sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Da Janela do meu quarto....



Um fósforo na mão de um incauto pode ser o prelúdio do naufrágio de uma Nação!

Abro a janela e o que outrora era verde, não passa de um mar de chamas que será uma paisagem negra e sórdida no dia de amanhã.

Serão causas naturais ou actos criminosos ou descuido típico de uma churrascada?

As primeiras existem, claro, mas quando um incêndio começa pelas horas calmas da madrugada, fico logo sem argumentos para atribuir esse fogo a essa causa; as segundas, bem, onde pára a justiça?; e as últimas, resultantes de todo o tipo de descuido, só pode ser por falta de sensibilidade e sensibilização...

Olho com tristeza as notícias dos responsáveis quando dizem que os meios são eficazes, que cada vez há mais meios, que está tudo a correr bem, blá, blá, blá.

De facto nada disso é verdade, pois nada está a corre bem! Desde que o país arda, nada poderá correr bem, nada mesmo!

No tempo da outra senhora, que muitos vociferam só de ouvir falar, pois logo se alevantam fantasmas relacionados com questões pontuais (pessoais) mas que se transformam em questões globais, nada disto acontecia. Havia incêndios? Sim, claro, mas em pequena escala e com prejuízos económicos, ambientais, ecológicos e sociais aceitáveis e toloráveis, coisa que hoje não acontece.

No tempo dessa dita cuja, havia uma proliferação de casas florestais onde habitavam os guardas com as suas famílias que patrulhavam, reflorestavam, ordenavam, e tomavam nota das anormalidades que eram prontamente comunicadas à tutela que agia em tempo útil (isto nos tempos em que a tutela era útil).

No tempo dessa senhora, o ordenamento do território era outro. As matas estavam limpas, e os prevaricadores pensavam duas vezes antes de o serem.

Agora, ao abrigo de desculpas mil, de desculpas em prol de uma geração de cristal, delapidamos um património que levará séculos a ser restituído. Os governantes deste país, ainda não conseguiram perceber que os prejuízos são muito superiores aos custos da prevenção, da sensibilização, do ordenamento dos povoamentos floretais, da vigilância e fiscalização desses mesmo povoamentos florestais.

Há vigilância? Sim, mas deficitária (pelos vistos no parque Nacional Peneda-Gerês os vigilantes tinham de pagar dos seus bolsos o acto de vigilância)!

Ordenamento? Uma vergonha (resinosas a torto e a direito)

Sensibilização? Meia dúzia de cartazes nas rotundas das vilas? Não chega!

Há que criar estruturas no ministério da agricultura para ordenar e se não o sabem fazer deixem que as associações os façam, basta para isso que lhes dêem meios físicos e económicos;

O Exército em vez de andar a apagar outros fogos no Iraque, Bósnia e outras paragens, que vão patrulhar as matas, armados até aos dentes com ordem para deter quem prevarica;

Nas escolas, que haja sensibilização desde o 1º ano e se prolongue para o resto da vida escolar e nos acompanhe até ao caixão;

Matas limpas à custa do rendimento mínimo e do subsídio de desemprego;

ATL´s Agroflorestais como forma de sensibilizar, educar, prevenir e agir;

Justiça. Que esta seja feita de forma célere e dissuasora de actos criminosos, principalmente estes;

Restituição às florestas da figura de guarda florestal, com o papel que tinham no tempo da senhora (da tal que ninguém quer ouvir falar...)

Contas bem feitas, verão que os custos associados serão bem menores que os prejuízos da madeira ardida, do combustível gasto nas operações com bombeiros e aviões, do aluguer de equipamento, das questões ambientais (erosão, poluição) ecológicas (espécies que desaparecem), sociais (vidas humanas que se perdem, económicas (turismo, bens)....

Ora somem lá isso e digam para que lado pende a balança. Se a isto associarmos o aumento do número de postos de trabalho, vale mesmo a pena evitar a todo o custo que arda, porque por muito elevado que este seja, é sempre muito menor que o custo associado à perda de um património de valor inestimável!

Por isso, senhores governantes, deixem o discurso demagogico, fácil e incompetente e passem à acção que é para isso que nós vos pusemos aí!

Até lá, só daqui a quinze ou mais anos é que volto a ver o verde que sempre vi da janela do meu quarto!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Workshop de Formadores de APF e Mecanização

Resultado de um projecto inovador, foi apresentado em Santarém no passado dia 2 de Agosto, no pavilhão da CONFAGRI (CNEMA), o manual de aplicação de produtos fitofarmacêuticos que não é mais do que um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por uma equipa de formadores na área da aplicação de produtos fitofarmacêuticos (APF), desde 2007.
O anterior manual, com as novas exigências da UFCD 6281, deixou de dar uma resposta adequada à formação dos cursos de APF (aplicação de produtos fitoifamacêuticos). Este manual teve a necessidade de ser reestruturado no sentido de se adaptar às novas exigências da UFCD 6281 que é a que habilita os agricultores e outros aplicadores para a prática da aplicação de PF.
Temos assim um manual com mais conteúdo, abordando novas temáticas, elaborado de forma clara e seguindo uma sequência lógica no âmbito da formação em sala e em campo.
Cada tema está estruturado da seguinte forma:
Objectivo geral do tema;
Objectivo específico;
Enquadramento e justificação;
Desenvolvimento temático.
Pela forma como está estruturado, desenvolvido e pelos contributos de dezenas de formadores que foram sendo dados à equipa técnica, é sem dúvida um manual único no panorâma nacional.
Este manual será o Recurso Técnico Pedagógico, que será a base de todas as acções de aplicação inseridas no plano integrado de formação da CONFAGRI.
No Workshop do passado dia 2 foi também apresentada a estrutura base do manual dos cursos de Mecanização Base e Condução de Veículos Agrícolas Categiria III (OMA).
Para visualização das fotos com painel de oradores:
http://www.confagri.pt/Pages/LinhaCreditoPME2009.aspx