domingo, 19 de abril de 2015

Jornadas Técnicas Início de Campanha 2015... EVAG

Decorreram no passado dia 17 do corrente mês, as Jornadas Técnicas de Início de Campanha 2015, na EVAG (Estação Vitivinícola Amândio Galhano), em Arcos de Valdevez, promovidas pela CVVR (Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes).
O Workshop teve a intervenção de reconhecidos especialistas que abordaram temas interessantes dos quais se destacam:

 João Garrido/EVAG - Análise do estado atual da vinha na EVAG
- A EVAG tem uma coleção ampelográfica que permite fazer com rigor uma avaliação do estado atual da vinha na Região dos Vinhos Verdes. À data temos castas em que o estado fenológico mais adiantado são os cachos separados (G) e outras ainda muito atrasadas em relação a outros anos.
No ano de 2014, em todas as castas, o abrolhamento ocorreu em Março e, este ano, o abrolhamento da maior parte delas ocorreu em Abril, o que significa um atraso. Este atraso reflete-se em 14 dias relativamente ao ano de 2014 e de 8 dias relativamente à média dos últimos oito anos. Este atraso relativo está directamente relacionado com as temperatura médias que se fazem sentir a partir de 1 de janeiro, o que poderá levar também ao atraso das primeiras intervenções fitossanitárias, mas não é indicador de forma alguma de como decorrerá o resto do desenvolvimento do ciclo cultural da videira, pois este e nomeadamente as maturações, dependem das condições climatéricas que se fizerem sentir após os vingamentos.

 Joaquim Guerner/DRAPN - Alerta para os principais problemas fitossanitários de 2015

- Fez uma abordagem aos principais problemas ocorridos no ano anterior, dos quais destacou a flavescência dourada, a drosófila e a podridão acética, para além do míldio, claro, que na Região dos Vinhos Verdes é o "pão nosso de cada dia".
Sem querer fazer futurologia até porque não tem a bola de cristal (palavras do interveniente), destacou e alertou para os problemas que podem vir a ser os ácaros, devido ao desequilíbrio no ecossistema que poderão causar as aplicações desenfreadas e pouco selectivas de insecticidas para o controlo do vetor da flavescência (Scaphoideus titanus Ball.) . Usa-se e abusa-se dos piretróides e sabe-se bem o desequilíbrio que esses mesmos insecticidas provocam a nível da fauna auxiliar, nomeadamente na população de fitoseídeos.
A Drosophila suzukii (Matsumura) é também um problema nas vinhas com uma diferença relativamente a outras drosófilas, é que a D. suzukii não precisa que haja feridas na parede celular para realizar as posturas, ao contrário das outras, o que a torna uma praga extremamente agressiva e com consequências que podem vir a ser devastadoras (tal como já acontece em framboesa). De referir que, apesar de ser conhecida como a drosófila dos frutos vermelhos, foram observados ataques tanto em castas tintas como em brancas.
Outra questão de interesse relevante que foi abordada e, depois no período do debate foi abordada inevitavelmente, foi a imparidade consensual (contrasenso), da divergência existente entre a portaria que obriga a tratamentos obrigatórios para o vetor da flavescência, caso se trate de uma ZIP (zona de intervenção prioritária) e suas freguesias limítrofes e não limítrofes e a Diretiva do Uso Sustentável de Pesticidas, que deu origem à Lei 26 de 11 de Abril de 2013, em que obriga os agricultores a aplicarem os princípios da PI (proteção integrada). Ora, como se sabe, um dos princípios será que só deveremos intervir quando atingido o NEA (nível económico de ataque). Caso tenhamos uma vinha situada na ZIP e/ou freguesias limítrofes e não limítrofes estamos sujeitos a medidas fitossanitárias específicas, impostas pela portaria, mas pelo contrário, caso nessa mesma vinha ainda não tenha atingido o NEA, ao  abrigo da Lei 26, não devo aplicar medidas limitativas ou de combate.... "Quem manda mais?" A portaria ou a Lei?????? Não é fácil gerir, pois se por um lado teremos de ter a consciência que o vetor terá de ser controlado, por outro, se não temos o micoplasma instalado nem o vetor, estamos a aplicar medidas desnecessárias e a desequilibrar o ecossistema e outros problemas poderão surgir... não é fácil!!!

