicídios 4g
Proteínas 3g
Lipídios 1g
Cálcio 203mg
Fósforo 63mg
Ferro 1mg
Potássio 403mg
Fibras 3,1g

Utilização:
Muito ricas em carotenóides, vitamina A e cálcio.
Sopas e cozidos e claro está, com o belo do bacalhau que com um azeite extra virgem e um vinho verde – Quinta do Tapadinho…. Bem, bem, que delicia!
Espero que tenha contribuido para aumentar o vosso interesse pela cultura e, já sabem...consumam hortícolas!
fotos do autor e do manual de protecção integrada de culturas horticolas
Feliz 2009!