 Afonso Martins/UTAD - Gestão do solo em vinhas para otimização da produtividade do sistema vitivinícola
- Fez uma abordagem geral ao solo e sua importância no terroir vitícola.
Relativamente à gestão e conservação  do solo, deixou bem claro que ainda há um trabalho e um caminho muito longo a percorrer, pois, em Portugal, a percentagem de sementeira direta e de enrelvamentos ainda é muito baixa comparativamente com outros países. Em portugal ainda se recorre muito à gestão e conservação do solo baseada em técnicas tradicionais de mobilização que, apesar de ter algumas vantagens, tem muitos incovenientes a nível da mineralização da matéria orgânica, da libertação de gases para a atmosfera que contribuem para o efeito de estufa, a erosão, transitabilidade das máquinas, entre outras.
Assim, das possibilidades de gestão e conservação do solo, a que mantém um coberto vegetal, espontâneo ou instalado, parece ser a opção mais válida e razoável para que o terroir vitícola seja preservado.

João Pinto e David Silva – SAPEC Agro- Soluções SAPEC Agro – Contributo para o aumento da produtividade e qualidade nos Vinhos Verdes

Foram apresentadas soluções relativas à proteção fitossanitária da vinha e soluções relativas à nutrição.
              
Eduardo Alves/ Eduardo Nuno Magalhães, Unip. Ld.ª - Como escolher os EPI (Equipamentos de Proteção Individual) para a aplicação de produtos fitofarmacêuticos

Apresentou o fato SULFAPF e outros EPI´s, e falou da importância da proteção contra as agressões provocadas pelos produtos fitofarmacêuticos e o efeito negativo que têm na saúde do aplicador.


Jorge Moreira – DGAVInspeção obrigatória de Pulverizadores
Falou das inspeções de pulverizadores e dos centros IPP e das obrigatoriedades impostas pelo Dec-Lei 86/2010.
Nos termos do Decreto-Lei n.º 86/2010, a partir de 26 de Novembro 2016, só podem ser utilizados equipamentos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos que tenham sido previamente certificados. De realçar que alguns deles, os que foram vendidos após outubro de 2010, têm 5 anos para serem inspecionados pelo que terão que ter essa mesma inspeção a partir de outubro de 2015.

                
Isabel Ferreira – ENGUIRELVA –- Preparação e vantagens da inspeção do pulverizador

Apresentou as anomalias mais frequentes que se têm verificado nas inspeções. Falou também dos cuidados prévios que os detentores dos equipamentos devem ter para se apresentarem a uma ação inspetiva. 
O pulverizador terá que se apresentar limpo interna e externamente, pois caso contrário o inspector pode-se recusar realizar a inspeção (está na lei); também ter-se-á que ter cuidados com as transmissões (veios telescópicos de cardans e respectivas proteções); nunca se apresentar com um pulverizador à inspeção se este não tiver um manómetro; verifcar o agitador, entre outros....

  João Ferreira – ENGUIRELVA –  Demonstração em campo de uma inspeção

A sessão de demonstração incidiu sobre o pulverizador da EVAG que foi inspecionado in locco. Foi dada a oportunidade de esclarecer dúvidas onde tanto os técnicos da empresa ENGUIRELVA como o Engº Jorge Moreira da DGAV responderam às questões que iam sendo colocadas.
Apresentam-se apenas algumas fotos (medição de débitos)



 et.......... voilá! 
Selo atribuído por um período de 5 anos. A próxima inspeção terá que ser realizada em abril de 2020 e, após esse perídodo, será de 3 em 3 anos.

Assim se passou o dia que foi, no meu entender, mais um belíssimo contributo que a Academia dos Vinhos Verdes e a EVAG deram para o desenvolvimento do setor vitícola da região. O Engº Gonçalo Magalhães (a figura visível destes eventos)  e todos os envolvidos merecem também da minha parte um bem haja especial pelo empenho e dedicação à promoção da vinha e do vinho - os verdes, sem dúvida, uma singularidade da natureza!

bem haja!